Wednesday, January 05, 2011

Ecos


Fotografia, Autor Desconhecido

Existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e destinos…
Onde e quando tudo se desmorona, se destrói e é esquecido…
Instante fugaz mas eterno em que nos sentimos sozinhos, sem rumo, sem destino…
Não precisamos nem queremos ouvir o Mundo, nem ninguém…
Dia, sinal, dever, certeza da responsabilidade de parar, descansar, olhar em redor, sentarmo-nos e retirar do nosso peito a carta que escrevemos ao longo da vida… a nós próprios…
Onde os sonhos não são esquecidos, onde a verdade não é escondida, onde as nossas ruas de deleite paixão não escondem o nome de quem eternamente chamaremos… Amor…
Essa carta escrita com as lágrimas, sangue e odor do tempo… o que a vida nos ensinou, ensina…diferenças, erros, virtudes, certezas e verdades…

A subtil diferença entre segurar uma mão e encadear uma alma…
Em que o amor não significa serventia mas sim respeito, honra, dignidade, admiração e entrega…
Em que o respeito e companhia nem sempre significam felicidade e segurança…por vezes solidão…
Em que a felicidade não é sempre ter o que queremos, mas sim ter da forma como sonhamos…
Em que sonhar e concretizar um sonho não é impossível, como aprendemos que os beijos não são contratos e presentes não são promessas…

Aprendemos a aceitar as nossas derrotas com a frieza e graça de um adulto… escondendo melhor a todos a tristeza da criança em nós…
Aprendemos que podemos construir hoje todas as estradas, destinos, casas, protecções, pontes, expectativas e muralhas, defesas… mas o terreno que as sustem não deixa de ser incerto amanhã… e tudo o que não viver da convicção tem o hábito de cair…
Aprendemos que o sol tudo queima quando se exposto por muito tempo…
Aprendemos a aceitar que não importa o quanto amamos, sofremos e gritamos…se para quem o fazemos não ama, não sofre e não ouve no mesmo tom…

Aceitamos que não importa quanto boa pessoa é, ou somos… vamos sofrer e fazer sofrer, feridas serão abertas, cicatrizes, por quem e a quem amamos… podemos e devemos perdoar… apenas se alguém o merecer…
Aceitamos que podemos sorrir e chorar, brincar e gritar, fazer e sonhar…
Aceitamos que a confiança leva anos para se construir e apenas segundos para se destruir…
Aceitamos viver com o poder da verdade e a lógica de mentir por amor…

Compreendemos que o maior acto de amor é o altruísmo…é a felicidade, vida de quem amamos, mesmo que implique a nossa morte…
Compreendemos que a vida são instantes e temos o poder de fazer magia memorável e indescritível, como de igual forma capaz de actos que nos arrependemos perpetuamente…
Compreendemos que a verdadeira amizade ou amor pode não morrer mesmo com longas distâncias a percorrer, embora a ausência tenha a ousadia e permissão de esconder e esquecer essa tristeza…

E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem se escolheu para a partilhar.
E o que importa não é ter alguém para a partilhar, mas quem nos acompanha, compreende e tem competência nessa evolução e partilha.
E o que importa são os bons amigos, família que nos foi permitido escolher.
E o que importa é a família que não nos julga, no momento que mais necessitamos que não o façam.

Descobrimos que amigos há… que só o são se forem mais felizes do que nós.
Descobrimos que família são aqueles… de nosso sangue ou amor partilhado que nos ama quando menos merecemos.
Descobrimos que as pessoas que mais nos amam são nos tiradas de forma repentina e inesperada, então, devemos sempre deixar palavras de calor, no desespero frio de ser a última vez que vamos vê-los ou ouvi-los.

Somos responsáveis por nós mesmos, conhecedores do poder do bem e do mal que podemos exercer.
Somos responsáveis por erros e virtudes, conhecedores da relatividade de pormenores e do meio ambiente que nos influencia e a todos em nosso redor.
Somos responsáveis por decisões únicas, conhecedores que o obvio nem sempre é o correcto e a comparação com outros nem sempre é eficaz.
Somos responsáveis pelas nossas escolhas e comparações, conhecedores da balança da justiça, decisões entre o melhor e honroso, mundano e banal.

Demora algum tempo a descoberta que nos permite tornar a pessoa que queremos ser e que esse tempo é demasiado curto.
Demora algum tempo o conhecimento que nos permite saber que o que importa não é onde estamos, mas onde queremos chegar.
Demora algum tempo que o desconhecimento de um destino só nos irá trazer a descoberta tardia desse lugar e de acções predestinadas.

Sabemos que controlamos palavras, acções e significados e que elas próprias nos vão querer controlar.
Sabemos que ser submisso não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quanto delicada e frágil seja a situação, existirão sempre dois lados.
Sabemos que ser frágil é amar alguém e forte é amar não outro mas apenas nós próprios.
Sabemos que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário, enfrentando todas as consequências.
Sabemos que a paciência requer experiência e a espera não é prova de fracasso, mas sim de ousadia de um significado.
Sabemos que a perfeição não existe… mas inconscientemente procuramo-la incessantemente.

Perguntamos se a nossa vida é hoje, agora… e a única que temos.
Perguntamos se na nossa vida, hoje, agora… somos o que queremos.
Perguntamos se na vida não existe perfeição… e existe… em pedaços, faíscas e fulgores, a nossa própria; onde essa definição se consegue por vezes aproximar.
Perguntamos o que nos oferece sabedoria… não são anos, são experiencias, erros e certezas, locais de aprendizagem.

Concluímos que não somos ninguém para destruir sonhos e moralizar acções.
Concluímos que sábios não são os que acertam… são os que se corrigem.
Concluímos que temos o direito de gritar por raiva e dor, não o temos de ser frios e cruéis.
Concluímos que uma pessoa pode nos amar e não conseguir demonstrar, como alguém saber dize-lo e não conseguir provar.

Sei…que existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e destinos…
Sei…em que momento o vento te beija o rosto, o dia em que a folhagem abraça o teu corpo, o sonho e lugar onde a luz e sombra ajeitam-te os cabelos e escondem o teu olhar…

Sei…esse destino sem saber o tempo…
…onde as nossas vidas se unem por momentos,
…onde os sonhos permanecem na memória,
…onde os amores vagueiam para sempre…

Sei…
Que tudo são ecos de Amor…

…e que ecoam para a eternidade…

MABA

Saturday, January 01, 2011

Hoje...2011


Bebo hoje um cálice… à rendição de um amor
Celebração do mais belo… que se pode saborear
Bebo hoje o sangue… que de lágrima se fez dor
Verdade de quem esperou… cego por te amar

Na ilusão de voltar a ser feliz hoje celebro…
…na incerteza a esperança,
…na verdade a loucura.

Confissões de palavras e a vontade de as juntar…
…escrita de uma historia que jamais termine,
…escrita descoberta pela fresta de um olhar.

Amor…
Não é uma simples gota na mão…é chuva que escorre no rosto
Não é belo e elementar…é loucura memorável e inesperada
Não é caminho escorreito e definido…é destino improvável e incerto
Não é procura atormentada…é sentimento, instinto e espera inabalável
Não é presença de honestidade pura… é honra de uma paixão singular
Não é efémero e na esperança de um dia…é utopia de um sonho realizado hoje

Bebo então esse cálice… de lágrimas e sorrisos de amor
Celebração do mais doce… que se pode pedir e anunciar
Bebo então esse vinho… que de agua inerte se fez cor
Verdade de quem olha… e não sabe hoje o que desejar

Apenas que todos os sonhos de quem Amo se concretizem no Novo Ano de 2011