Wednesday, December 22, 2010

Último sorriso


Fotografia, Autor Desconhecido

Nunca te disse que não vivia sem ti… que não morreria num sorriso de sangue perfeito no teu rosto…ou sorriria no leito da minha morte com uma lágrima a beber-me nos lábios…

Nunca te disse se conseguiria viver ou não sem ti…Apenas que era capaz de sangrar ou sorrir pelo teu amor, mais do que pelo meu…

Nunca te disse mas pensei como seria tão difícil eu viver sem ti…como não sabia como seria tão fácil tu viveres sem mim…


Nunca te disse nem te soube dizer como te amo e recordo…numa memoria eterna, numa linha de um horizonte de lembranças, o fio de uma vida, a minha feita tua…de uma paixão perfeita, de um amor único…de um anjo negro banhado por uma unica luz que o sabia iluminar e retirar o sujo, a escuridão dos seus ombros…

Hoje sozinho… sei que vivi e talvez viva algures na minha rua sem um nome e morrerei no meu efémero teatro dos sonhos, magia e ilusão…

O resto…? O resto ficará algures…perdido numa linha sem jeito… como um cheiro, uma musica, um filme, um sonho… para sempre guardado…tatuado em mim num último sorriso…naquele olhar no teu último beijo…

MABA


Friday, October 15, 2010

I- Dias Vazios


Fotografia, Autor Desconhecido

Dias Impuros…
Dias Confusos…
Dias Libertinos, Obscuros…

Hoje…
Um deles… olho ao espelho, sem saber o que vestir…
Pele húmida… gotas de um banho tomado em contornos de vapores de espera….
Água quente em labaredas de suor e lágrimas…
Ar frio em arrepios de fraquezas, exultações e melancolias…

Cansaço …
Refém de meses envolto em vazios dispersos…
Que perduram e que mendigam por memorias e certezas esquecidas, amor perdido…
E que aquecem na proximidade e anseio de um toque alheio e único no corpo…

Brandura …
Cilada de um único dia que implora por um repouso da mais doce recordação…
Que a encaminha nas ondas dos seus salpicos mais limpos, puros, gotas perfeitas e eloquentemente sãs…
E que perfuma embrulhado em espuma …dissipando-a onde é esquecida em exaltação…

Dias…
Impuros…Preciso adoçar o amor para não recordar o que quero esquecer…
Confusos…Preciso salgar a volúpia para não relembrar o que não quero viver…

Tempo…
Dias Impuros…
Dias Confusos…
Dias Libertinos, Obscuros…

Lembrei-me do que tento esquecer…
Lembrei-me do que tento recordar…

De Dias Vazios …


Hora…
Da sua chegada.
Contornou-me com um sorriso.
Não fixou o olhar.
Não se aproximou.
Calças justas, negras, contornando um corpo esculpido no tempo, com cuidado, saudável vida de quem a olhou sempre com rigor e ponderação, imagem e saber.
Blusa branca, solta, quatro botões a unir dois lados de um tecido que lhe envolve e cobre a nudez. O primeiro botão, servindo de aconchego ao seu soutien, limitava a junção entre os diferentes tecidos e a linha de união dos seus seios, porto de abrigo ao fio de prata que outrora lhe presenteara e que suportava a esfera em forma armilar, símbolo temporal da minha paixão.

Sentou-se cuidadosamente a um canto do sofá.
Optou pelo caminho mais longo possibilitando pela sua escolha passar junto de mim, soltando o seu novo perfume, que desconhecia. Não era o meu, esse que ofereci, expoente do meu desejo. Essa Luz Azul, da qual me recordava com saudade, era outro! O seu odor natural predominava, relembrando a sede que me mantinha ávido de um gole, trago, beijo, mas a essência de um novo perfume perturbava a origem e a mudança para um outro.

Olhava em silêncio e em redor como se quisesse relembrar de um espaço, que já fora seu, ou descobrir uma única diferença desde a sua ausência.
Convergiu na minha direcção, os olhos cruzaram os meus interruptamente, sorriu para mim não com os lábios mas com o olhar.
Deitou-se no seu antigo canto, sofá branco onde tantas vezes soluçou de prazer e gemeu por amor. Com os dedos do seu pé direito retirou delicadamente o sapato cinzento do seu oposto, repetiu o gesto inverso e perguntou-me se podia se deitar, já aninhada na depressão que era sua e que originou… por tantas vezes repetir o mesmo gesto.

Retorquiu que tinha frio e se eu não poderia fazer algo para cessar tal desconforto.
Semi-encerrei os meus olhos, rasguei o sorriso e lembrei-me da dor e mágoa daqueles eternos dias vazios que me tinha imposto.


Dias lascivos, amargos, libertinos e únicos de um excesso Imundo…
Devassados na doce podridão à perfeição de um comum Odor…
Dias despidos de ternura, vazios e isolados de um pequeno Mundo …
Obscuros, confusos na fuga e incerteza de um sincero Amor…

Foram esses dias de lembrança que me subjugaram, amei, recordei e tentei desprezar… dias que de perfeitos no poder e domínio se sucumbem na fragilidade da falta…tornando-os… em Dias Vazios …

MABA

Tuesday, July 06, 2010

Triste Cegueira


Fotografia, Autor Desconhecido

“Olha para mim meu Amor! …”

Foi o que tantas vezes lhe escrevi, gritei, sussurrei, pedi e implorei. Mas não quis olhar para mim…nunca quis…e na ausência do seu olhar… cegou o meu…

Tantas saudades sinto daquele beijo, mordidela e grito, sussurro, sorriso e deleite do meu Amor…que me iludiu na pobre tristeza do que mais venero… amar e ser amado no pormenor da unicidade de um poema…na luxúria da união de dois corpos… distantes da profundeza da vulgaridade … perto do céu e inferno da loucura, perfeição… como compromisso voraz de vida…

Um amor que me fez acreditar numa jura de um passado que não desejava…o seu e o meu. O não a uma riqueza pela dolosa cor do ouro, falsidade enganosa de um beijo ou gesto por imoral conveniência…e que nos faz sangrar de dor. Um sim a uma luxúria de afecto pintada de cores do mais profundo mar azul, simples poema de verdade, suspiro de proveito…e que nos faz chorar na vivencia de um doce e singelo fervor em Nós …

Na cegueira dos meus olhos presenteei o meu corpo numa oferenda única jamais dada a uma mulher… que visitou os cantos dos meus sonhos, desejos e confissões…
Soube. Teve. Sentiu o que apenas deveríamos desejar na vida…mas não…! Mentiu! …e não é como eu … Não amava… não desejava sonhar… não ansiava em escrever esse diário de uma vida …paixão eterna. Necessitava unicamente de algo ou alguém que a ajudasse… não a escrever um futuro de amor-perfeito mas sim! A corrigir um passado de valores errados e cruéis…

Na cegueira dos meus olhos viajei na volúpia do seu corpo, tatuagem num anseio sem pudor, muito para além dos olhares do desejo…para mim…amor…
Os momentos doíam-me de prazer ainda inacabado, regeneravam-se no singular beber do seu fôlego, no inebriante cheiro dos nossos sexos, sôfregos e insaciáveis…para mim…amor…
Horas escassas que desejava eternizar ao sentir o meu sangue quente crispado nas suas unhas cravadas na minha pele … na minha boca? … O seu mamilo mordido fluía numa sofreguidão avermelhada sem vergonha, sem defesas, apenas brandas e suaves …melosas apenas para mim…amor…
Num apetite ávido, descobriu em mim esses lugares, destinos, caminhos, segredos de uma forma doce e delicada onde as curvas dos corpos se colavam às mãos… encaminhadas num desassossegado de caminhos cruzados, encruzilhadas de dor e prazer onde a saliva de um beijo, o odor dos nossos perfumes, rios de suores e sangue, leite do corpo e vida se reuniam no destino que era meu…ou deveria ser meu…num sublime encontro que venerava…e que para mim era tudo…era amor…

Na cegueira dos meus olhos procurei reinventar essa forma de sofrer, de sentir e de olhar…fugindo dessa união comum…riqueza que nos corrompe e que nos desvirtua o encanto de nos unir para celebrar o nosso filho por devoção…do que somente sua criança por dever…

A cegueira dos meus olhos esfaqueados nessa procura de insana volúpia, deliciosa paixão e firmeza na procura de verdade…obrigou-me a sossegar a luxúria que me rasgara a carne, a amizade e ajuda que me consumira o espírito e violara a virgindade do meu bem-querer. Amálgama incapaz de discernir se era ou se viríamos a ser…sem nunca ela querer saber o que poderíamos ter sido…se fossemos…como disse um dia… e mentiu!…iguais…

Na cegueira dos meus olhos, nas horas em que o olhar mais escurece, morri sozinho, no engano de um desejo que não meu, que não eu… para mim amor…para si carência…

De mim…? Amanhã, se já não hoje…a triste certeza que nada vai recordar… talvez apenas os sorrisos que me tirou…

De si…? Uma mágoa desejada, intensa, húmida de fantasia, perpetuada no tempo… o meu amor perdido, as minhas certezas desfeitas e sonhos inacabados…
…na mentira… o desgosto;
…nas constantes e incessantes perguntas para nos salvar,sem nunca alcançar resposta… a tristeza;
…no intimo de um silêncio sufocante de rendição… enlouqueço…

“Amor…! Se nunca quiseste olhar para mim…porque me quiseste cegar? …”
“Amor…! Se não me querias perder…porque fizeste tudo para eu desistir? …”
“Amor…! Se nunca me amaste, porque me deixaste amar-te demais…?”

MABA

Tuesday, June 22, 2010

Olha para mim...


Fotografia, Autor Desconhecido

Queres saber como vejo o Mundo…
Queres um pedaço de mim…
Queres saber como me sinto, como vejo e como oiço…
Queres saber como Amo…
Queres…?

Olha para o Mundo onde vives, observa como o Mundo olha para ti… Murmúrios de imperfeições, apoteoses, tristezas, raivas e medos, palavras de paixões, lamentos de afecto que eu transformo em mim num todo e que destruo em mil e um momentos presentes e dedicados ao meu perfeito amor…

Olha para o Mundo e sente o esvoaçar do que ouves…essas melodias que nos fazem pensar… e acreditar…gotas de lágrimas que caiem em chão escuro… estrelas que explodem em céus luzidios…
Olha para o paraíso que brilha debaixo dos céus de Dezembro, onde o Fogo que me distingue, sobrevive aos odores de Inverno…

Olha e vê porque tento fugir ao Mundo, refugiar-me em leitos de prazer, de solidão, amor, compaixão… e tento descobrir…
…que Terra é esta que me suporta?
… rodeada pelo ar que me move e levita…
… completa pela água que me rejuvenesce…
… inacabada pelo fogo que me queima e me invade…

Olha para mim e sente… porque me abraço silenciosamente num doce e singelo Inferno…
Olha e sofre o desejo, o desafio de ser impune a mim mesmo, à minha visão de quem vejo e quero ver, sentir e quero sentir… toque, do meu mais profundo profano ser….

Falo de alguém…
Das velas que acendo em escuros pesadelos… das formas sem rumo que as tentam desvanecer…
Das chamas que gritam e imploram por ar… que criam vontades próprias de sobreviver…
Da cera quente que derrete e que queima por doce agrado… num corpo com tantas formas diferentes de secar, compreender e contemplar…
Do pavio que me consome com fome de medo… que me enrola e mordaça na dor e sofrimento, na luxúria e rendição…

Falo de alguém…
Que me abra os olhos a essa luz e que não negue a cera quente que me é destinada…
Que me toque, seja pavio, me sinta e enlace … ate e tricote nesse inicio de um fino fio de papel e que me conclua num simples prefácio de um livro majestoso…

Falo de alguém…
Que não eu….que queira e me saiba ler, desfolhar, viver, queimar… que me torne vela que lhe deu luz, chama que me derreta ao sabor do vento, cera empírica moldada à minha pele…

Falo de alguém…
Que me arda o passado que teimo em reviver, faça esquecer as sensações de fraqueza que no presente se propagam e que me provoque num futuro …ao vento… o meu sublime desenlace…

Falo de alguém…
Que como eu viaje em razões de coragem, amizade e preciosidade…
Que se perca em rostos que vagueiam nas ruas desconhecidas e sem nome…
Que procure sorrisos, olhares tristes, lágrimas sem cor, velas e cheiros…
Que se desnude de vestidos brancos, transparentes, de livros sem palavras e queimados…
Que se deslumbre por paisagens inesquecíveis, melodias suaves em odores únicos e uníssonos…

Falo de alguém…
Que olhe para mim e se deleite na presença imortalizada do papel que é pele onde se escreve e vigora as páginas de cera, tinta que incessantemente nos funde, apenas e somente, na escrita que nos completa e nos guia… por entre esses Mundos imperfeitos que outros vêem, à perfeição que escrevemos nos nossos corpos e sentimos o que outros não sentem…a ignorância do nosso perfeito Mundo…a arte de tão bem saber amar…

Quero saber como vês o Mundo…
Quero um pedaço de ti…
Quero saber como te sentes, como vês e como ouves…
Quero saber como Amas…
Quero…que olhes para mim…


MABA

Tuesday, March 02, 2010

Doce Litost


Fotografia, Autor Desconhecido

Ilusões de beijos secos, olhos retorcidos e entremeados de medo, linha mortal que brinca com a vida à espera que se encontre com a do horizonte…

Leva de mim uma vez mais aquilo que procuras…o que procuras que não amor, não eu… apenas de mim…

São ecos de uma presença ausente que me percorre o braço e o acolhe, resguarda e salienta nas veias o sangue que lhe corre e me domina…
São promessas que o agarram, são alucinações que o abraçam….

Nos dedos a agulha que em segredo se junta ao sangue, passos percorridos que misturam o pó de um amor que se tenta atingir … a minha heroína de devaneios e cegueiras …
Nos beijos o ardor de mulher e amante que me sussurra e promete esperança, que me deixa o suor num charco junto a mim… num reflexo sem nexo…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar…e sofrer…

Litost tão doce que me promete um retorno ao seu ventre lar, miséria que me chama, sucumbe, transtorna e desejo… mas que não me pertence…
No corpo o nome que escreve e se diz meu… que não possuo, não conheço e não ama…

Devolve-me o sorriso que perdi, que fizeste teu com um olhar rasgado… Traz-me de volta as lágrimas arrancadas no antro de uma dor de paixão que não sinto…
Devolve o menino que se consumiu no meio do teu corpo na procura da ingenuidade perdida e prometida, que se desnudou e bebeu da tua boca a jura que no teu sabor se encontrava, que se escondeu dentro da tua pele semeada por ti por uma nova vida amada e sofrida…

Heroína de corpo, amor e prazer, princesa de ilusões, droga que me regula a dor, me traz sono e magia, que me aquece e conforta, que me cega em surdina…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar… e viver…

Bebe, mastiga esse leve e fugaz trago da natureza… e leva tudo de mim… mais uma vez…Sem pena, sem mágoa, sem tristeza e sem uma única lágrima…

Vive meu amor, nos meus apólogos e demência, na dependência que te tenho à minha cura…que eu hoje… vou-me cobrir dos silêncios que me deste e roubar a ti um pedaço da solidão que possuis… fechar os olhos, injectar a tua doce paixão em mim e morrer a teus pés!

MABA