Wednesday, July 06, 2011

IV- Seiva de Amor, Castigo!


Perguntem!
Não só quem eu sou...
Mas quem sois vós... 
...
Perguntem!
E respondam amargamente a quem amam... 
anseiam amar ou por ser amados...
a quem, com ou sem convicção, vive um suposto Amor...
...
Perguntem!
E a duvida alimentará a incerteza... 
...
Sorriu e choro por mim e por vós...
Triste sina por quem queremos ser cegos...
De certeza vive a ilusão...
do amor a loucura e da verdade...
...castigo...
...
Será tudo! Ou nada!
Depende de quem chega e de quem lê…
de quem Ama e de quem devasse esse Amor...

...
Nenhuma afirmação de decência, nenhuma questão suspeita…
Não quero que gostem de mim! Não quero que me amem!

...
Nada dura para sempre! Mas quem não o defende cairá...
Quem o diz leviano! Doce Amor de querer e posse morrerá...
...
Quero!
Alguém único que compreenda e anseie…
Que se converta ao leito da minha paixão…
Alguém que de beijo doce se torne devasso crente…
Que profane a lógica e que cante o sonho que persegue…
...
Quero!
Alguém que de boca lasciva se torne virgem perpetuada…
E que do seu ventre nasça a gloria do nosso ser...
Lábios e Pele num fogo apaixonado!Seiva queimada...
Dor, Grito, Prazer e Silencio! Razões de um amor por viver... 
Perguntem! 
Que perante a altivez de tal resposta... seja breve...
A mesma envolta em espinhos e segredos do Passado...
Sufoquem não o que desejo, mas sim o que vós quereis...
Martírios e castigos! Pena de quem sangue bebe Amargurado...
...
Mas Descasai!... 
Porque me irei retirar…
Parei de escrever…Por ti Amor!
E por Vós bebo o vinho que me resta…
Bebo tudo e seguro esse cálice vazio.
Rasgo carne, veias que me percorrem,
Sangue por vinho nesse tormento de espera.
Nunca perdoarei quem me ensinou a Amar…
Nunca perdoarei quem Amou a vida sem mim…
Ofereço então o meu sangue a quem o queira beber…
Amarei eu o seu oferecido à minha sede…
E na saliva fresca da embriaguez de ambos…
Ofereço-vos eu o maior feito do nosso ser …
…Sangue divino e pecador…
…Dor embriagada e genuína…
...
Gostam da seiva do meu amor…?
Gostam da escrita do meu sangue…?
Provem!...Que eu provo o Vosso!

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Sunday, June 19, 2011

...

Thursday, May 26, 2011

III- Seiva de Amor, Desejo!


Perguntem a essa aparente confissão…
Se sabe desse alvitre ou profecia…
Perguntem ao vosso mais intimo desejo…
Se será somente um pedido de perdão…
...
A resposta será não e nada!
ou sim e tudo!
...
Eu? Não admito nada mais!
e Sei!
Que não irão gostar de mim, talvez adorar, talvez odiar…
Que alguns sofrerão inveja e que outros repulsa
Não irão gostar de mim agora e muito menos na vida e no amor escrito…
… pelos dedos que sacrifico na exigência da pele por punição,
… martírio de beijos roubados envoltos em sonhos que não meus,
… jubilo e magia na diferença do genuíno ao impuro e da embriaguez à insanidade.
...
Não é uma questão de impunidade, pergunta ou solidão…
Virtude, orgulho, convicção, sentimento e ilusão… Talvez!

Digo-vos de forma categórica.
E irão vê-lo de forma inequívoca.
Não!
Não é uma posição confortável a minha…
Mas sim a Vossa!
Sofro por entre as linhas que escrevo e vivo…
Martírio de uma solidão que não desejo.
Mas é minha, só minha!
Anseio que me salvem, imploro que me leiam, percebam, compreendam e concluam de uma forma majestosa o que escrevo vagabundeando…
E como é fácil soletrar a palavra decepção e reclamar que ame mais alto e maior …
E como é fácil e cómodo observar e tirar conclusões de forma distanciada…
E como é fácil sonhar ao invés de viver um sonho, como difícil é viver sem saber sonhar…
E como é fácil vendermo-nos e sermos vendidos pelo Amor que sentimos e por quem ansiamos…
….
Amor!
A mesma súplica se aplica a Vós!
Sois capazes de morrer por Amor? Controlar a vida e a pertença solidão?
Com certeza que não!
Sintam...
como eu senti, como eu sinto.
O tremor, medo, loucura e insanidade sã…

Perguntem!
Será que o que sentem existe algures em algo de mais profundo?
Ou existe uma eterna barreira, um determinado limite de felicidade obscura, exacta, controlável e estagnada.

Perguntem!
Se a infelicidade da perda, a demência de ir mais alem, a algo insaciável prenunciado num horizonte inatingível que nos enlouquece e nos paralisa nessa procura …existe?
Ou existem momentos eternos, perfeitos, do nosso ser, intimo, modéstia e vaidade, humildade e servidão, para sempre recordado,para sempre inacabado, para sempre perpetuado na busca da perfeição e evolução de algo único a dois tons, a dois corpos …a dois!


Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Wednesday, May 25, 2011

...


Thursday, May 19, 2011

II- Seiva de Amor, Sangue!



















Perguntem-me quem sou?
Mascara de alguns de Vós…
Perguntem-me se existo?
Segredo! Pobre mascara que me encobre…
Amor!
Amor é, Amor será…algo único dentro de nós que nos move e conhece, domina e ilude…
Como uma criança volátil que cresce ao acreditar num suposto futuro que lhe pertence…
Como um bêbado atroz que da bebida faz vida e do seu cálice vergonha…
Como um poeta devasso, libertino que da promessa de gritar e perder, amar ou morrer…vive na ilusão de sentir mais do que escreve, viver mais do que anseia vencer ou conhecer-se a si próprio e a quem ama e não quer perder…
Como um sonhador livre e apaixonado que beija a tinta envolta em sangue, limpando-a suave e ansiosamente entre lábios e língua que lhe atormenta a escrita… na vontade de o fazer e ser feito entre odores perfeitos… em pele, cruz, suor, saliva e ardor de quem ama e por quem é … amado.
Que venham!
Mas não me exijam se não conseguirem dar…
Nem me peçam se jamais anseiam cumprir…
Não me amem se não sabem amar…
Não me beijem se não ousam seduzir…
Amor! 
… no meio do Não e do Sim
…do Tudo e do Nada…
Amor que é escrita em folha de papel, em pedaços de areia num mar fugidio ou nas estrelas que na noite enamora… 
Que venham! 
Mas que cheguem no meio de escrita vermelha impune, areia doce e molhada ou embrulhados na noite e em luzes que nos cegam…
Não me jubilem num tormento de dor e sangue pregado!
Se não agoniam e almejam a vontade de se crucificar
Não gostem nem sequer me enamorem nesse dia roubado
Se não tiverem coragem! Desse amor em suas mãos cravar

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA


Wednesday, April 20, 2011

I- Seiva de Amor, Martírio!


Perguntem-me quem sou! 
Mascara de alguns de Vós…
Perguntem-me se existo!
Segredo! Pobre mascara que nos encobre…
Serei mascara ou rosto que nos esconde…
Martírio! Segredo envolto em silêncio!
Martírio! Erro disfarçado de certeza!
Perguntem-me o que faço hoje aqui!
E permitam-me que seja sincero, autêntico e verdadeiro…
Talvez uma suposta confissão…
Quem sabe um aviso ou profecia…
Quem sabe um desejo…
Talvez um pedido de perdão…
Mas permitam-me algumas lembranças figuradas antes de começar…
…“O Maior feito de Deus foi permitir-nos acreditar na sua existência…”
…“O Maior feito do Diabo foi convencer-nos de que não existia…”
…”O Maior feito do Amor é fazer-nos acreditar e sentir… ambos…”
Sinto a minha mão direita dormente…
A mesma que me faz escrever e sonhar…
A dormência permanece no cansaço de tanto…
Sofreguidão e tristeza do que me convém e do que sou…
Que acredito ou me fazem acreditar, talvez mentira não minha, mas Vossa! …
Talvez não tenha avisado ou proclamado tal ternura…
Poderão não gostar de mim e do que escrevo… ou ao invés, amar loucamente…
Poderão desconfiar das palavras ditas…emancipar qualquer desilusão ou não sentir o sofrer como o faço…
Poderão odiar-me por o que sinto, viver a luxúria e o amor que crio…
Talvez seja, ou não, quimérico e autêntico…por quem me ama ou pensa me amar…
Mas não digam que o sentem sem o provar…
Não proclamem pudor sem o viver, luxúria que os sufoque de prazer …
Não pronunciem integridade sem o mostrar…
Não joguem um jogo sem acreditar que o podem vencer…


Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Monday, March 28, 2011

Saturday, March 26, 2011

Noite de um beijo



Fotografia, Autor Desconhecido

Imagino um beijo teu… um beijo a quem tu pertences… um beijo a quem tu amas… um beijo de quem te ama…

Imagino um beijo teu… conformidade e dever… paixão e sonho… chama, dor, desejo e amor…

Sinto esse beijo…o meu, em cada momento de infinita ternura, pureza e ingenuidade…infelizmente apenas um sonho, mas mesmo sonhado o meu beijo esta mais perto de ti de que outro.
Nesse anseio, os meus lábios fecham-se e tocam nos teus… sinto os meus olhos fecharem, não querendo!
A tristeza de fecha-los compensa?
Nem que seja por breves instantes, um olhar que sempre te procura, que te quer encontrar, que não te quer perder… desviar os meus olhos dos teus, o olhar que te deseja, que te admira, que te anseia e ama…compensa? …
Fecho-os e quero fecha-los por esse sabor único… que da ausência da luz de um olhar permite… um paladar único enfeitiçado pela sua escuridão, do epílogo dos mesmos, de um pensamento que esvoaça no mais intimo de ambos, concebendo uma beleza maior, o nosso deleite pleno, o nosso ser único que jubila o sabor de um amor perfeito na sensibilidade de lábios que se amam, na carícia extrema de sentir quem nos faz sonhar e acreditar, sonhar por acontecer…

O meu beijo esta mais perto de ti porque te amo… nascendo na tua boca a ausência do meu olhar… e na solidão! canto os teus olhos perdidos do meu rosto, e se te encontrar, possuir… cantarei o teu corpo querendo a tua boca aberta na minha, olhos fechados e encetados num amor como se nunca tivéssemos tido ou amado alguém…saudade.

Mas…
Tu estás em mim mas ausente de mim, os teus lábios tocam e os teus olhos fecham para alguém que não eu…
…a minha magoa da não pertença,
…a tristeza de não seres minha,
…a esperança de que seja o meu olhar que contemplas e sonhas, quando os teus olhos se fecham e os lábios que te tocam por dever e a quem pertences… mas não de quem és…

Noite… eterna noite que chega, que se sucumbe e que te traz no silêncio, que nos esconde e onde nos podemos pertencer…
Sei…apenas dos teus gestos, na procura do teu corpo para além dos meus dedos, que te trago nas minhas mãos distantes do teu peito, que te olho e contemplo no adormecer, que saboreio lábios e boca tão dentro de mim… tão ausente de mim…
…e eu estou tão perto de ti…ávido da esperança que morre no beijo dos teus lábios e que renasce no teu íntimo e secreto olhar… à noite ao luar… pensando somente em ti, em mais de que não em ti, em segredo, numa noite de um beijo teu.

Sunday, March 13, 2011

Ama-me!


Fotografia, Nicola Ranaldi

Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…

Toquei novamente no seu corpo perfeito, mas tristemente vazio, os dedos percorreram a sua pele de uma forma suave…
O desentrelaçar de um nó que lhe protegia a zona mais íntima e inacessível…
Pano de seda retirado e posto de lado sem ansiedade, colocado ao de leve junto à vela que lhe mostra o rosto e que lhe esconde o peito de uma intermitente sombra…

Beijo-a, suavemente…na busca de um odor que me pertence, esse suave cheiro de branca ingenuidade…
Beijo-a, docemente…na procura do seio que aposso com a saliva que me escorre por uma boca insaciável…
Beijo-a, ingenuamente…no seu sonho meu…nesse patamar tangível de suor e desejo, volúpia e pecado…

Sorriu, ofegante… mordendo o seu lábio inferior por prazer, juntando o seu dedo indicador a um beijo que procurava, como apontando o caminho de destino…
Sorriu, no oscilar ondeante das ancas que me procuraram, apertaram e obrigaram os nossos corpos a se unirem num só…
Sorriu, enganando-me na dor e prazer de um momento, agarrando com violência a minha pele, corpo, que impunha um ritmo brando, exigindo um aperto maior, profundo e veloz…

Violência…
Contida na forma selvagem, como se agarrou aos lençóis e me puxava para o mais fundo de si…
Crime…
Nos momentos só nossos, reproduzindo os mais criminosos, libertinos e devassos do mais perverso mundo…
Sofrimento…
Que procuramos um no outro, lágrimas de prazer, golpes em ambos os corpos, entre unhas e dentes em vontades extremas de atingir limites onde o sangue de dois se derramam e unem, suor e saliva se juntam e se confundem…
Dor…
Surda e sequiosa, insaciável que nos perde nas horas, que nos subtrai os líquidos da alma e alimenta a pele em contracções que dissociamos, espasmos avulsos que nos junta, convulsões que incessantemente deixamos cair…

Sonha-me!
Agora onde a noite chega e tudo pode ser nosso…
Deseja-me! Morde-me e Beija-me!
É no sonho que descobrimos o nosso eu e o nosso amor…
Vive-me!
Onde tudo é possível e nada nos julga e condena…
Mata-me e Morre!
Da vida mundana e banal…para vivermos onde a minha é a tua dor, o meu é o teu amor, onde partilhamos o nosso corpo… sangue e suor… e voltamos a sentir um beijo, o sabor de uma pele ou a vida num olhar…

Vem! Mata-me e Morre!…Hoje e Agora!
Vive-me e Sonha-me!…Amanhã!
e Ama-me!…Depois!

Wednesday, March 09, 2011

Sonha-me!


Fotografia, Autor Desconhecido

Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…

Todas as noites sonhava-te sem saber quem tu eras…
Todas as noites percorria vagabundo esquinas e destinos de sonhos imperfeitos por não te encontrar…

Noites de sofrimento…
Por dores não minhas mas abraçadas com prazer…
Onde cruzes de doenças se depositam em supostos amores…
Vidas imerecidas tristemente anunciadas…
Onde traços viris vivem em olhos de dor, atroz certeza…

Noites de angústia suspensas no meu sonho nocturno, triste e lascivo…
Onde numa delas descobri esse doce delito…
Feiticeira aguardando pela sua morte prematura, fogueira de entrega…
Onde a vida se converte em inquisição de um desejo ávido de idear inocência…

Aprisionada, deitada à mercê do seu próprio destino, espalha o seu corpo numa cama ocupada… mas vazia…

Vejo…
Jazigo de uma esperança, útero de um sonho sonhado e desejado…

Chego…
Pela brisa de um luar que entrava pelos vidros inquebráveis de uma janela…
Pelo percurso e desfolhar entre livros e pó de uma estante esquecida no tempo…
Na incerteza da chama de uma vela, cujas sombras lhe atemorizam o rosto…
No esvoaçar e conforto das cortinas que a escondem, paredes que se desencontram da firmeza do chão que pisa…
Na confirmação de medos, retalhos sem rumo de roupas despedaçadas e sem lugar, estendidas ao abandono…

Chego e toco-a no corpo… amedrontando-a…

Pulsar,
Batimento de uma morte por acontecer…

Dormia docemente e eu! … Desfolhado de qualquer preconceito, privado de qualquer tipo de roupa, nudez, dispo-me de todos os rituais de pudor, timidez e medo.
Numa combinação volátil de silêncio perverso e paixão amena, senti o seu cheiro …sorri e num sorriso ausente sussurrei…

Quando a escuridão chegar e de deitares de uma vida, viveras outra…
Onde tudo é possível, onde o desejo é destino e a felicidade retorno…
E nesse momento, quando puderes morrer e abrir os olhos…
…então…
Sonha-me!
Beija-me!
Vive-me! Mata-me e Morre!

Wednesday, January 05, 2011

Ecos


Fotografia, Autor Desconhecido

Existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e destinos…
Onde e quando tudo se desmorona, se destrói e é esquecido…
Instante fugaz mas eterno em que nos sentimos sozinhos, sem rumo, sem destino…
Não precisamos nem queremos ouvir o Mundo, nem ninguém…
Dia, sinal, dever, certeza da responsabilidade de parar, descansar, olhar em redor, sentarmo-nos e retirar do nosso peito a carta que escrevemos ao longo da vida… a nós próprios…
Onde os sonhos não são esquecidos, onde a verdade não é escondida, onde as nossas ruas de deleite paixão não escondem o nome de quem eternamente chamaremos… Amor…
Essa carta escrita com as lágrimas, sangue e odor do tempo… o que a vida nos ensinou, ensina…diferenças, erros, virtudes, certezas e verdades…

A subtil diferença entre segurar uma mão e encadear uma alma…
Em que o amor não significa serventia mas sim respeito, honra, dignidade, admiração e entrega…
Em que o respeito e companhia nem sempre significam felicidade e segurança…por vezes solidão…
Em que a felicidade não é sempre ter o que queremos, mas sim ter da forma como sonhamos…
Em que sonhar e concretizar um sonho não é impossível, como aprendemos que os beijos não são contratos e presentes não são promessas…

Aprendemos a aceitar as nossas derrotas com a frieza e graça de um adulto… escondendo melhor a todos a tristeza da criança em nós…
Aprendemos que podemos construir hoje todas as estradas, destinos, casas, protecções, pontes, expectativas e muralhas, defesas… mas o terreno que as sustem não deixa de ser incerto amanhã… e tudo o que não viver da convicção tem o hábito de cair…
Aprendemos que o sol tudo queima quando se exposto por muito tempo…
Aprendemos a aceitar que não importa o quanto amamos, sofremos e gritamos…se para quem o fazemos não ama, não sofre e não ouve no mesmo tom…

Aceitamos que não importa quanto boa pessoa é, ou somos… vamos sofrer e fazer sofrer, feridas serão abertas, cicatrizes, por quem e a quem amamos… podemos e devemos perdoar… apenas se alguém o merecer…
Aceitamos que podemos sorrir e chorar, brincar e gritar, fazer e sonhar…
Aceitamos que a confiança leva anos para se construir e apenas segundos para se destruir…
Aceitamos viver com o poder da verdade e a lógica de mentir por amor…

Compreendemos que o maior acto de amor é o altruísmo…é a felicidade, vida de quem amamos, mesmo que implique a nossa morte…
Compreendemos que a vida são instantes e temos o poder de fazer magia memorável e indescritível, como de igual forma capaz de actos que nos arrependemos perpetuamente…
Compreendemos que a verdadeira amizade ou amor pode não morrer mesmo com longas distâncias a percorrer, embora a ausência tenha a ousadia e permissão de esconder e esquecer essa tristeza…

E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem se escolheu para a partilhar.
E o que importa não é ter alguém para a partilhar, mas quem nos acompanha, compreende e tem competência nessa evolução e partilha.
E o que importa são os bons amigos, família que nos foi permitido escolher.
E o que importa é a família que não nos julga, no momento que mais necessitamos que não o façam.

Descobrimos que amigos há… que só o são se forem mais felizes do que nós.
Descobrimos que família são aqueles… de nosso sangue ou amor partilhado que nos ama quando menos merecemos.
Descobrimos que as pessoas que mais nos amam são nos tiradas de forma repentina e inesperada, então, devemos sempre deixar palavras de calor, no desespero frio de ser a última vez que vamos vê-los ou ouvi-los.

Somos responsáveis por nós mesmos, conhecedores do poder do bem e do mal que podemos exercer.
Somos responsáveis por erros e virtudes, conhecedores da relatividade de pormenores e do meio ambiente que nos influencia e a todos em nosso redor.
Somos responsáveis por decisões únicas, conhecedores que o obvio nem sempre é o correcto e a comparação com outros nem sempre é eficaz.
Somos responsáveis pelas nossas escolhas e comparações, conhecedores da balança da justiça, decisões entre o melhor e honroso, mundano e banal.

Demora algum tempo a descoberta que nos permite tornar a pessoa que queremos ser e que esse tempo é demasiado curto.
Demora algum tempo o conhecimento que nos permite saber que o que importa não é onde estamos, mas onde queremos chegar.
Demora algum tempo que o desconhecimento de um destino só nos irá trazer a descoberta tardia desse lugar e de acções predestinadas.

Sabemos que controlamos palavras, acções e significados e que elas próprias nos vão querer controlar.
Sabemos que ser submisso não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quanto delicada e frágil seja a situação, existirão sempre dois lados.
Sabemos que ser frágil é amar alguém e forte é amar não outro mas apenas nós próprios.
Sabemos que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário, enfrentando todas as consequências.
Sabemos que a paciência requer experiência e a espera não é prova de fracasso, mas sim de ousadia de um significado.
Sabemos que a perfeição não existe… mas inconscientemente procuramo-la incessantemente.

Perguntamos se a nossa vida é hoje, agora… e a única que temos.
Perguntamos se na nossa vida, hoje, agora… somos o que queremos.
Perguntamos se na vida não existe perfeição… e existe… em pedaços, faíscas e fulgores, a nossa própria; onde essa definição se consegue por vezes aproximar.
Perguntamos o que nos oferece sabedoria… não são anos, são experiencias, erros e certezas, locais de aprendizagem.

Concluímos que não somos ninguém para destruir sonhos e moralizar acções.
Concluímos que sábios não são os que acertam… são os que se corrigem.
Concluímos que temos o direito de gritar por raiva e dor, não o temos de ser frios e cruéis.
Concluímos que uma pessoa pode nos amar e não conseguir demonstrar, como alguém saber dize-lo e não conseguir provar.

Sei…que existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e destinos…
Sei…em que momento o vento te beija o rosto, o dia em que a folhagem abraça o teu corpo, o sonho e lugar onde a luz e sombra ajeitam-te os cabelos e escondem o teu olhar…

Sei…esse destino sem saber o tempo…
…onde as nossas vidas se unem por momentos,
…onde os sonhos permanecem na memória,
…onde os amores vagueiam para sempre…

Sei…
Que tudo são ecos de Amor…

…e que ecoam para a eternidade…

MABA

Saturday, January 01, 2011

Hoje...2011


Bebo hoje um cálice… à rendição de um amor
Celebração do mais belo… que se pode saborear
Bebo hoje o sangue… que de lágrima se fez dor
Verdade de quem esperou… cego por te amar

Na ilusão de voltar a ser feliz hoje celebro…
…na incerteza a esperança,
…na verdade a loucura.

Confissões de palavras e a vontade de as juntar…
…escrita de uma historia que jamais termine,
…escrita descoberta pela fresta de um olhar.

Amor…
Não é uma simples gota na mão…é chuva que escorre no rosto
Não é belo e elementar…é loucura memorável e inesperada
Não é caminho escorreito e definido…é destino improvável e incerto
Não é procura atormentada…é sentimento, instinto e espera inabalável
Não é presença de honestidade pura… é honra de uma paixão singular
Não é efémero e na esperança de um dia…é utopia de um sonho realizado hoje

Bebo então esse cálice… de lágrimas e sorrisos de amor
Celebração do mais doce… que se pode pedir e anunciar
Bebo então esse vinho… que de agua inerte se fez cor
Verdade de quem olha… e não sabe hoje o que desejar

Apenas que todos os sonhos de quem Amo se concretizem no Novo Ano de 2011


Wednesday, December 22, 2010

Último sorriso


Fotografia, Autor Desconhecido

Nunca te disse que não vivia sem ti… que não morreria num sorriso de sangue perfeito no teu rosto…ou sorriria no leito da minha morte com uma lágrima a beber-me nos lábios…

Nunca te disse se conseguiria viver ou não sem ti…Apenas que era capaz de sangrar ou sorrir pelo teu amor, mais do que pelo meu…

Nunca te disse mas pensei como seria tão difícil eu viver sem ti…como não sabia como seria tão fácil tu viveres sem mim…


Nunca te disse nem te soube dizer como te amo e recordo…numa memoria eterna, numa linha de um horizonte de lembranças, o fio de uma vida, a minha feita tua…de uma paixão perfeita, de um amor único…de um anjo negro banhado por uma unica luz que o sabia iluminar e retirar o sujo, a escuridão dos seus ombros…

Hoje sozinho… sei que vivi e talvez viva algures na minha rua sem um nome e morrerei no meu efémero teatro dos sonhos, magia e ilusão…

O resto…? O resto ficará algures…perdido numa linha sem jeito… como um cheiro, uma musica, um filme, um sonho… para sempre guardado…tatuado em mim num último sorriso…naquele olhar no teu último beijo…

MABA


Friday, October 15, 2010

I- Dias Vazios


Fotografia, Autor Desconhecido

Dias Impuros…
Dias Confusos…
Dias Libertinos, Obscuros…

Hoje…
Um deles… olho ao espelho, sem saber o que vestir…
Pele húmida… gotas de um banho tomado em contornos de vapores de espera….
Água quente em labaredas de suor e lágrimas…
Ar frio em arrepios de fraquezas, exultações e melancolias…

Cansaço …
Refém de meses envolto em vazios dispersos…
Que perduram e que mendigam por memorias e certezas esquecidas, amor perdido…
E que aquecem na proximidade e anseio de um toque alheio e único no corpo…

Brandura …
Cilada de um único dia que implora por um repouso da mais doce recordação…
Que a encaminha nas ondas dos seus salpicos mais limpos, puros, gotas perfeitas e eloquentemente sãs…
E que perfuma embrulhado em espuma …dissipando-a onde é esquecida em exaltação…

Dias…
Impuros…Preciso adoçar o amor para não recordar o que quero esquecer…
Confusos…Preciso salgar a volúpia para não relembrar o que não quero viver…

Tempo…
Dias Impuros…
Dias Confusos…
Dias Libertinos, Obscuros…

Lembrei-me do que tento esquecer…
Lembrei-me do que tento recordar…

De Dias Vazios …


Hora…
Da sua chegada.
Contornou-me com um sorriso.
Não fixou o olhar.
Não se aproximou.
Calças justas, negras, contornando um corpo esculpido no tempo, com cuidado, saudável vida de quem a olhou sempre com rigor e ponderação, imagem e saber.
Blusa branca, solta, quatro botões a unir dois lados de um tecido que lhe envolve e cobre a nudez. O primeiro botão, servindo de aconchego ao seu soutien, limitava a junção entre os diferentes tecidos e a linha de união dos seus seios, porto de abrigo ao fio de prata que outrora lhe presenteara e que suportava a esfera em forma armilar, símbolo temporal da minha paixão.

Sentou-se cuidadosamente a um canto do sofá.
Optou pelo caminho mais longo possibilitando pela sua escolha passar junto de mim, soltando o seu novo perfume, que desconhecia. Não era o meu, esse que ofereci, expoente do meu desejo. Essa Luz Azul, da qual me recordava com saudade, era outro! O seu odor natural predominava, relembrando a sede que me mantinha ávido de um gole, trago, beijo, mas a essência de um novo perfume perturbava a origem e a mudança para um outro.

Olhava em silêncio e em redor como se quisesse relembrar de um espaço, que já fora seu, ou descobrir uma única diferença desde a sua ausência.
Convergiu na minha direcção, os olhos cruzaram os meus interruptamente, sorriu para mim não com os lábios mas com o olhar.
Deitou-se no seu antigo canto, sofá branco onde tantas vezes soluçou de prazer e gemeu por amor. Com os dedos do seu pé direito retirou delicadamente o sapato cinzento do seu oposto, repetiu o gesto inverso e perguntou-me se podia se deitar, já aninhada na depressão que era sua e que originou… por tantas vezes repetir o mesmo gesto.

Retorquiu que tinha frio e se eu não poderia fazer algo para cessar tal desconforto.
Semi-encerrei os meus olhos, rasguei o sorriso e lembrei-me da dor e mágoa daqueles eternos dias vazios que me tinha imposto.


Dias lascivos, amargos, libertinos e únicos de um excesso Imundo…
Devassados na doce podridão à perfeição de um comum Odor…
Dias despidos de ternura, vazios e isolados de um pequeno Mundo …
Obscuros, confusos na fuga e incerteza de um sincero Amor…

Foram esses dias de lembrança que me subjugaram, amei, recordei e tentei desprezar… dias que de perfeitos no poder e domínio se sucumbem na fragilidade da falta…tornando-os… em Dias Vazios …

MABA

Tuesday, July 06, 2010

Triste Cegueira


Fotografia, Autor Desconhecido

“Olha para mim meu Amor! …”

Foi o que tantas vezes lhe escrevi, gritei, sussurrei, pedi e implorei. Mas não quis olhar para mim…nunca quis…e na ausência do seu olhar… cegou o meu…

Tantas saudades sinto daquele beijo, mordidela e grito, sussurro, sorriso e deleite do meu Amor…que me iludiu na pobre tristeza do que mais venero… amar e ser amado no pormenor da unicidade de um poema…na luxúria da união de dois corpos… distantes da profundeza da vulgaridade … perto do céu e inferno da loucura, perfeição… como compromisso voraz de vida…

Um amor que me fez acreditar numa jura de um passado que não desejava…o seu e o meu. O não a uma riqueza pela dolosa cor do ouro, falsidade enganosa de um beijo ou gesto por imoral conveniência…e que nos faz sangrar de dor. Um sim a uma luxúria de afecto pintada de cores do mais profundo mar azul, simples poema de verdade, suspiro de proveito…e que nos faz chorar na vivencia de um doce e singelo fervor em Nós …

Na cegueira dos meus olhos presenteei o meu corpo numa oferenda única jamais dada a uma mulher… que visitou os cantos dos meus sonhos, desejos e confissões…
Soube. Teve. Sentiu o que apenas deveríamos desejar na vida…mas não…! Mentiu! …e não é como eu … Não amava… não desejava sonhar… não ansiava em escrever esse diário de uma vida …paixão eterna. Necessitava unicamente de algo ou alguém que a ajudasse… não a escrever um futuro de amor-perfeito mas sim! A corrigir um passado de valores errados e cruéis…

Na cegueira dos meus olhos viajei na volúpia do seu corpo, tatuagem num anseio sem pudor, muito para além dos olhares do desejo…para mim…amor…
Os momentos doíam-me de prazer ainda inacabado, regeneravam-se no singular beber do seu fôlego, no inebriante cheiro dos nossos sexos, sôfregos e insaciáveis…para mim…amor…
Horas escassas que desejava eternizar ao sentir o meu sangue quente crispado nas suas unhas cravadas na minha pele … na minha boca? … O seu mamilo mordido fluía numa sofreguidão avermelhada sem vergonha, sem defesas, apenas brandas e suaves …melosas apenas para mim…amor…
Num apetite ávido, descobriu em mim esses lugares, destinos, caminhos, segredos de uma forma doce e delicada onde as curvas dos corpos se colavam às mãos… encaminhadas num desassossegado de caminhos cruzados, encruzilhadas de dor e prazer onde a saliva de um beijo, o odor dos nossos perfumes, rios de suores e sangue, leite do corpo e vida se reuniam no destino que era meu…ou deveria ser meu…num sublime encontro que venerava…e que para mim era tudo…era amor…

Na cegueira dos meus olhos procurei reinventar essa forma de sofrer, de sentir e de olhar…fugindo dessa união comum…riqueza que nos corrompe e que nos desvirtua o encanto de nos unir para celebrar o nosso filho por devoção…do que somente sua criança por dever…

A cegueira dos meus olhos esfaqueados nessa procura de insana volúpia, deliciosa paixão e firmeza na procura de verdade…obrigou-me a sossegar a luxúria que me rasgara a carne, a amizade e ajuda que me consumira o espírito e violara a virgindade do meu bem-querer. Amálgama incapaz de discernir se era ou se viríamos a ser…sem nunca ela querer saber o que poderíamos ter sido…se fossemos…como disse um dia… e mentiu!…iguais…

Na cegueira dos meus olhos, nas horas em que o olhar mais escurece, morri sozinho, no engano de um desejo que não meu, que não eu… para mim amor…para si carência…

De mim…? Amanhã, se já não hoje…a triste certeza que nada vai recordar… talvez apenas os sorrisos que me tirou…

De si…? Uma mágoa desejada, intensa, húmida de fantasia, perpetuada no tempo… o meu amor perdido, as minhas certezas desfeitas e sonhos inacabados…
…na mentira… o desgosto;
…nas constantes e incessantes perguntas para nos salvar,sem nunca alcançar resposta… a tristeza;
…no intimo de um silêncio sufocante de rendição… enlouqueço…

“Amor…! Se nunca quiseste olhar para mim…porque me quiseste cegar? …”
“Amor…! Se não me querias perder…porque fizeste tudo para eu desistir? …”
“Amor…! Se nunca me amaste, porque me deixaste amar-te demais…?”

MABA

Tuesday, June 22, 2010

Olha para mim...


Fotografia, Autor Desconhecido

Queres saber como vejo o Mundo…
Queres um pedaço de mim…
Queres saber como me sinto, como vejo e como oiço…
Queres saber como Amo…
Queres…?

Olha para o Mundo onde vives, observa como o Mundo olha para ti… Murmúrios de imperfeições, apoteoses, tristezas, raivas e medos, palavras de paixões, lamentos de afecto que eu transformo em mim num todo e que destruo em mil e um momentos presentes e dedicados ao meu perfeito amor…

Olha para o Mundo e sente o esvoaçar do que ouves…essas melodias que nos fazem pensar… e acreditar…gotas de lágrimas que caiem em chão escuro… estrelas que explodem em céus luzidios…
Olha para o paraíso que brilha debaixo dos céus de Dezembro, onde o Fogo que me distingue, sobrevive aos odores de Inverno…

Olha e vê porque tento fugir ao Mundo, refugiar-me em leitos de prazer, de solidão, amor, compaixão… e tento descobrir…
…que Terra é esta que me suporta?
… rodeada pelo ar que me move e levita…
… completa pela água que me rejuvenesce…
… inacabada pelo fogo que me queima e me invade…

Olha para mim e sente… porque me abraço silenciosamente num doce e singelo Inferno…
Olha e sofre o desejo, o desafio de ser impune a mim mesmo, à minha visão de quem vejo e quero ver, sentir e quero sentir… toque, do meu mais profundo profano ser….

Falo de alguém…
Das velas que acendo em escuros pesadelos… das formas sem rumo que as tentam desvanecer…
Das chamas que gritam e imploram por ar… que criam vontades próprias de sobreviver…
Da cera quente que derrete e que queima por doce agrado… num corpo com tantas formas diferentes de secar, compreender e contemplar…
Do pavio que me consome com fome de medo… que me enrola e mordaça na dor e sofrimento, na luxúria e rendição…

Falo de alguém…
Que me abra os olhos a essa luz e que não negue a cera quente que me é destinada…
Que me toque, seja pavio, me sinta e enlace … ate e tricote nesse inicio de um fino fio de papel e que me conclua num simples prefácio de um livro majestoso…

Falo de alguém…
Que não eu….que queira e me saiba ler, desfolhar, viver, queimar… que me torne vela que lhe deu luz, chama que me derreta ao sabor do vento, cera empírica moldada à minha pele…

Falo de alguém…
Que me arda o passado que teimo em reviver, faça esquecer as sensações de fraqueza que no presente se propagam e que me provoque num futuro …ao vento… o meu sublime desenlace…

Falo de alguém…
Que como eu viaje em razões de coragem, amizade e preciosidade…
Que se perca em rostos que vagueiam nas ruas desconhecidas e sem nome…
Que procure sorrisos, olhares tristes, lágrimas sem cor, velas e cheiros…
Que se desnude de vestidos brancos, transparentes, de livros sem palavras e queimados…
Que se deslumbre por paisagens inesquecíveis, melodias suaves em odores únicos e uníssonos…

Falo de alguém…
Que olhe para mim e se deleite na presença imortalizada do papel que é pele onde se escreve e vigora as páginas de cera, tinta que incessantemente nos funde, apenas e somente, na escrita que nos completa e nos guia… por entre esses Mundos imperfeitos que outros vêem, à perfeição que escrevemos nos nossos corpos e sentimos o que outros não sentem…a ignorância do nosso perfeito Mundo…a arte de tão bem saber amar…

Quero saber como vês o Mundo…
Quero um pedaço de ti…
Quero saber como te sentes, como vês e como ouves…
Quero saber como Amas…
Quero…que olhes para mim…


MABA

Tuesday, March 02, 2010

Doce Litost


Fotografia, Autor Desconhecido

Ilusões de beijos secos, olhos retorcidos e entremeados de medo, linha mortal que brinca com a vida à espera que se encontre com a do horizonte…

Leva de mim uma vez mais aquilo que procuras…o que procuras que não amor, não eu… apenas de mim…

São ecos de uma presença ausente que me percorre o braço e o acolhe, resguarda e salienta nas veias o sangue que lhe corre e me domina…
São promessas que o agarram, são alucinações que o abraçam….

Nos dedos a agulha que em segredo se junta ao sangue, passos percorridos que misturam o pó de um amor que se tenta atingir … a minha heroína de devaneios e cegueiras …
Nos beijos o ardor de mulher e amante que me sussurra e promete esperança, que me deixa o suor num charco junto a mim… num reflexo sem nexo…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar…e sofrer…

Litost tão doce que me promete um retorno ao seu ventre lar, miséria que me chama, sucumbe, transtorna e desejo… mas que não me pertence…
No corpo o nome que escreve e se diz meu… que não possuo, não conheço e não ama…

Devolve-me o sorriso que perdi, que fizeste teu com um olhar rasgado… Traz-me de volta as lágrimas arrancadas no antro de uma dor de paixão que não sinto…
Devolve o menino que se consumiu no meio do teu corpo na procura da ingenuidade perdida e prometida, que se desnudou e bebeu da tua boca a jura que no teu sabor se encontrava, que se escondeu dentro da tua pele semeada por ti por uma nova vida amada e sofrida…

Heroína de corpo, amor e prazer, princesa de ilusões, droga que me regula a dor, me traz sono e magia, que me aquece e conforta, que me cega em surdina…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar… e viver…

Bebe, mastiga esse leve e fugaz trago da natureza… e leva tudo de mim… mais uma vez…Sem pena, sem mágoa, sem tristeza e sem uma única lágrima…

Vive meu amor, nos meus apólogos e demência, na dependência que te tenho à minha cura…que eu hoje… vou-me cobrir dos silêncios que me deste e roubar a ti um pedaço da solidão que possuis… fechar os olhos, injectar a tua doce paixão em mim e morrer a teus pés!

MABA