Fotografia, Autor Desconhecido
Doce aroma de terra molhada…
Chuva e vento de um apanágio de incertezas……
Tristeza!
Ausência de amor que em cada espera aguarda silenciosamente os beijos nunca dados ou mordidos… em lábios esquecidos… metamorfoses de lágrimas que choro… e mendigo…
…
Sons dispersos!
Floresta que ganha vida…
Pássaros que cantam e esvoaçam, percorrendo os trilhos que as copas das arvores permitem… descobrindo os caminhos de encontro a um corpo…o meu!… Perturbam todos os meus sentidos e em especial a audição…vagabundos e incertos… agitam os sons que me envolvem e que se distinguem suavemente uns dos outros……
…
… o fogo que arde… do gelo que queima,
… o ar em brisa doce… do vento revolto,
… o sangue que nos domina…da terra que nos sufoca,
… a agua que nos envolve…da luz que nos cega…
…
Uma dor leve, um sorriso…as mãos seguras, presas bem alto direccionando o seu Norte, erguidas para um céu ou inferno, paraíso ou mortalha… longe em pensamento e perto da dor… de quem quer, de quem teve, de quem perde e de quem anseia…ter tanto e sofrer tão pouco…
…
Respiro… e espero…sinto…
As pontas dos dedos dos meus pés a tocarem levemente em água…
Oiço vozes!
Sinto agudos de sombras e sussurros da natureza…pouco vejo… neblina, doce bruma que tanto protege como agoniza…
…
Aproximou-se um vulto, beleza rara junto dos mortais…cabelo longo, castanho cor de brandura, olhos escondidos ao de leve pelas suas magras, brancas e delicadas mãos… com o seu corpo envolto em ar seco e cinzento…aproximou-se com vergonha e disse…
“…
Quando o negro da vida te chegar é sinal que o teu amor partiu… e quando a noite engolir o dia… e não mais o teu sonho encontrar para alem de um único rosto…saberás quem foi o amor da tua vida…
Eu… sou o ar que respiras, quem em criança iludiste e sonhaste, idealizaste. Fui heroína dos teus sonhos, fui inocência no teu rosto… fui e sou quem te tocou nos teus pequenos lábios e soprou conhecendo a tua alma…o teu primeiro beijo…a tua primeira dor…
Sou … fui… a tua musa perfeita, libertação do ventre da tua Mãe e o acordar da tua estranha forma de ser…
Provei-te como se deve, como eras e és…como deverias ser nessa paixão negra, um trovador de histórias, sincero e romântico…
Mostrei-te o tingir das cores do inverno, o sentir da brisa de primavera… apenas e só a importância do amor na sua vertente sofrida e ausente, platónica e ingénua…perfeita e incólume…
Ensinei-te e perdi-me nesse passado, ausência no presente, destino ou futuro…esse amor em cada espera que se fez e se transformou em silencio…perpetua irmandade de inquietude e perfeição de contemplar o amor…
…
A ira, fúria e cólera de um sentimento utópico fez-me fraquejar e matar-me nas tuas pobres mãos que derramaram em mim o teu inoculo sangue … ofereci-te o meu sopro, sagro virgem de um sofrimento de dor e mágoa… Fonte de tudo o que irás sentir perante a consciência amarga da presença fria da posse, em vez do que não puro ou ingénuo …
…
Abandonarás sempre aquela, que como eu, te fizer mais morte do que vida...nesse desejo de um devaneio completo de cumplicidade triste e alegre…
…
Sou Musa, ninfa do Ar e perfeição que te tocou ao de leve e que te roubou a pureza dos teus lábios…sou Perfeição Cúmplice da tua alma… que um dia…em tempo e espaço foi o teu Amor Perfeito…”
MABA
