Monday, March 28, 2011
Saturday, March 26, 2011
Noite de um beijo
Imagino um beijo teu… conformidade e dever… paixão e sonho… chama, dor, desejo e amor…
…
Sinto esse beijo…o meu, em cada momento de infinita ternura, pureza e ingenuidade…infelizmente apenas um sonho, mas mesmo sonhado o meu beijo esta mais perto de ti de que outro.
Nesse anseio, os meus lábios fecham-se e tocam nos teus… sinto os meus olhos fecharem, não querendo!
A tristeza de fecha-los compensa?
Nem que seja por breves instantes, um olhar que sempre te procura, que te quer encontrar, que não te quer perder… desviar os meus olhos dos teus, o olhar que te deseja, que te admira, que te anseia e ama…compensa? …
Fecho-os e quero fecha-los por esse sabor único… que da ausência da luz de um olhar permite… um paladar único enfeitiçado pela sua escuridão, do epílogo dos mesmos, de um pensamento que esvoaça no mais intimo de ambos, concebendo uma beleza maior, o nosso deleite pleno, o nosso ser único que jubila o sabor de um amor perfeito na sensibilidade de lábios que se amam, na carícia extrema de sentir quem nos faz sonhar e acreditar, sonhar por acontecer…
…
O meu beijo esta mais perto de ti porque te amo… nascendo na tua boca a ausência do meu olhar… e na solidão! canto os teus olhos perdidos do meu rosto, e se te encontrar, possuir… cantarei o teu corpo querendo a tua boca aberta na minha, olhos fechados e encetados num amor como se nunca tivéssemos tido ou amado alguém…saudade.
…
Mas…
Tu estás em mim mas ausente de mim, os teus lábios tocam e os teus olhos fecham para alguém que não eu…
…a minha magoa da não pertença,
…a tristeza de não seres minha,
…a esperança de que seja o meu olhar que contemplas e sonhas, quando os teus olhos se fecham e os lábios que te tocam por dever e a quem pertences… mas não de quem és…
…
Noite… eterna noite que chega, que se sucumbe e que te traz no silêncio, que nos esconde e onde nos podemos pertencer…
Sei…apenas dos teus gestos, na procura do teu corpo para além dos meus dedos, que te trago nas minhas mãos distantes do teu peito, que te olho e contemplo no adormecer, que saboreio lábios e boca tão dentro de mim… tão ausente de mim…
…e eu estou tão perto de ti…ávido da esperança que morre no beijo dos teus lábios e que renasce no teu íntimo e secreto olhar… à noite ao luar… pensando somente em ti, em mais de que não em ti, em segredo, numa noite de um beijo teu.
Sunday, March 13, 2011
Ama-me!
Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…
…
Toquei novamente no seu corpo perfeito, mas tristemente vazio, os dedos percorreram a sua pele de uma forma suave…
O desentrelaçar de um nó que lhe protegia a zona mais íntima e inacessível…
Pano de seda retirado e posto de lado sem ansiedade, colocado ao de leve junto à vela que lhe mostra o rosto e que lhe esconde o peito de uma intermitente sombra…
…
Beijo-a, suavemente…na busca de um odor que me pertence, esse suave cheiro de branca ingenuidade…
Beijo-a, docemente…na procura do seio que aposso com a saliva que me escorre por uma boca insaciável…
Beijo-a, ingenuamente…no seu sonho meu…nesse patamar tangível de suor e desejo, volúpia e pecado…
…
Sorriu, ofegante… mordendo o seu lábio inferior por prazer, juntando o seu dedo indicador a um beijo que procurava, como apontando o caminho de destino…
Sorriu, no oscilar ondeante das ancas que me procuraram, apertaram e obrigaram os nossos corpos a se unirem num só…
Sorriu, enganando-me na dor e prazer de um momento, agarrando com violência a minha pele, corpo, que impunha um ritmo brando, exigindo um aperto maior, profundo e veloz…
…
Violência…
Contida na forma selvagem, como se agarrou aos lençóis e me puxava para o mais fundo de si…
Crime…
Nos momentos só nossos, reproduzindo os mais criminosos, libertinos e devassos do mais perverso mundo…
Sofrimento…
Que procuramos um no outro, lágrimas de prazer, golpes em ambos os corpos, entre unhas e dentes em vontades extremas de atingir limites onde o sangue de dois se derramam e unem, suor e saliva se juntam e se confundem…
Dor…
Surda e sequiosa, insaciável que nos perde nas horas, que nos subtrai os líquidos da alma e alimenta a pele em contracções que dissociamos, espasmos avulsos que nos junta, convulsões que incessantemente deixamos cair…
…
Sonha-me!
Agora onde a noite chega e tudo pode ser nosso…
Deseja-me! Morde-me e Beija-me!
É no sonho que descobrimos o nosso eu e o nosso amor…
Vive-me!
Onde tudo é possível e nada nos julga e condena…
Mata-me e Morre!
Da vida mundana e banal…para vivermos onde a minha é a tua dor, o meu é o teu amor, onde partilhamos o nosso corpo… sangue e suor… e voltamos a sentir um beijo, o sabor de uma pele ou a vida num olhar…
…
Vem! Mata-me e Morre!…Hoje e Agora!
Vive-me e Sonha-me!…Amanhã!
e Ama-me!…Depois!
Wednesday, March 09, 2011
Sonha-me!
Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…
…
Todas as noites sonhava-te sem saber quem tu eras…
Todas as noites percorria vagabundo esquinas e destinos de sonhos imperfeitos por não te encontrar…
…
Noites de sofrimento…
Por dores não minhas mas abraçadas com prazer…
Onde cruzes de doenças se depositam em supostos amores…
Vidas imerecidas tristemente anunciadas…
Onde traços viris vivem em olhos de dor, atroz certeza…
…
Noites de angústia suspensas no meu sonho nocturno, triste e lascivo…
Onde numa delas descobri esse doce delito…
Feiticeira aguardando pela sua morte prematura, fogueira de entrega…
Onde a vida se converte em inquisição de um desejo ávido de idear inocência…
…
Aprisionada, deitada à mercê do seu próprio destino, espalha o seu corpo numa cama ocupada… mas vazia…
…
Vejo…
Jazigo de uma esperança, útero de um sonho sonhado e desejado…
…
Chego…
Pela brisa de um luar que entrava pelos vidros inquebráveis de uma janela…
Pelo percurso e desfolhar entre livros e pó de uma estante esquecida no tempo…
Na incerteza da chama de uma vela, cujas sombras lhe atemorizam o rosto…
No esvoaçar e conforto das cortinas que a escondem, paredes que se desencontram da firmeza do chão que pisa…
Na confirmação de medos, retalhos sem rumo de roupas despedaçadas e sem lugar, estendidas ao abandono…
…
Chego e toco-a no corpo… amedrontando-a…
…
Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…
…
Dormia docemente e eu! … Desfolhado de qualquer preconceito, privado de qualquer tipo de roupa, nudez, dispo-me de todos os rituais de pudor, timidez e medo.
Numa combinação volátil de silêncio perverso e paixão amena, senti o seu cheiro …sorri e num sorriso ausente sussurrei…
…
Quando a escuridão chegar e de deitares de uma vida, viveras outra…
Onde tudo é possível, onde o desejo é destino e a felicidade retorno…
E nesse momento, quando puderes morrer e abrir os olhos…
…então…
Sonha-me!
Beija-me!
Vive-me! Mata-me e Morre!


