Wednesday, April 17, 2013

Abracadabra!



Fotografia, Autor Desconhecido

Olhei para ti, os meus olhos nos teus encontraram-se por uma última vez…esperei um pouco e acariciei-te o rosto…sussurrei-te ao ouvido… Sabes?
Será magia ou ilusão?
Será amor ou paixão?
Será amizade ou saudade?

Serei tudo ou serei nada, serei ou serás… realidade ou apenas mais um texto enrolado em metáforas e fantasias, em anseios ou utopias consoante o teu desejo, ou o meu…

E eu? Serei apenas um trovador ou ilusionista, serei real ou imaginário…serei o que a minha mão disser, chorar, abrir, fechar, cantar ou sussurrar, serei o que os meus dedos escreverem, a minha imaginação acreditar… pintor, escultor, serei simples, complicado, amante ou romântico, serei o escutar de um som grave, o palpitar de um coração…o meu, o teu, ou o nosso, sou o trovejar de sentimentos, sonhador de imensidões, trovador de inspirações e na ponta dos meus dedos, a vontade de ouvir…o que ninguém me diz, o que ninguém ouve, o que outrora conseguia escutar e hoje não…sou um grito, uma lágrima, um sorriso, uma palavra muda, sou e serei para todo o sempre o piano que ouves, a musica que sentes, o poema que lês, serei em tua pele a tatuagem de um nome que nunca esquecerás…serei o que gosto de ti…

…e como te amo…!?
…num simples acertar de um cabelo despenteado do teu rosto doce e inocente,
…numa ultima bolacha de chocolate que se deixa apenas para quem se ama,
…num perfume suave que nos protege numa noite de encantamento,
…num ultimo suspiro, névoa de um frio gelado antes de morrer,
…no acordar e ser a primeira lembrança, no adormecer e ser o ultimo conforto,
…ser os lençóis que te aquecem e te delimitam o corpo em forma de protecção,
…ser o cheiro esquecido na bruma, o teu genuíno reflexo,
…ser esse ponto de luz perdido no céu, chama que incide num livro iluminando não uma escrita banal mas o contorno em forma de amor em oração…

Fui! Foste talvez pela primeira ou ultima vez a minha eterna ilusão e és e serás o meu eterno amor, o meu timbre, miragem, fantasia, a minha criação, a minha escrita, certeza e maldição, serei e direi para ti sussurrando ao teu ouvido, com a mão no teu rosto…

Abracadabra!

Amo-te hoje e estou aqui, na magia que perdi, capacidade de te dizer que te quero, que te desejo a cada momento, instante…
Amanhã não estarei! …serei esquecido… jamais capaz de atar palavra a palavra, abrir sem fechar a minha mão, sussurrar amores e gritar desejos.
A minha inspiração é luz e feitiço no primeiro gesto, verdade no esfregar de dedos num segundo acto, magia de retorno no seu final… mas… o meu!… O Amor por ti não é nem nunca será ilusão… apenas adormecerá… à espera de ti…

Adeus!

Abracadabra!

MABA

Tuesday, April 09, 2013

Sabor!



“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu para todo o sempre e que nenhuma mulher ou amante jamais te tocará no corpo ou no âmago do teu ser, que não eu…Jura! Pelo teu sangue, pela tua vida!”

“Sou tua! Serei! Sempre fui, mesmo sem o saber. Amaldiçoo quem conheci, quem te possuiu, sem seres tu, sem ser eu! Meu amor, meu alento, espirito, sopro que renasceu comigo…só tu importas! Só tu existes! Só!…És o meu Amor, para quem eu serei eterna servidora, companheira, amante… serei só tua! Juro! Pelo meu sangue, filho, vida!”

“Palavras proferidas em tempos e nas quais inocentemente acreditei na minha memória mais recente. Ultima lembrança de prazer, fervor para o qual ainda nem sequer foram descobertas palavras suficientes para o descrever.”

Sabor!

“Gota após gota, jura após jura, deixaste gotas de suor e cansaço escorrerem-te pelo corpo, em linhas esbeltas, desenhos encetados apenas por mim, numa escrita em língua, só tua, só minha, que permitisse provocar, registar, marcar ou degustar o sabor da tua pele, invertendo contracções e espasmos em olhares furtivos, fugidios do teu ventre pulcro, peito escrito em cor, nádegas suave mel, lábios sem erros ou ardor… não apenas desejo, mas simplesmente num acreditar de bem-querer…e amor.”

Tempo!

“E com ele, contigo, a palavra que beijaste nos meus lábios e que soletrei em mordidas na tua pele molhada por mim, por ti.”

“E com ele, contigo, as gotas do meu afecto, e como sentia esse momento desconhecido, que se dispersava em memórias e num querer de juras prometidas, numa ambição inconfessável, sem saber que por e de mim, sincero! por ti… juras! Mentiras dissimuladas, egoístas…falaciosas.”

Tempo!

“Em que outrora se abraçavam dois corpos, retirei e queimei as roupas, presentes prometidos e oferecidos por engano… No atar de um laço que se desfez rasguei a pele que te tocou e pertenceu…Do corpo que rejubilou a teu belo agrado retirei do peito o palpitar perdido por feminis embuste, na mais triste fraude que aceitei e acreditei por sabor…e amor.”

Tempo!

“E se o meu foi teu, o meu amor jamais poderá existir ou renascer. Darei o meu corpo a quem quiser mas a alma não pertencerá nem a ti, nem a mais ninguém. Perdeu-se no tempo, na jura que jurei e cumpri e tu não!…E o pior? Sabia… sentia sem querer sentir, observava sem querer testemunhar, uma questão de oportunidade e ambição sem ser por carácter ou afecto.”

Tempo!

“A minha condenação ou punição, absolvição? Viver sem amor, apenas sabor…o meu, o teu? Saberás algures num ensejo oportuno e divino, num afogar de sensações antigas, estranhas, medonhas, desaparecidas com o renascer de um momento de viver sem uma paixão sincera, sem gosto…a minha.”

“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu! Só meu!”

“ Não! Não sou! Nem serei de ninguém, outrora morri e matei por amor, renasci por outro, sofri e queimaram-me as cinzas perdendo a capacidade de ressuscitar… Amaldiçoo quem conheci, quem me possuiu, jurou e obrigou-me a jurar! Renascer ou Profetizar?”

“És minha? Meu Amor! Juras que serás minha, só minha? Ama-me! Que eu saborear-te-ei sem paixão, nua, renascida, gota apos gota, até a paragem do tempo o permitir…”

E o Tempo parou! 

Wednesday, April 03, 2013

Beleza em Chama


“Olha em teu redor…retira o véu que te esconde …não existe mais ninguém sem seres tu e eu…”
Se te dissesse tais palavras na noite em que te conheci, não perceberias, nem quererias entender… lógico. Um julgamento rápido de insanidade, loucura, confusão … inoportuno. Estávamos rodeados por uma multidão, sozinhos, muitas pessoas e… o teu amor, por quem partilhei uma parte da minha vida, era notório. Como poderias compreender algo sem sentido…óbvio.

“És Fogo, beleza em chama que ilumina, cega e incendeia quem te enfrenta e procura”
O que posso achar de alguém que conheci tão pouco e em breve tempo? De beleza inquestionável optei por vagabundear numa opinião ao acasouma bonequinha frágil para quem sempre gostou de primor e requinte feminino, mas a duvida no que fosse…correcto. Persistia se tal beleza seria sinonimo de perdição ou promessa passageira de uma falsa e ilusória verdade sobre o melhor e genuíno de nós. E quem é capaz de se erguer e não se esconder por detrás de uma beleza fortuita do destino?…obscuro.

“Poema romântico, princesa dedicada mas rebelde, prosa e canto de uma juventude inquieta, mas perdida por pactos, nirvana tardio”
Pormenores! O que revelam de alguém que se esconde, ou somente a distância que não permite o seu real e verdadeiro conhecimento. E como é fácil! tão fácil iludir alguém, ou mesmo nós próprios. No gosto a arte, na pintura a devoção; um simples guardanapo de cor e posição correcta; cheiro e sabor de um prato com genuína dedicação e quem sabe amor; conversas alegres que em madrugadas esquecidas invadimos com sorrisos a confissões, valores a sonhos, revelaram a menina romântica e sonhadora, e eu? Confuso ao ver agua e vinho, par e ímpar, cara e coroa, lados opostos…distante.

“Alegre Fado que de tristeza faz vida, das lágrimas sorrisos de quem quer, luta e merece ser mulher de um bem maior que de menos não procura, perdeu mas não fugiu, amou mas não morreu, caiu mas ergue-se dia após dia por um objectivo firme”
O que posso achar de alguém que conheci através de outros? Nos olhos, na forma e valores, de acções a quem pertenceste. Será que conhecemos alguém através de quem amam ou se é amado? Será que conhecemos alguém através dos seus Pais, Filhos, Amores, Amizades? Conheci-te por um amor em que acreditei, por uma amizade que quero para sempre, numa realidade que se tornou confusa, difusa para quem não sabe, não sente, mas certo é que a verdade existirá algures entre um amor e uma tristeza que te invade dia após dia e que um amor maior poderá curar, mas não esquecer, cicatriz que te torna hoje mais crente, mais lutadora, mais fria e quem sabe… consciente.

“Olha em teu redor…retira o véu que te esconde …não existe mais ninguém sem seres tu e eu…”
Perguntas porque penso assim? Interrogações que te permanecem na duvida do que possa ser, o que me move? o que me fascina? que demanda me preenche e oculta no brilho de uma luz ou ilumina a incerteza de uma sombra. O que me leva e permite viver num mundo paralelo ao nosso…ao meu, ao teu, tão frio e ausente, tão obscuro e mundano…
Se eu te dissesse no dia que nos conhecemos que no futuro restaríamos apenas tu e eu…o que pensarias?…é assim que eu vejo, observo e isolo acções, cogito, imagino e talvez seja óbvio e romântico, correcto, ilusório, quem sabe obscuro, distante e consciente de uma vida que desejo poética e fantasista, mas que em tudo implica e atrai erro, engano, aparência e realidade…

“Amar não é o mais correcto, perfeito e certo que se procura…mas é a imperfeição mais incerta em que caímos no doce erro de acreditar”

“Hoje não acreditas e fazes juras que jamais mostrarás o teu rosto e amarás alguém… Amanhã irás retirar o véu que te esconde e… uma vez mais, jurarás, que não existirá mais ninguém… apenas e só tu... e ele ”

Tuesday, July 03, 2012

Sonhadores

Prometi-te abraçar e caminhar junto a ti…
Promessas feitas em dias negros enquanto as nossas palavras se cruzavam e o olhar de amigos ou choro de irmãos esculpiam sentimentos de união e verdade...de amor e desilusão, sabedoria, incerteza… cumplicidade…
Prometi-te uma dança vestida de branco…
Promessas de uma valsa, tango, num dia de luz, num redopiar ou apenas num sorriso, num cruzar de mãos, ousadia, cerimonia ou celebração de uma nova vida… que anseio para mim… o que desejo e vejo em ti…amor!
Um caminho que se cruzou quando menos esperávamos no antro da ilusão, sedução da juventude, no olhar de jovens que ousavam sonhar e ser diferentes… algures onde outrora se podiam e deviam quebrar amarras…
Fomos… sonhadores… e hoje…olho nos teus olhos, para o teu sorriso e para quem amas e danças… 
… 
…danças e sonhas no meio de todos que em festa celebram um amor em brisas que baloiçam,
…danças e sonhas com os pés nus, alquimias de sensações num chão que te sustenta a paixão,
…danças e sonhas na certeza que amanhã serás ainda mais e maior do que escreveste em crepúsculos de papel,
…danças e sonhas junto a quem amas, num abraço, num suspiro, sabendo que a verdade de um genuíno amor, do vosso, não é o que se apenas vive num só dia mas sim o que nos conforta e nos faz acreditar e sonhar outro mais…
Prometi caminhar junto a ti em versos e beijos de um rosto em poema…
Prometi uma dança num só dia entrelaçado em constelação de sons…
Prometo …hoje… caminhar e dançar ao vosso lado…

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto: MABA
(Para a Cristiana e Ricardo…)

Friday, October 14, 2011

Amor Perfeito


Fotografia, Autor Desconhecido

Doce aroma de terra molhada…
Chuva e vento de um apanágio de incertezas…

Tristeza!
Ausência de amor que em cada espera aguarda silenciosamente os beijos nunca dados ou mordidos… em lábios esquecidos… metamorfoses de lágrimas que choro… e mendigo…

Sons dispersos!
Floresta que ganha vida…
Pássaros que cantam e esvoaçam, percorrendo os trilhos que as copas das arvores permitem… descobrindo os caminhos de encontro a um corpo…o meu!… Perturbam todos os meus sentidos e em especial a audição…vagabundos e incertos… agitam os sons que me envolvem e que se distinguem suavemente uns dos outros…

… o fogo que arde… do gelo que queima,
… o ar em brisa doce… do vento revolto,
… o sangue que nos domina…da terra que nos sufoca,
… a agua que nos envolve…da luz que nos cega…

Uma dor leve, um sorriso…as mãos seguras, presas bem alto direccionando o seu Norte, erguidas para um céu ou inferno, paraíso ou mortalha… longe em pensamento e perto da dor… de quem quer, de quem teve, de quem perde e de quem anseia…ter tanto e sofrer tão pouco…

Respiro… e espero…sinto…
As pontas dos dedos dos meus pés a tocarem levemente em água…
Oiço vozes!
Sinto agudos de sombras e sussurros da natureza…pouco vejo… neblina, doce bruma que tanto protege como agoniza…

Aproximou-se um vulto, beleza rara junto dos mortais…cabelo longo, castanho cor de brandura, olhos escondidos ao de leve pelas suas magras, brancas e delicadas mãos… com o seu corpo envolto em ar seco e cinzento…aproximou-se com vergonha e disse…
“…
Quando o negro da vida te chegar é sinal que o teu amor partiu… e quando a noite engolir o dia… e não mais o teu sonho encontrar para alem de um único rosto…saberás quem foi o amor da tua vida…
Eu… sou o ar que respiras, quem em criança iludiste e sonhaste, idealizaste. Fui heroína dos teus sonhos, fui inocência no teu rosto… fui e sou quem te tocou nos teus pequenos lábios e soprou conhecendo a tua alma…o teu primeiro beijo…a tua primeira dor…
Sou … fui… a tua musa perfeita, libertação do ventre da tua Mãe e o acordar da tua estranha forma de ser…
Provei-te como se deve, como eras e és…como deverias ser nessa paixão negra, um trovador de histórias, sincero e romântico…
Mostrei-te o tingir das cores do inverno, o sentir da brisa de primavera… apenas e só a importância do amor na sua vertente sofrida e ausente, platónica e ingénua…perfeita e incólume…
Ensinei-te e perdi-me nesse passado, ausência no presente, destino ou futuro…esse amor em cada espera que se fez e se transformou em silencio…perpetua irmandade de inquietude e perfeição de contemplar o amor…

A ira, fúria e cólera de um sentimento utópico fez-me fraquejar e matar-me nas tuas pobres mãos que derramaram em mim o teu inoculo sangue … ofereci-te o meu sopro, sagro virgem de um sofrimento de dor e mágoa… Fonte de tudo o que irás sentir perante a consciência amarga da presença fria da posse, em vez do que não puro ou ingénuo …

Abandonarás sempre aquela, que como eu, te fizer mais morte do que vida...nesse desejo de um devaneio completo de cumplicidade triste e alegre…

Sou Musa, ninfa do Ar e perfeição que te tocou ao de leve e que te roubou a pureza dos teus lábios…sou Perfeição Cúmplice da tua alma… que um dia…em tempo e espaço foi o teu Amor Perfeito…”


MABA

Wednesday, September 14, 2011

Amor?


Fotografia, Autor Desconhecido


Os dedos ajustavam, esticavam, talhavam o leve tecido a um corpo…
Pele que pertenceu um dia, algures, a quem acreditava que apenas o amor era sagrado…
A quem profecias se embrulhavam em gritos de solidão…
…Se a paixão fosse inexistente…
…Se um sonho, certeza, não ficasse ao alcance de um simples abraço enamorado, beijo apaixonado, recolhido, destinado…
…Se uma história de amor não fosse contada com um sorriso, ternura e aclamado para além da morte… nesse cessar prematuro de um palpável respirar ou apenas e somente na morbilidade da paixão que nos ensinou a amar, a viver, a matar e a morrer…
As mãos desencontraram-se num nó perfeito, a um pescoço… o meu…
O teu lugar, caminho e destino desse eterno encontro tendo como auge aquele arrepio, o nosso particular tremor onde o enrolar dos lábios, as palavras secretas, entrelaçavam-se em amores-perfeitos de uma juventude perdida, a nossa…
…Se os sonhos desfeitos por mim …ontem… e aceites numa brisa ligeira, suave em tempo…por ti… um dia depois… não fossem… como seria esse tornear de mãos sobre a luz? O tornear de corpos pelas sombras do destino…
Sobre os ombros, vesti a ultima peça de roupa para enfrentar a vida já não conhecida por mim, vida rejubilada e ansiada por muitos… passado, olhares e platonismo que não queremos quebrar, enfrentar… as tais histórias inacabadas por memórias dementes, sufocadas, conduzidas, sofridas e atingidas por perfeições e requintes de amores drogados, heroínas de falsos tempos…
Pilares de quem sustenta o peso da inquisição, exame, teste, vítima de dor, sufoco de quem da vida não declara vitoria… num desfile de vaidades do que se reconhece mundano…
…Se proclamo contos de amores verdadeiros que eu dei e sei dar…outros reclamam por não os terem escritos e não conhecerem tais sentimentos de amores que anseiam e sufocam…
…Se alteram e mentem paixões para que histórias perfeitas sejam cantadas e dançadas sob músicas e tons de luzes torneadas por falsas verdades…de quem fez, quem foi, de quem será nosso ou o nosso grande e único amor… a mim não me peçam rendição ou condenação… culpado não sou! Julgado não devo, não temo e não serei eu mártir, vitima, presa ou predador…
Cinzento foi a cor escolhida de um fato para enfrentar receios de outros, vidas passadas, amores incertos, olhares indiscretos…
Da última vez, a ultima que estivemos juntos, partilhávamos cumplicidades de noivos enamorados, no deleite da pureza de um vestido branco, na esperança de uma cruz por purificação e não sacrilégio… e tudo o resto…que eu sei e não esqueci…
…Se é Ironia? Não sei…
No primeiro olhar observei-te a um canto, na entrada de uma igreja, de uma que não nossa, não para nós, não pelo destino de caminhares em frente e até mim, mas para um dos lados, sentados por destino… perto, mas tão longe…
Juntou-nos o olhar de Deus, observando cada pensamento, gesto… abençoando ou castigando decisões, sentimentos, palavras ou uma simples memoria… perante um altar de caridades, por entre pessoas, testemunhas que podiam ter sido cúmplices de um outro amor, se um momento ou uma espera fosse conseguida ou cumprida…
Olhar de Deus, purificação de sentimentos, castidade de verdades, na oração que nos resta de uma possível saudade, magoa, amor…ou eterna incerteza de uma espera ou de uma decisão diferente…
…Se é Ironia? Não sei…
Será que me ouvias como almas gémeas, será que sem proferir qualquer palavra … lias e escutavas o que pensava e eu o inverso…não sei mas tentei!
“ Amor? Lembras-te de mim? Primeiro amor… “ – Sorri…
“Olha para a luz que torneia os vitrais que nos rodeiam e nos cobrem, as cores que nos protegem e iluminam…”
“Amor? Que lágrimas são essas que derramas num rosto que já não conheço…”
“Onde se encontram as cores que te perfumavam? E porque ninguém as limpa? Porque não te bebem e te sentem o choro sobre este abismo divino? … As lágrimas, sem cor, não minhas…só tuas, luz que ilumina a escrita de uma verdadeira história de crença, convicção… substituída por sombras de deveres e promessas… receios e obrigação.”
“Amor? As escolhas que fizeste e que não entendo, amores e desejos que tentas esquecer, que reconheço mas não posso, não quero… porque ninguém merece a minha servidão, ninguém merece o engano de algo que acredita como um bem maior…”
“ Amor? Senti-te apenas numa fotografia de memoria, algo longínquo que quero acreditar que o vejas de igual forma, carinho, paixão, recordação verdadeira de uma história…contada, escrita…a quem no teu ventre proteges e a quem o destino cruzou em sonho, inverno, Dezembro e quem sabe dia… comigo…”
“Amor? Por entre linhas que escrevo, outras que todos querem ler e pensamentos que te ocorrem e outros que queres acreditar… nunca te esqueças que te desejo o que desejo para mim…

…Um Amor aclamado que nos faça apenas rir…nunca o será!
 …Amor?
…Amor é, amor será, sentido para e por quem… para além de nos fazer rir e sorrir… também nos faz chorar…”

Friday, August 26, 2011

Pelos Teus Olhos...


Fotografia, Carlos Vieira

…Veio até mim sem saber como…aproximou-se…observou, sorriu, gracejou…acariciou-me o rosto, colocou as suas mãos sobre os meus olhos e fechou-os, tirou a capa que lhe cobria a nudez e colocou-a sobre os meus ombros, quente, segura, cravou as unhas na minha pele, pescoço, derramou uma gota de sangue…bebeu-a, mordiscou o seu pulso, beijou-me os lábios e engoli o seu…sorriu uma vez mais e sussurrou…”Abre meu querido…não tenhas receios…não os escondas, abre a tua alma escondida e vê o Mundo por breves momentos não pelos teus, mas sim pelos meus olhos…”

“…Confusão, desordem, sem regras, sem saber como olhar, reagir, pensar…fiquei. Senti algo diferente…senti-te a ti, talvez a mim, de uma forma estranha, algures… algo utópico e imortal, belo e triste, sem regras, com limites. Olhei para o teu rosto, para o meu, vi a pureza dos teus sentimentos… o espelho de uma alma, envolta em reflexos de pressentimentos confusos agrupados e arrumados de forma diferente a que me habituei…o erotismo e o erudito do tempo, as memorias, as tristezas em volta de olhares imperfeitos mas sabedores de cruéis e simples realidades, que no confronto da sua fidelidade se confortam na dor.

…A beleza …poderá até nem sequer existir…são apenas ilusões de sentimentos espelhados no nosso olhar… que o nosso eu protege de algo… de um modo imperfeito que nos sabe e assemelha-se inconscientemente à perfeição. O saber, a realidade, torna-nos frios, ou conhecedores de princípios… fruto daquilo que somos genuinamente e do que nos tornam sem palavras, reacção… nervosos, frágeis…e o silêncio? …esse… são meras sentenças de Amor…no qual saboreamos a sua altivez, plenitude e insignificância…e quando não o temos ou podemos perder…Aí sim! … De braço dado com a dor…São apenas palavras de silêncio o nosso Amor…

…É o bater de um coração… o nosso… desesperado por uma Paixão cúmplice que de sucesso tenha muito e que de felicidade se inunde…É saber sentir o que sabemos que conseguimos sentir, ser maior e mais alto do que outros, conhecedores de um sentimento, aproveitar o que ele nos dá na sua essência, beleza, pureza…e ocultar o seu sofrimento, tristeza. É saber ser diferente, utilizando a nossa mágoa, em beneficio de nós…saber sofrer e fazer parecer dor…e se o soubermos…logo saberemos beijar e tocar…se soubermos morrer, saberemos matar, amar…seremos assim poetas de inúmeras palavras que da verdade apoderamo-nos da mentira e conhecedores da vida podemos como ninguém beijar, tocar e arrepiar…ou…morder, seduzir e ferir…

…Conseguimos tocar a mão do Diabo sem ter que a agarrar, beijar os lábios de Deus sem ter que os sentir…somos e podemos ser o melhor da nossa essência sabendo as limitações e qualidades do nosso ser, olhar como quem ama, sentir como quem beija, amar como queremos ser amados…ter a diferença de um sucesso banal… de se ter o que se quer, pela ousadia de apossar a felicidade… e querer o que se tem…”

…Foi… saiu de mim como quem de poeira lava o rosto com agua doce e limpa, foi…olhou para mim no fragmento de uma imagem bela marcada pelo tempo, muros de gáudio, dores, marcas de vida no espelho que a invade e se reflecte em mim, inclina-se para a inocência que ainda preserva…e sorriu…”Abre…doce amigo, os teus olhos e vive como podes viver, como consegues ser…forte e verdadeiro, alegre e melancólico, romântico e louco, vive como desejas, num mundo que podes alcançar sem ter que o compreender…vem ser o Sol que ilumina e a Lua que se esconde…abre…os teus, os meus já estão…e gosto de os sentir bem abertos…e tenta em ti próprio alcançar o que desejas…que talvez seja o que todos nós almejamos…e só quem pensa como nós consegue…
…e o que será?…
…eu sei, eu vi… e não digo…
Segredo…”

Wednesday, July 06, 2011

IV- Seiva de Amor, Castigo!


Perguntem!
Não só quem eu sou...
Mas quem sois vós... 
...
Perguntem!
E respondam amargamente a quem amam... 
anseiam amar ou por ser amados...
a quem, com ou sem convicção, vive um suposto Amor...
...
Perguntem!
E a duvida alimentará a incerteza... 
...
Sorriu e choro por mim e por vós...
Triste sina por quem queremos ser cegos...
De certeza vive a ilusão...
do amor a loucura e da verdade...
...castigo...
...
Será tudo! Ou nada!
Depende de quem chega e de quem lê…
de quem Ama e de quem devasse esse Amor...

...
Nenhuma afirmação de decência, nenhuma questão suspeita…
Não quero que gostem de mim! Não quero que me amem!

...
Nada dura para sempre! Mas quem não o defende cairá...
Quem o diz leviano! Doce Amor de querer e posse morrerá...
...
Quero!
Alguém único que compreenda e anseie…
Que se converta ao leito da minha paixão…
Alguém que de beijo doce se torne devasso crente…
Que profane a lógica e que cante o sonho que persegue…
...
Quero!
Alguém que de boca lasciva se torne virgem perpetuada…
E que do seu ventre nasça a gloria do nosso ser...
Lábios e Pele num fogo apaixonado!Seiva queimada...
Dor, Grito, Prazer e Silencio! Razões de um amor por viver... 
Perguntem! 
Que perante a altivez de tal resposta... seja breve...
A mesma envolta em espinhos e segredos do Passado...
Sufoquem não o que desejo, mas sim o que vós quereis...
Martírios e castigos! Pena de quem sangue bebe Amargurado...
...
Mas Descasai!... 
Porque me irei retirar…
Parei de escrever…Por ti Amor!
E por Vós bebo o vinho que me resta…
Bebo tudo e seguro esse cálice vazio.
Rasgo carne, veias que me percorrem,
Sangue por vinho nesse tormento de espera.
Nunca perdoarei quem me ensinou a Amar…
Nunca perdoarei quem Amou a vida sem mim…
Ofereço então o meu sangue a quem o queira beber…
Amarei eu o seu oferecido à minha sede…
E na saliva fresca da embriaguez de ambos…
Ofereço-vos eu o maior feito do nosso ser …
…Sangue divino e pecador…
…Dor embriagada e genuína…
...
Gostam da seiva do meu amor…?
Gostam da escrita do meu sangue…?
Provem!...Que eu provo o Vosso!

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Sunday, June 19, 2011

...

Thursday, May 26, 2011

III- Seiva de Amor, Desejo!


Perguntem a essa aparente confissão…
Se sabe desse alvitre ou profecia…
Perguntem ao vosso mais intimo desejo…
Se será somente um pedido de perdão…
...
A resposta será não e nada!
ou sim e tudo!
...
Eu? Não admito nada mais!
e Sei!
Que não irão gostar de mim, talvez adorar, talvez odiar…
Que alguns sofrerão inveja e que outros repulsa
Não irão gostar de mim agora e muito menos na vida e no amor escrito…
… pelos dedos que sacrifico na exigência da pele por punição,
… martírio de beijos roubados envoltos em sonhos que não meus,
… jubilo e magia na diferença do genuíno ao impuro e da embriaguez à insanidade.
...
Não é uma questão de impunidade, pergunta ou solidão…
Virtude, orgulho, convicção, sentimento e ilusão… Talvez!

Digo-vos de forma categórica.
E irão vê-lo de forma inequívoca.
Não!
Não é uma posição confortável a minha…
Mas sim a Vossa!
Sofro por entre as linhas que escrevo e vivo…
Martírio de uma solidão que não desejo.
Mas é minha, só minha!
Anseio que me salvem, imploro que me leiam, percebam, compreendam e concluam de uma forma majestosa o que escrevo vagabundeando…
E como é fácil soletrar a palavra decepção e reclamar que ame mais alto e maior …
E como é fácil e cómodo observar e tirar conclusões de forma distanciada…
E como é fácil sonhar ao invés de viver um sonho, como difícil é viver sem saber sonhar…
E como é fácil vendermo-nos e sermos vendidos pelo Amor que sentimos e por quem ansiamos…
….
Amor!
A mesma súplica se aplica a Vós!
Sois capazes de morrer por Amor? Controlar a vida e a pertença solidão?
Com certeza que não!
Sintam...
como eu senti, como eu sinto.
O tremor, medo, loucura e insanidade sã…

Perguntem!
Será que o que sentem existe algures em algo de mais profundo?
Ou existe uma eterna barreira, um determinado limite de felicidade obscura, exacta, controlável e estagnada.

Perguntem!
Se a infelicidade da perda, a demência de ir mais alem, a algo insaciável prenunciado num horizonte inatingível que nos enlouquece e nos paralisa nessa procura …existe?
Ou existem momentos eternos, perfeitos, do nosso ser, intimo, modéstia e vaidade, humildade e servidão, para sempre recordado,para sempre inacabado, para sempre perpetuado na busca da perfeição e evolução de algo único a dois tons, a dois corpos …a dois!


Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Wednesday, May 25, 2011

...


Thursday, May 19, 2011

II- Seiva de Amor, Sangue!



















Perguntem-me quem sou?
Mascara de alguns de Vós…
Perguntem-me se existo?
Segredo! Pobre mascara que me encobre…
Amor!
Amor é, Amor será…algo único dentro de nós que nos move e conhece, domina e ilude…
Como uma criança volátil que cresce ao acreditar num suposto futuro que lhe pertence…
Como um bêbado atroz que da bebida faz vida e do seu cálice vergonha…
Como um poeta devasso, libertino que da promessa de gritar e perder, amar ou morrer…vive na ilusão de sentir mais do que escreve, viver mais do que anseia vencer ou conhecer-se a si próprio e a quem ama e não quer perder…
Como um sonhador livre e apaixonado que beija a tinta envolta em sangue, limpando-a suave e ansiosamente entre lábios e língua que lhe atormenta a escrita… na vontade de o fazer e ser feito entre odores perfeitos… em pele, cruz, suor, saliva e ardor de quem ama e por quem é … amado.
Que venham!
Mas não me exijam se não conseguirem dar…
Nem me peçam se jamais anseiam cumprir…
Não me amem se não sabem amar…
Não me beijem se não ousam seduzir…
Amor! 
… no meio do Não e do Sim
…do Tudo e do Nada…
Amor que é escrita em folha de papel, em pedaços de areia num mar fugidio ou nas estrelas que na noite enamora… 
Que venham! 
Mas que cheguem no meio de escrita vermelha impune, areia doce e molhada ou embrulhados na noite e em luzes que nos cegam…
Não me jubilem num tormento de dor e sangue pregado!
Se não agoniam e almejam a vontade de se crucificar
Não gostem nem sequer me enamorem nesse dia roubado
Se não tiverem coragem! Desse amor em suas mãos cravar

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA