Tuesday, July 06, 2010

Triste Cegueira


Fotografia, Autor Desconhecido

“Olha para mim meu Amor! …”

Foi o que tantas vezes lhe escrevi, gritei, sussurrei, pedi e implorei. Mas não quis olhar para mim…nunca quis…e na ausência do seu olhar… cegou o meu…

Tantas saudades sinto daquele beijo, mordidela e grito, sussurro, sorriso e deleite do meu Amor…que me iludiu na pobre tristeza do que mais venero… amar e ser amado no pormenor da unicidade de um poema…na luxúria da união de dois corpos… distantes da profundeza da vulgaridade … perto do céu e inferno da loucura, perfeição… como compromisso voraz de vida…

Um amor que me fez acreditar numa jura de um passado que não desejava…o seu e o meu. O não a uma riqueza pela dolosa cor do ouro, falsidade enganosa de um beijo ou gesto por imoral conveniência…e que nos faz sangrar de dor. Um sim a uma luxúria de afecto pintada de cores do mais profundo mar azul, simples poema de verdade, suspiro de proveito…e que nos faz chorar na vivencia de um doce e singelo fervor em Nós …

Na cegueira dos meus olhos presenteei o meu corpo numa oferenda única jamais dada a uma mulher… que visitou os cantos dos meus sonhos, desejos e confissões…
Soube. Teve. Sentiu o que apenas deveríamos desejar na vida…mas não…! Mentiu! …e não é como eu … Não amava… não desejava sonhar… não ansiava em escrever esse diário de uma vida …paixão eterna. Necessitava unicamente de algo ou alguém que a ajudasse… não a escrever um futuro de amor-perfeito mas sim! A corrigir um passado de valores errados e cruéis…

Na cegueira dos meus olhos viajei na volúpia do seu corpo, tatuagem num anseio sem pudor, muito para além dos olhares do desejo…para mim…amor…
Os momentos doíam-me de prazer ainda inacabado, regeneravam-se no singular beber do seu fôlego, no inebriante cheiro dos nossos sexos, sôfregos e insaciáveis…para mim…amor…
Horas escassas que desejava eternizar ao sentir o meu sangue quente crispado nas suas unhas cravadas na minha pele … na minha boca? … O seu mamilo mordido fluía numa sofreguidão avermelhada sem vergonha, sem defesas, apenas brandas e suaves …melosas apenas para mim…amor…
Num apetite ávido, descobriu em mim esses lugares, destinos, caminhos, segredos de uma forma doce e delicada onde as curvas dos corpos se colavam às mãos… encaminhadas num desassossegado de caminhos cruzados, encruzilhadas de dor e prazer onde a saliva de um beijo, o odor dos nossos perfumes, rios de suores e sangue, leite do corpo e vida se reuniam no destino que era meu…ou deveria ser meu…num sublime encontro que venerava…e que para mim era tudo…era amor…

Na cegueira dos meus olhos procurei reinventar essa forma de sofrer, de sentir e de olhar…fugindo dessa união comum…riqueza que nos corrompe e que nos desvirtua o encanto de nos unir para celebrar o nosso filho por devoção…do que somente sua criança por dever…

A cegueira dos meus olhos esfaqueados nessa procura de insana volúpia, deliciosa paixão e firmeza na procura de verdade…obrigou-me a sossegar a luxúria que me rasgara a carne, a amizade e ajuda que me consumira o espírito e violara a virgindade do meu bem-querer. Amálgama incapaz de discernir se era ou se viríamos a ser…sem nunca ela querer saber o que poderíamos ter sido…se fossemos…como disse um dia… e mentiu!…iguais…

Na cegueira dos meus olhos, nas horas em que o olhar mais escurece, morri sozinho, no engano de um desejo que não meu, que não eu… para mim amor…para si carência…

De mim…? Amanhã, se já não hoje…a triste certeza que nada vai recordar… talvez apenas os sorrisos que me tirou…

De si…? Uma mágoa desejada, intensa, húmida de fantasia, perpetuada no tempo… o meu amor perdido, as minhas certezas desfeitas e sonhos inacabados…
…na mentira… o desgosto;
…nas constantes e incessantes perguntas para nos salvar,sem nunca alcançar resposta… a tristeza;
…no intimo de um silêncio sufocante de rendição… enlouqueço…

“Amor…! Se nunca quiseste olhar para mim…porque me quiseste cegar? …”
“Amor…! Se não me querias perder…porque fizeste tudo para eu desistir? …”
“Amor…! Se nunca me amaste, porque me deixaste amar-te demais…?”

MABA