Wednesday, March 09, 2011
Sonha-me!
Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…
…
Todas as noites sonhava-te sem saber quem tu eras…
Todas as noites percorria vagabundo esquinas e destinos de sonhos imperfeitos por não te encontrar…
…
Noites de sofrimento…
Por dores não minhas mas abraçadas com prazer…
Onde cruzes de doenças se depositam em supostos amores…
Vidas imerecidas tristemente anunciadas…
Onde traços viris vivem em olhos de dor, atroz certeza…
…
Noites de angústia suspensas no meu sonho nocturno, triste e lascivo…
Onde numa delas descobri esse doce delito…
Feiticeira aguardando pela sua morte prematura, fogueira de entrega…
Onde a vida se converte em inquisição de um desejo ávido de idear inocência…
…
Aprisionada, deitada à mercê do seu próprio destino, espalha o seu corpo numa cama ocupada… mas vazia…
…
Vejo…
Jazigo de uma esperança, útero de um sonho sonhado e desejado…
…
Chego…
Pela brisa de um luar que entrava pelos vidros inquebráveis de uma janela…
Pelo percurso e desfolhar entre livros e pó de uma estante esquecida no tempo…
Na incerteza da chama de uma vela, cujas sombras lhe atemorizam o rosto…
No esvoaçar e conforto das cortinas que a escondem, paredes que se desencontram da firmeza do chão que pisa…
Na confirmação de medos, retalhos sem rumo de roupas despedaçadas e sem lugar, estendidas ao abandono…
…
Chego e toco-a no corpo… amedrontando-a…
…
Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…
…
Dormia docemente e eu! … Desfolhado de qualquer preconceito, privado de qualquer tipo de roupa, nudez, dispo-me de todos os rituais de pudor, timidez e medo.
Numa combinação volátil de silêncio perverso e paixão amena, senti o seu cheiro …sorri e num sorriso ausente sussurrei…
…
Quando a escuridão chegar e de deitares de uma vida, viveras outra…
Onde tudo é possível, onde o desejo é destino e a felicidade retorno…
E nesse momento, quando puderes morrer e abrir os olhos…
…então…
Sonha-me!
Beija-me!
Vive-me! Mata-me e Morre!

