Thursday, December 16, 2004

Onde As Ruas Não Têm Nome


Fotografia, Autor desconhecido

Escuto, oiço a chuva, sinto-a perto, demasiado perto.
O tempo rasga-me o peito, trespassa-me a alma em mil pedaços.
O som seco de cada gota, uma após outra.
Os retalhos do meu olhar, são levados por um vento sombrio.
Olho em redor, nada conheço, ando à deriva no meu próprio silêncio.
A minha sombra na parede, foge-me, atraiçoa-me.
De soslaio olho para trás, não sei onde estou, em que rua, em que canto de mundo perdido.
No chão o meu rosto é invadido por uma luz escura, a sombra de uma rua qualquer

Caminho passo após passo num único silêncio, um som único de solidão, a minha mente engana-me não sei por onde caminho, sei que o faço sozinho, numa rua deserta, sem fim.
A chuva apodera-se do vento, sigo em frente, começo a correr, sem olhar para trás a fugir de algo, de alguém ou mesmo de mim.
Sem força, coragem, sinto-me a cair lentamente.
Não consigo continuar, com olhar cansado, choro, e em cada lágrima, sentimento perdido, sinto-me sozinho.
Sem rumo, onde estou não importa, estou algures a chorar, num lugar distante onde ninguém me vê mas onde sentem as minhas lágrimas que o vento levou, gota após gota, daqui, de uma rua qualquer, de uma rua sem nome…

MABA