Tuesday, March 02, 2010

Doce Litost


Fotografia, Autor Desconhecido

Ilusões de beijos secos, olhos retorcidos e entremeados de medo, linha mortal que brinca com a vida à espera que se encontre com a do horizonte…

Leva de mim uma vez mais aquilo que procuras…o que procuras que não amor, não eu… apenas de mim…

São ecos de uma presença ausente que me percorre o braço e o acolhe, resguarda e salienta nas veias o sangue que lhe corre e me domina…
São promessas que o agarram, são alucinações que o abraçam….

Nos dedos a agulha que em segredo se junta ao sangue, passos percorridos que misturam o pó de um amor que se tenta atingir … a minha heroína de devaneios e cegueiras …
Nos beijos o ardor de mulher e amante que me sussurra e promete esperança, que me deixa o suor num charco junto a mim… num reflexo sem nexo…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar…e sofrer…

Litost tão doce que me promete um retorno ao seu ventre lar, miséria que me chama, sucumbe, transtorna e desejo… mas que não me pertence…
No corpo o nome que escreve e se diz meu… que não possuo, não conheço e não ama…

Devolve-me o sorriso que perdi, que fizeste teu com um olhar rasgado… Traz-me de volta as lágrimas arrancadas no antro de uma dor de paixão que não sinto…
Devolve o menino que se consumiu no meio do teu corpo na procura da ingenuidade perdida e prometida, que se desnudou e bebeu da tua boca a jura que no teu sabor se encontrava, que se escondeu dentro da tua pele semeada por ti por uma nova vida amada e sofrida…

Heroína de corpo, amor e prazer, princesa de ilusões, droga que me regula a dor, me traz sono e magia, que me aquece e conforta, que me cega em surdina…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar… e viver…

Bebe, mastiga esse leve e fugaz trago da natureza… e leva tudo de mim… mais uma vez…Sem pena, sem mágoa, sem tristeza e sem uma única lágrima…

Vive meu amor, nos meus apólogos e demência, na dependência que te tenho à minha cura…que eu hoje… vou-me cobrir dos silêncios que me deste e roubar a ti um pedaço da solidão que possuis… fechar os olhos, injectar a tua doce paixão em mim e morrer a teus pés!

MABA