Tuesday, June 16, 2009

Fogo Que Nos Une


Fotografia, Autor Desconhecido

Poderei não conseguir sonhar com nenhuma razão para voltar a Amar, mas consigo pensar em muitas para não voltar a tentar…

Existirá um dia em que serás tudo o que sempre sonhei…
…chamarás a ti a tristeza enamorada envolta num grito…
…evocarás a ti a leveza de uma alegre luxúria…
…escolherás esse desejo embriagado em suave deleite…
…elegerás o aplauso da nossa errante descoberta…

…Existirá um dia em que serei tudo o que sempre desejaste…razão para poder viver e sonhar…

…Chegarei somente quando o tempo ordenar que me perca nesse mundo perfeito que te pertence…
…Partirei logo após a conquista da tua pele e da sua terna simplicidade, nudez que a envolve…

Tempo…É tempo…
Chegou o meu…o teu…o nosso…
…Vem…
…Até mim e sente…
…Vem…
…Sentir o fogo que nos une e envolve, nos gela e derrete…

Percorrer com os teus cabelos o meu corpo, conhece-lo de cor com os teus lábios…
Escrever as letras da paixão que nos une, beijar as pontas dos dedos que te pintam sorrisos no peito…
Decorar o timbre frágil da tua voz quando te toco e aperto, quando te beijo e profano…
Saciar a dor pelo prazer, inventar sorrisos, crivar garras, abraços e amarras, almejar a lua e as estrelas, beijos doces que nunca me deste…
Sussurrar segredos em voz alta, mordiscar o pescoço de quem te ama, guardar na palma da mão os dedos que te arranham, apoderam, algemam e te abraçam…

Deixo-te nos lençóis o meu cheiro, nos lábios a lembrança… em ti? …deixo-me… preso à luz que se esquece num quarto escuro, a sombra que espreita por baixo da porta e nos chama…
Vem…
…Quero só mais um beijo, mas não te quero acordar, deixo-te em ti, o que sou, o que possuo…vida…
Vem…
…A Morte acudirá sofrida e contente no primeiro trago do néctar da nossa existência…esse…soprado incessantemente no sangue que nos corre e na alma que nos cega…
Vem…
…Sentir o fogo que nos queima e inflama…une e envolve, nos gela e derrete…
Vem…

Podemos não conseguir sonhar com nenhuma razão para voltar a Amar, mas conseguimos pensar em apenas uma para voltar a acreditar…

MABA

Monday, April 06, 2009

Sete Pec(a)dos (mor)tais


Fotografia, Tuy Tuy

Sou! Folha branca, rasto gélido perdido na Solidão…
No meio de todo o meu pobre silêncio Doentio…
Sou e Serei sempre! Um Simples e triste Não…
Ou talvez por vezes! Um Alegre sim Sombrio…

Sou! Palavra que nunca proferi e na escrita Matei…
Sopro de paixão! Gotas de alma vindas de um Olhar…
Sou quem bebeu essa tua lágrima! Fi-la minha e Chorei…
Sufoquei os gritos, teus! Tornando-os meus sem os Perdoar…

Sou Carta escrita que nunca e jamais será lida…
Que quer em Ti o fruto do Pecado e da eternidade…
Sou quem quer o Teu Peito, Olhar! Alma escondida…
Ser Dono abençoado da Tua incólume ingenuidade…

Sou! Sombra que te encobre em Névoa Luz…
Olhar esquecido que em Ti quero Achar…
Sou! Pulsar de sangue que derrama na Cruz…
Vontade de te Ter onde o Céu cruza o Mar…

Sou! Chama Altiva que Não Queima! Mas sim Aquece…
Calor e Luz! Que somente alumia e deseja Proteger…
Sou! Quem Não Parte! Chega e não se Esquece…
Barco Errante! Que no Teu Corpo anseia Permanecer…

Sou! Chuva que o teu choro esconde…
Destino que se cruza com o teu Caminho…
Sou! Quem escuta as magoas de bem longe…
Voz triste do Teu chorar baixinho…

Sou! Correntes de aço ou cordas de linho…
Que te Amarram ou protegem do meu amor…
Sou! Força ou Resguardo de um gesto carinho…
Pele Tua que me aceita e te prende à minha dor…

Sou enfim! Desejo Cúmplice, Paixão de uma Saudade!
Amor extremo de um Livro que se anseia Ler…
Sou! Amizade, Respeito! Forte e Terna Caridade!
Sete e Não Um! Pecados! De um Amor que jamais irá Morrer…

MABA

Sunday, March 08, 2009

Morpheu


Fotografia, Autor Desconhecido

Deuses…”Dizem que os Deuses, entediados, resolveram inventar a humanidade para se divertirem…Mas, mesmo assim, continuavam aborrecidos; então inventaram o amor…e o tédio acabou. Resolveram experimentar eles mesmo o amor… viram como ele pode ferir e logo inventaram o riso para suportar… a dor…”

Orpheu, filho da poesia, da luz e do sol, da verdade e da profecia cresceu entre musas e deuses…aprendeu, viveu por entre a magia das ruas do paraíso e da maldição, cantos suaves onde as ruas perdem todos os seus nomes e as lágrimas são lavadas entre o respirar dos mares e o sorriso das árvores… conheceu a sua amada, menino ainda… e de mãos cruzadas correram entre campos de flores onde estas desabrochavam à sua passagem.
O destino não perdoou Orpheu, caindo a seus pés o cruel desígnio dos Deuses…essa dor de um amor que o riso que não tem, não o consegue fazer esquecer…memorias que o fez renunciar à sua forma de abençoar a vida e por fim a não aclamação de tal amor morreu de joelhos por sua eterna paixão…

Orpheu, filho da sombra, do sonho e bastardo da lua… encantou o Deus que mais adora e idolatra a utopia e o desejo de somente amar; o mesmo que assume qualquer forma humana e apossa qualquer feito de outros para viver, por eles, através dos seus sonhos…no amor dos meros mortais…

Morpheu!!, falo-lhes do Deus Filho do Sono e da Magia, que estando presente no dia da morte de Orpheu bebeu-lhe do seu leito… o seu sopro… e ele…Hoje! Vive! Onde as suas Ruas Não Têm Nome, onde o sonho do Amor das Ruas de Orpheu, são hoje inebriadas pela vontade de sonhar das Ruas de Morpheu…


MABA