Tuesday, August 06, 2013

Mão de Prata


“Porque me perguntas?”

“Nem sei o que te responda… são espelhos quebrados de mim ou vidros que cortam e invadem silêncios.”
“Não sei se gosto das recordações desse tempo… dos sorrisos. O fechar de mãos como flores, o esticar das pontas dos dedos, alinhados, longilíneos, escondidos do resto do corpo, nostalgia ou perdição, dever ou ambição… reflexos de um eu que sempre existiu ou lamina translucida do que queria para mim…”
“Não sei se me lembro das imagens que aquele tempo me traz, do chão que ainda hoje teimo em não pisar e nem sei se o quero, posso ou consigo esquecer. Os cheiros, o suor confuso dos sons que ainda trago na memória, o sofrimento do prazer e o desespero que me consumiu."

“Sinceramente nem sei porque te respondo…”

“Cheguei a cobrir-me de feitiços, de loucura, sempre directa e crente, talvez por instintivos verdadeiros em actos de amor, tentativas vãs de me ver livre dos pedaços de vidro que nos separava e nos marcou dia após de dia do reflexo que nos unia e poderia e deveria nos unir de noite."
 “Tudo me levava aquele chão, aquele tapete, aquele grito, aquela esperança de um acordar dele, um acordar e crescimento ambicioso, de uma dança a dois, que me habituei a dançar, sozinha, não por paixão, por amor.”
“Imaginei que poderia arrancar de mim esses vidros que me sucumbiam e trespassam-me a pele, sim! Presente! Ainda agora os sinto… e como é difícil. Sabes? Tenho a pele demarcada por tempos e vontades, fios de sangue como cordas de desespero, quebrei… em pedaços as lágrimas de chuva que reflectiam a impotência da resolução de diferenças, a barreira de um vidro em detrimento de um espelho reflectido.”

“Respondo-te porque não imaginas como sou, como fui, como vou ser… “

“Mulher! É pouco, imagina algo maior e atingível por respeito, nada menor... anseio. Farto-me fácil de beijos e promessas simples, essas marcas na pele como troféus exibidos sem autoridade, abraços que me sufocam e não desejo.”
 “Quero ter perto alguém sem ter que me aproximar. Não quero quem tome conta de mim… do meu amor, dos meus gostos, do meu corpo… mas sim alguém que seja o espelho do meu afecto, desejo, do meu cheiro e determinação, odor, perseverança e sabor…e como é bom ter o sabor de alguém só nosso, partilhado e não defraudado.”

“Respondo-te porque sei finalmente quem sou… “

“Não é fácil desistir das pequenas coisas e não quero desistir, mereço! Os pormenores para além das responsabilidades, uma roupa bonita para ir para o trabalho. Sapatos! Que bom! E a escolha de um perfume que combine com o tempo que faz lá fora, ou com a nossa pele, ou com o nosso gosto em alguém."
“Não quero desistir nem dos jeitos que dou ao cabelo e que ninguém repara…como quero ter alguém e que ele sim e só ele…repare. Desisti em tempos do meu gosto, da minha essência, de coisas simples e outras mais importantes e especialmente esqueci-me por vezes de mim e não posso nem nunca mais me vou esquecer… e quero ter alguém que ajude a não o fazer.”
“É engraçado como um pequeno gesto de uma mão, um telintar e rodopiar de dedos pode mudar a minha vida e de outros. Um espaço invadido por presenças estranhas que torna um vidro, um simples vidro no qual se consegue olhar e ver alguém sem tocar como inverter essa mão de prata…e com esse poder, que todos possuímos, especialmente uma Mulher! Conseguir quase tudo…”
“Não te rias! É verdade! O poder de saber, sentir, comandar e quem sabe manusear essa superfície opaca e translucida para que seja lisa ao ponto de reflectir uma luz, a minha, a tua, que nos possa olhar, avaliar e julgar envoltos em camada de ouro, prata ou ingenuamente…de nada.”

“Porque me olhas assim e continuas a perguntar?”

“Respondi que é fácil rodopiar as mãos e esquecer os Homens que me amaram…”
“Que posso tocar ao de leve nos vidros que me cercam e ver os Homens que amei…”
“Respondi que posso dançar nas sombras da solidão e fugir da incompreensão das vontades dos outros…”
“Que posso vaguear sem destino e incertezas no vazio como parar seminua à beira de uma estrada sob desígnios de perdição…” 
“Que tudo poderá ser fácil de arrumar, queimar, rodopiar ou quebrar… Mas nunca esquecerei a minha alma reflectida nos espelhos de quem me inspira, faz acreditar e viver…”

“ E sabes porque te respondo? Talvez por ajuda, reflexo, saber!”

“Porque sei que quem dança em chão de espelhos prateados, água limpa de inspiração e certeza… o seu fim surgirá naturalmente e por amor.”
“Porque sei que quem pisa as folhas douradas, vidros escamoteados de falsas promessas… a morte chegará a si, só, lentamente e sem sabor.”

“Respondi à tua Pergunta?

Não?” 


Foto: Autor Desconhecido 
Texto: MABA

Monday, July 22, 2013

Ecos


Fotografia, Autor Desconhecido

Existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e destinos…
Onde e quando tudo se desmorona, se destrói e é esquecido…
Instante fugaz mas eterno em que nos sentimos sozinhos, sem rumo, sem destino…
Não precisamos nem queremos ouvir um único som, nem ninguém…
Dia, sinal, dever, certeza da responsabilidade de parar, descansar, olhar em redor, deixarmo-nos cair e retirar do nosso peito a carta que escrevemos ao longo da vida… a nós próprios…
Onde os sonhos não são esquecidos, onde a verdade não é escondida, onde as nossas ruas de deleite paixão não escondem o nome de quem eternamente chamaremos… Amor…
Essa carta! Escrita com lágrimas, sangue e odor do tempo… o que a vida nos ensinou, ensina…diferenças, erros, virtudes, certezas e verdades…
A subtil diferença entre segurar uma mão e encadear uma alma…
Em que o amor não significa serventia mas sim respeito, honra, dignidade, admiração e entrega…
Em que o respeito e companhia nem sempre significam felicidade e segurança…por vezes solidão…
Em que a felicidade não é sempre ter o que queremos, mas sim ter da forma como sonhamos…
Em que sonhar e concretizar um sonho não é impossível, como aprendemos que os beijos não são contratos e presentes não são promessas…
Aprendemos a aceitar as nossas derrotas com a frieza e graça de um adulto… escondendo melhor a todos! Tristeza da criança em nós…
Aprendemos que podemos construir hoje! Estradas, destinos, casas, protecções, pontes, expectativas e muralhas, defesas… mas o terreno que as sustem não deixa de ser incerto amanhã… e tudo o que não viver da convicção terá sempre o triste e simples hábito de ruir…
Aprendemos que o sol tudo queima quando se exposto, perante este, por muito tempo…
Aprendemos a aceitar que não importa o quanto amamos, sofremos e gritamos…se para quem o fazemos não ama, não sofre e não ouve no mesmo tom…
Aceitamos que não importa o quanto boa uma pessoa é ou será, ou sequer somos… vamos sofrer e fazer sofrer, feridas serão abertas, cicatrizes, por quem e a quem amamos… podemos e talvez devêssemos perdoar… talvez! Se alguém o merecer…
Aceitamos que podemos sorrir e chorar, brincar e gritar, fazer e sonhar…
Aceitamos que a confiança leva anos para se construir e apenas segundos para nos desiludir e destruir…
Aceitamos viver com o poder da verdade e a triste e fugaz lógica de mentir por amor…
Compreendemos que o maior acto de amor é o altruísmo… felicidade, vida de quem amamos, mesmo que tal implique a nossa morte…
Compreendemos que a vida são instantes e temos um poder ou dom de fazer magia memorável e indescritível, como de igual forma somos e seremos capazes de actos que nos arrependeremos perpétuamente…
Compreendemos que a verdadeira amizade ou amor pode não morrer mesmo entre longas distâncias a percorrer, embora a ausência tenha a ousadia e permissão de esconder e esquecer essa amargura…
E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem se escolheu para a partilhar!
E o que importa não é ter alguém para a partilhar, mas quem nos acompanha, compreende e tem competência nessa evolução e partilha.
E o que importa são os bons amigos! Família que nos foi permitido escolher.
E o que importa é a família que não nos julga! No momento que mais necessitamos que não o façam
Descobrimos que amigos há… que só o são se forem mais felizes do que nós.
Descobrimos que família são aqueles… de nosso sangue ou amor partilhado que nos ama quando menos merecemos.
Descobrimos que as pessoas que mais nos amam nos são tiradas de forma repentina e inesperada e perante a consciência do inevitável ...iniciamos um processo de cura, palavras de calor, no desespero frio de ser a última vez que vamos vê-los, ouvi-los e senti-los.
Somos responsáveis por nós mesmos, conhecedores do poder do bem e do mal que podemos exercer.
Somos responsáveis por erros e virtudes, conhecedores da relatividade de pormenores e do meio ambiente que nos influencia e a todos ao nosso redor.
Somos responsáveis por decisões únicas, conhecedores que o óbvio nem sempre é o correcto e a comparação com outros nem sempre é eficaz.
Somos responsáveis pelas nossas escolhas e comparações, conhecedores da balança da justiça, decisões entre o melhor e honroso, mundano e banal.
Demora algum tempo a descoberta que nos permite tornar a pessoa que queremos ser e que esse tempo é demasiado curto.
Demora algum tempo o conhecimento que nos permite saber que o que importa não é onde estamos, mas onde queremos chegar.
Demora algum tempo que o desconhecimento de um destino só nos irá trazer a descoberta tardia desse lugar e de acções predestinadas.
Sabemos que controlamos palavras, acções e significados e que elas próprias nos vão querer controlar.
Sabemos que ser submisso não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quanto delicada e frágil seja a situação, existirão sempre dois lados e nunca serão coincidentes em tempo e vontade.
Sabemos que ser frágil é amar alguém e forte é amar não outro mas apenas nós próprios.
Sabemos que heróis são aqueles que fizeram e fazem o que era e é necessário, enfrentando todas as consequências dos seus actos únicos e aclamados, quando um dia compreendidos.
Sabemos que a paciência requer experiência e a espera não é prova de fracasso, mas sim de ousadia de um significado.
Sabemos que a perfeição não existe… mas inconscientemente procuramo-la incessantemente…e a necessidade de a descobrir é utópica e sôfrega.
Perguntamos se a nossa vida é hoje, agora… A única que temos?
Perguntamos se na nossa vida, hoje, agora… Somos o que queremos?
Perguntamos se na vida não existe perfeição… e se existir… Será em pedaços, faíscas e fulgores?
Perguntamos o que nos oferece sabedoria… Experiências, erros e certezas, locais e pessoas?
Concluímos que não somos ninguém para destruir sonhos e moralizar acções.
Concluímos que sábios não são os que acertam… são os que se corrigem.
Concluímos que temos o direito de gritar por raiva e dor, não o temos de ser frios e cruéis.
Concluímos que uma pessoa pode nos amar e não conseguir demonstrar, como alguém saber dize-lo e não conseguir provar.
Sei…que existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e destinos…
Sei…em que momento o vento te beija o rosto, o dia em que a folhagem abraça o teu corpo, o sonho e lugar onde a luz e sombra ajeitam-te os cabelos e escondem o teu olhar…
Sei…esse destino sem saber o tempo…
…onde as nossas vidas se unem por momentos,
…onde os sonhos permanecem na memória,
…onde os amores vagueiam para sempre…
Sei…
Que tudo são ecos de Amor…
…e que ecoam para a eternidade…

MABA

Wednesday, April 17, 2013

Abracadabra!



Fotografia, Autor Desconhecido

Olhei para ti, os meus olhos nos teus encontraram-se por uma última vez…esperei um pouco e acariciei-te o rosto…sussurrei-te ao ouvido… Sabes?
Será magia ou ilusão?
Será amor ou paixão?
Será amizade ou saudade?

Serei tudo ou serei nada, serei ou serás… realidade ou apenas mais um texto enrolado em metáforas e fantasias, em anseios ou utopias consoante o teu desejo, ou o meu…

E eu? Serei apenas um trovador ou ilusionista, serei real ou imaginário…serei o que a minha mão disser, chorar, abrir, fechar, cantar ou sussurrar, serei o que os meus dedos escreverem, a minha imaginação acreditar… pintor, escultor, serei simples, complicado, amante ou romântico, serei o escutar de um som grave, o palpitar de um coração…o meu, o teu, ou o nosso, sou o trovejar de sentimentos, sonhador de imensidões, trovador de inspirações e na ponta dos meus dedos, a vontade de ouvir…o que ninguém me diz, o que ninguém ouve, o que outrora conseguia escutar e hoje não…sou um grito, uma lágrima, um sorriso, uma palavra muda, sou e serei para todo o sempre o piano que ouves, a musica que sentes, o poema que lês, serei em tua pele a tatuagem de um nome que nunca esquecerás…serei o que gosto de ti…

…e como te amo…!?
…num simples acertar de um cabelo despenteado do teu rosto doce e inocente,
…numa ultima bolacha de chocolate que se deixa apenas para quem se ama,
…num perfume suave que nos protege numa noite de encantamento,
…num ultimo suspiro, névoa de um frio gelado antes de morrer,
…no acordar e ser a primeira lembrança, no adormecer e ser o ultimo conforto,
…ser os lençóis que te aquecem e te delimitam o corpo em forma de protecção,
…ser o cheiro esquecido na bruma, o teu genuíno reflexo,
…ser esse ponto de luz perdido no céu, chama que incide num livro iluminando não uma escrita banal mas o contorno em forma de amor em oração…

Fui! Foste talvez pela primeira ou ultima vez a minha eterna ilusão e és e serás o meu eterno amor, o meu timbre, miragem, fantasia, a minha criação, a minha escrita, certeza e maldição, serei e direi para ti sussurrando ao teu ouvido, com a mão no teu rosto…

Abracadabra!

Amo-te hoje e estou aqui, na magia que perdi, capacidade de te dizer que te quero, que te desejo a cada momento, instante…
Amanhã não estarei! …serei esquecido… jamais capaz de atar palavra a palavra, abrir sem fechar a minha mão, sussurrar amores e gritar desejos.
A minha inspiração é luz e feitiço no primeiro gesto, verdade no esfregar de dedos num segundo acto, magia de retorno no seu final… mas… o meu!… O Amor por ti não é nem nunca será ilusão… apenas adormecerá… à espera de ti…

Adeus!

Abracadabra!

MABA

Tuesday, April 09, 2013

Sabor!



“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu para todo o sempre e que nenhuma mulher ou amante jamais te tocará no corpo ou no âmago do teu ser, que não eu…Jura! Pelo teu sangue, pela tua vida!”

“Sou tua! Serei! Sempre fui, mesmo sem o saber. Amaldiçoo quem conheci, quem te possuiu, sem seres tu, sem ser eu! Meu amor, meu alento, espirito, sopro que renasceu comigo…só tu importas! Só tu existes! Só!…És o meu Amor, para quem eu serei eterna servidora, companheira, amante… serei só tua! Juro! Pelo meu sangue, filho, vida!”

“Palavras proferidas em tempos e nas quais inocentemente acreditei na minha memória mais recente. Ultima lembrança de prazer, fervor para o qual ainda nem sequer foram descobertas palavras suficientes para o descrever.”

Sabor!

“Gota após gota, jura após jura, deixaste gotas de suor e cansaço escorrerem-te pelo corpo, em linhas esbeltas, desenhos encetados apenas por mim, numa escrita em língua, só tua, só minha, que permitisse provocar, registar, marcar ou degustar o sabor da tua pele, invertendo contracções e espasmos em olhares furtivos, fugidios do teu ventre pulcro, peito escrito em cor, nádegas suave mel, lábios sem erros ou ardor… não apenas desejo, mas simplesmente num acreditar de bem-querer…e amor.”

Tempo!

“E com ele, contigo, a palavra que beijaste nos meus lábios e que soletrei em mordidas na tua pele molhada por mim, por ti.”

“E com ele, contigo, as gotas do meu afecto, e como sentia esse momento desconhecido, que se dispersava em memórias e num querer de juras prometidas, numa ambição inconfessável, sem saber que por e de mim, sincero! por ti… juras! Mentiras dissimuladas, egoístas…falaciosas.”

Tempo!

“Em que outrora se abraçavam dois corpos, retirei e queimei as roupas, presentes prometidos e oferecidos por engano… No atar de um laço que se desfez rasguei a pele que te tocou e pertenceu…Do corpo que rejubilou a teu belo agrado retirei do peito o palpitar perdido por feminis embuste, na mais triste fraude que aceitei e acreditei por sabor…e amor.”

Tempo!

“E se o meu foi teu, o meu amor jamais poderá existir ou renascer. Darei o meu corpo a quem quiser mas a alma não pertencerá nem a ti, nem a mais ninguém. Perdeu-se no tempo, na jura que jurei e cumpri e tu não!…E o pior? Sabia… sentia sem querer sentir, observava sem querer testemunhar, uma questão de oportunidade e ambição sem ser por carácter ou afecto.”

Tempo!

“A minha condenação ou punição, absolvição? Viver sem amor, apenas sabor…o meu, o teu? Saberás algures num ensejo oportuno e divino, num afogar de sensações antigas, estranhas, medonhas, desaparecidas com o renascer de um momento de viver sem uma paixão sincera, sem gosto…a minha.”

“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu! Só meu!”

“ Não! Não sou! Nem serei de ninguém, outrora morri e matei por amor, renasci por outro, sofri e queimaram-me as cinzas perdendo a capacidade de ressuscitar… Amaldiçoo quem conheci, quem me possuiu, jurou e obrigou-me a jurar! Renascer ou Profetizar?”

“És minha? Meu Amor! Juras que serás minha, só minha? Ama-me! Que eu saborear-te-ei sem paixão, nua, renascida, gota apos gota, até a paragem do tempo o permitir…”

E o Tempo parou! 

Wednesday, April 03, 2013

Beleza em Chama


“Olha em teu redor…retira o véu que te esconde …não existe mais ninguém sem seres tu e eu…”
Se te dissesse tais palavras na noite em que te conheci, não perceberias, nem quererias entender… lógico. Um julgamento rápido de insanidade, loucura, confusão … inoportuno. Estávamos rodeados por uma multidão, sozinhos, muitas pessoas e… o teu amor, por quem partilhei uma parte da minha vida, era notório. Como poderias compreender algo sem sentido…óbvio.

“És Fogo, beleza em chama que ilumina, cega e incendeia quem te enfrenta e procura”
O que posso achar de alguém que conheci tão pouco e em breve tempo? De beleza inquestionável optei por vagabundear numa opinião ao acasouma bonequinha frágil para quem sempre gostou de primor e requinte feminino, mas a duvida no que fosse…correcto. Persistia se tal beleza seria sinonimo de perdição ou promessa passageira de uma falsa e ilusória verdade sobre o melhor e genuíno de nós. E quem é capaz de se erguer e não se esconder por detrás de uma beleza fortuita do destino?…obscuro.

“Poema romântico, princesa dedicada mas rebelde, prosa e canto de uma juventude inquieta, mas perdida por pactos, nirvana tardio”
Pormenores! O que revelam de alguém que se esconde, ou somente a distância que não permite o seu real e verdadeiro conhecimento. E como é fácil! tão fácil iludir alguém, ou mesmo nós próprios. No gosto a arte, na pintura a devoção; um simples guardanapo de cor e posição correcta; cheiro e sabor de um prato com genuína dedicação e quem sabe amor; conversas alegres que em madrugadas esquecidas invadimos com sorrisos a confissões, valores a sonhos, revelaram a menina romântica e sonhadora, e eu? Confuso ao ver agua e vinho, par e ímpar, cara e coroa, lados opostos…distante.

“Alegre Fado que de tristeza faz vida, das lágrimas sorrisos de quem quer, luta e merece ser mulher de um bem maior que de menos não procura, perdeu mas não fugiu, amou mas não morreu, caiu mas ergue-se dia após dia por um objectivo firme”
O que posso achar de alguém que conheci através de outros? Nos olhos, na forma e valores, de acções a quem pertenceste. Será que conhecemos alguém através de quem amam ou se é amado? Será que conhecemos alguém através dos seus Pais, Filhos, Amores, Amizades? Conheci-te por um amor em que acreditei, por uma amizade que quero para sempre, numa realidade que se tornou confusa, difusa para quem não sabe, não sente, mas certo é que a verdade existirá algures entre um amor e uma tristeza que te invade dia após dia e que um amor maior poderá curar, mas não esquecer, cicatriz que te torna hoje mais crente, mais lutadora, mais fria e quem sabe… consciente.

“Olha em teu redor…retira o véu que te esconde …não existe mais ninguém sem seres tu e eu…”
Perguntas porque penso assim? Interrogações que te permanecem na duvida do que possa ser, o que me move? o que me fascina? que demanda me preenche e oculta no brilho de uma luz ou ilumina a incerteza de uma sombra. O que me leva e permite viver num mundo paralelo ao nosso…ao meu, ao teu, tão frio e ausente, tão obscuro e mundano…
Se eu te dissesse no dia que nos conhecemos que no futuro restaríamos apenas tu e eu…o que pensarias?…é assim que eu vejo, observo e isolo acções, cogito, imagino e talvez seja óbvio e romântico, correcto, ilusório, quem sabe obscuro, distante e consciente de uma vida que desejo poética e fantasista, mas que em tudo implica e atrai erro, engano, aparência e realidade…

“Amar não é o mais correcto, perfeito e certo que se procura…mas é a imperfeição mais incerta em que caímos no doce erro de acreditar”

“Hoje não acreditas e fazes juras que jamais mostrarás o teu rosto e amarás alguém… Amanhã irás retirar o véu que te esconde e… uma vez mais, jurarás, que não existirá mais ninguém… apenas e só tu... e ele ”

Tuesday, July 03, 2012

Sonhadores

Prometi-te abraçar e caminhar junto a ti…
Promessas feitas em dias negros enquanto as nossas palavras se cruzavam e o olhar de amigos ou choro de irmãos esculpiam sentimentos de união e verdade...de amor e desilusão, sabedoria, incerteza… cumplicidade…
Prometi-te uma dança vestida de branco…
Promessas de uma valsa, tango, num dia de luz, num redopiar ou apenas num sorriso, num cruzar de mãos, ousadia, cerimonia ou celebração de uma nova vida… que anseio para mim… o que desejo e vejo em ti…amor!
Um caminho que se cruzou quando menos esperávamos no antro da ilusão, sedução da juventude, no olhar de jovens que ousavam sonhar e ser diferentes… algures onde outrora se podiam e deviam quebrar amarras…
Fomos… sonhadores… e hoje…olho nos teus olhos, para o teu sorriso e para quem amas e danças… 
… 
…danças e sonhas no meio de todos que em festa celebram um amor em brisas que baloiçam,
…danças e sonhas com os pés nus, alquimias de sensações num chão que te sustenta a paixão,
…danças e sonhas na certeza que amanhã serás ainda mais e maior do que escreveste em crepúsculos de papel,
…danças e sonhas junto a quem amas, num abraço, num suspiro, sabendo que a verdade de um genuíno amor, do vosso, não é o que se apenas vive num só dia mas sim o que nos conforta e nos faz acreditar e sonhar outro mais…
Prometi caminhar junto a ti em versos e beijos de um rosto em poema…
Prometi uma dança num só dia entrelaçado em constelação de sons…
Prometo …hoje… caminhar e dançar ao vosso lado…

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto: MABA
(Para a Cristiana e Ricardo…)

Friday, October 14, 2011

Amor Perfeito


Fotografia, Autor Desconhecido

Doce aroma de terra molhada…
Chuva e vento de um apanágio de incertezas…

Tristeza!
Ausência de amor que em cada espera aguarda silenciosamente os beijos nunca dados ou mordidos… em lábios esquecidos… metamorfoses de lágrimas que choro… e mendigo…

Sons dispersos!
Floresta que ganha vida…
Pássaros que cantam e esvoaçam, percorrendo os trilhos que as copas das arvores permitem… descobrindo os caminhos de encontro a um corpo…o meu!… Perturbam todos os meus sentidos e em especial a audição…vagabundos e incertos… agitam os sons que me envolvem e que se distinguem suavemente uns dos outros…

… o fogo que arde… do gelo que queima,
… o ar em brisa doce… do vento revolto,
… o sangue que nos domina…da terra que nos sufoca,
… a agua que nos envolve…da luz que nos cega…

Uma dor leve, um sorriso…as mãos seguras, presas bem alto direccionando o seu Norte, erguidas para um céu ou inferno, paraíso ou mortalha… longe em pensamento e perto da dor… de quem quer, de quem teve, de quem perde e de quem anseia…ter tanto e sofrer tão pouco…

Respiro… e espero…sinto…
As pontas dos dedos dos meus pés a tocarem levemente em água…
Oiço vozes!
Sinto agudos de sombras e sussurros da natureza…pouco vejo… neblina, doce bruma que tanto protege como agoniza…

Aproximou-se um vulto, beleza rara junto dos mortais…cabelo longo, castanho cor de brandura, olhos escondidos ao de leve pelas suas magras, brancas e delicadas mãos… com o seu corpo envolto em ar seco e cinzento…aproximou-se com vergonha e disse…
“…
Quando o negro da vida te chegar é sinal que o teu amor partiu… e quando a noite engolir o dia… e não mais o teu sonho encontrar para alem de um único rosto…saberás quem foi o amor da tua vida…
Eu… sou o ar que respiras, quem em criança iludiste e sonhaste, idealizaste. Fui heroína dos teus sonhos, fui inocência no teu rosto… fui e sou quem te tocou nos teus pequenos lábios e soprou conhecendo a tua alma…o teu primeiro beijo…a tua primeira dor…
Sou … fui… a tua musa perfeita, libertação do ventre da tua Mãe e o acordar da tua estranha forma de ser…
Provei-te como se deve, como eras e és…como deverias ser nessa paixão negra, um trovador de histórias, sincero e romântico…
Mostrei-te o tingir das cores do inverno, o sentir da brisa de primavera… apenas e só a importância do amor na sua vertente sofrida e ausente, platónica e ingénua…perfeita e incólume…
Ensinei-te e perdi-me nesse passado, ausência no presente, destino ou futuro…esse amor em cada espera que se fez e se transformou em silencio…perpetua irmandade de inquietude e perfeição de contemplar o amor…

A ira, fúria e cólera de um sentimento utópico fez-me fraquejar e matar-me nas tuas pobres mãos que derramaram em mim o teu inoculo sangue … ofereci-te o meu sopro, sagro virgem de um sofrimento de dor e mágoa… Fonte de tudo o que irás sentir perante a consciência amarga da presença fria da posse, em vez do que não puro ou ingénuo …

Abandonarás sempre aquela, que como eu, te fizer mais morte do que vida...nesse desejo de um devaneio completo de cumplicidade triste e alegre…

Sou Musa, ninfa do Ar e perfeição que te tocou ao de leve e que te roubou a pureza dos teus lábios…sou Perfeição Cúmplice da tua alma… que um dia…em tempo e espaço foi o teu Amor Perfeito…”


MABA