Wednesday, December 22, 2010

Último sorriso


Fotografia, Autor Desconhecido

Nunca te disse que não vivia sem ti… que não morreria num sorriso de sangue perfeito no teu rosto…ou sorriria no leito da minha morte com uma lágrima a beber-me nos lábios…

Nunca te disse se conseguiria viver ou não sem ti…Apenas que era capaz de sangrar ou sorrir pelo teu amor, mais do que pelo meu…

Nunca te disse mas pensei como seria tão difícil eu viver sem ti…como não sabia como seria tão fácil tu viveres sem mim…


Nunca te disse nem te soube dizer como te amo e recordo…numa memoria eterna, numa linha de um horizonte de lembranças, o fio de uma vida, a minha feita tua…de uma paixão perfeita, de um amor único…de um anjo negro banhado por uma unica luz que o sabia iluminar e retirar o sujo, a escuridão dos seus ombros…

Hoje sozinho… sei que vivi e talvez viva algures na minha rua sem um nome e morrerei no meu efémero teatro dos sonhos, magia e ilusão…

O resto…? O resto ficará algures…perdido numa linha sem jeito… como um cheiro, uma musica, um filme, um sonho… para sempre guardado…tatuado em mim num último sorriso…naquele olhar no teu último beijo…

MABA


Friday, October 15, 2010

I- Dias Vazios


Fotografia, Autor Desconhecido

Dias Impuros…
Dias Confusos…
Dias Libertinos, Obscuros…

Hoje…
Um deles… olho ao espelho, sem saber o que vestir…
Pele húmida… gotas de um banho tomado em contornos de vapores de espera….
Água quente em labaredas de suor e lágrimas…
Ar frio em arrepios de fraquezas, exultações e melancolias…

Cansaço …
Refém de meses envolto em vazios dispersos…
Que perduram e que mendigam por memorias e certezas esquecidas, amor perdido…
E que aquecem na proximidade e anseio de um toque alheio e único no corpo…

Brandura …
Cilada de um único dia que implora por um repouso da mais doce recordação…
Que a encaminha nas ondas dos seus salpicos mais limpos, puros, gotas perfeitas e eloquentemente sãs…
E que perfuma embrulhado em espuma …dissipando-a onde é esquecida em exaltação…

Dias…
Impuros…Preciso adoçar o amor para não recordar o que quero esquecer…
Confusos…Preciso salgar a volúpia para não relembrar o que não quero viver…

Tempo…
Dias Impuros…
Dias Confusos…
Dias Libertinos, Obscuros…

Lembrei-me do que tento esquecer…
Lembrei-me do que tento recordar…

De Dias Vazios …


Hora…
Da sua chegada.
Contornou-me com um sorriso.
Não fixou o olhar.
Não se aproximou.
Calças justas, negras, contornando um corpo esculpido no tempo, com cuidado, saudável vida de quem a olhou sempre com rigor e ponderação, imagem e saber.
Blusa branca, solta, quatro botões a unir dois lados de um tecido que lhe envolve e cobre a nudez. O primeiro botão, servindo de aconchego ao seu soutien, limitava a junção entre os diferentes tecidos e a linha de união dos seus seios, porto de abrigo ao fio de prata que outrora lhe presenteara e que suportava a esfera em forma armilar, símbolo temporal da minha paixão.

Sentou-se cuidadosamente a um canto do sofá.
Optou pelo caminho mais longo possibilitando pela sua escolha passar junto de mim, soltando o seu novo perfume, que desconhecia. Não era o meu, esse que ofereci, expoente do meu desejo. Essa Luz Azul, da qual me recordava com saudade, era outro! O seu odor natural predominava, relembrando a sede que me mantinha ávido de um gole, trago, beijo, mas a essência de um novo perfume perturbava a origem e a mudança para um outro.

Olhava em silêncio e em redor como se quisesse relembrar de um espaço, que já fora seu, ou descobrir uma única diferença desde a sua ausência.
Convergiu na minha direcção, os olhos cruzaram os meus interruptamente, sorriu para mim não com os lábios mas com o olhar.
Deitou-se no seu antigo canto, sofá branco onde tantas vezes soluçou de prazer e gemeu por amor. Com os dedos do seu pé direito retirou delicadamente o sapato cinzento do seu oposto, repetiu o gesto inverso e perguntou-me se podia se deitar, já aninhada na depressão que era sua e que originou… por tantas vezes repetir o mesmo gesto.

Retorquiu que tinha frio e se eu não poderia fazer algo para cessar tal desconforto.
Semi-encerrei os meus olhos, rasguei o sorriso e lembrei-me da dor e mágoa daqueles eternos dias vazios que me tinha imposto.


Dias lascivos, amargos, libertinos e únicos de um excesso Imundo…
Devassados na doce podridão à perfeição de um comum Odor…
Dias despidos de ternura, vazios e isolados de um pequeno Mundo …
Obscuros, confusos na fuga e incerteza de um sincero Amor…

Foram esses dias de lembrança que me subjugaram, amei, recordei e tentei desprezar… dias que de perfeitos no poder e domínio se sucumbem na fragilidade da falta…tornando-os… em Dias Vazios …

MABA

Tuesday, July 06, 2010

Triste Cegueira


Fotografia, Autor Desconhecido

“Olha para mim meu Amor! …”

Foi o que tantas vezes lhe escrevi, gritei, sussurrei, pedi e implorei. Mas não quis olhar para mim…nunca quis…e na ausência do seu olhar… cegou o meu…

Tantas saudades sinto daquele beijo, mordidela e grito, sussurro, sorriso e deleite do meu Amor…que me iludiu na pobre tristeza do que mais venero… amar e ser amado no pormenor da unicidade de um poema…na luxúria da união de dois corpos… distantes da profundeza da vulgaridade … perto do céu e inferno da loucura, perfeição… como compromisso voraz de vida…

Um amor que me fez acreditar numa jura de um passado que não desejava…o seu e o meu. O não a uma riqueza pela dolosa cor do ouro, falsidade enganosa de um beijo ou gesto por imoral conveniência…e que nos faz sangrar de dor. Um sim a uma luxúria de afecto pintada de cores do mais profundo mar azul, simples poema de verdade, suspiro de proveito…e que nos faz chorar na vivencia de um doce e singelo fervor em Nós …

Na cegueira dos meus olhos presenteei o meu corpo numa oferenda única jamais dada a uma mulher… que visitou os cantos dos meus sonhos, desejos e confissões…
Soube. Teve. Sentiu o que apenas deveríamos desejar na vida…mas não…! Mentiu! …e não é como eu … Não amava… não desejava sonhar… não ansiava em escrever esse diário de uma vida …paixão eterna. Necessitava unicamente de algo ou alguém que a ajudasse… não a escrever um futuro de amor-perfeito mas sim! A corrigir um passado de valores errados e cruéis…

Na cegueira dos meus olhos viajei na volúpia do seu corpo, tatuagem num anseio sem pudor, muito para além dos olhares do desejo…para mim…amor…
Os momentos doíam-me de prazer ainda inacabado, regeneravam-se no singular beber do seu fôlego, no inebriante cheiro dos nossos sexos, sôfregos e insaciáveis…para mim…amor…
Horas escassas que desejava eternizar ao sentir o meu sangue quente crispado nas suas unhas cravadas na minha pele … na minha boca? … O seu mamilo mordido fluía numa sofreguidão avermelhada sem vergonha, sem defesas, apenas brandas e suaves …melosas apenas para mim…amor…
Num apetite ávido, descobriu em mim esses lugares, destinos, caminhos, segredos de uma forma doce e delicada onde as curvas dos corpos se colavam às mãos… encaminhadas num desassossegado de caminhos cruzados, encruzilhadas de dor e prazer onde a saliva de um beijo, o odor dos nossos perfumes, rios de suores e sangue, leite do corpo e vida se reuniam no destino que era meu…ou deveria ser meu…num sublime encontro que venerava…e que para mim era tudo…era amor…

Na cegueira dos meus olhos procurei reinventar essa forma de sofrer, de sentir e de olhar…fugindo dessa união comum…riqueza que nos corrompe e que nos desvirtua o encanto de nos unir para celebrar o nosso filho por devoção…do que somente sua criança por dever…

A cegueira dos meus olhos esfaqueados nessa procura de insana volúpia, deliciosa paixão e firmeza na procura de verdade…obrigou-me a sossegar a luxúria que me rasgara a carne, a amizade e ajuda que me consumira o espírito e violara a virgindade do meu bem-querer. Amálgama incapaz de discernir se era ou se viríamos a ser…sem nunca ela querer saber o que poderíamos ter sido…se fossemos…como disse um dia… e mentiu!…iguais…

Na cegueira dos meus olhos, nas horas em que o olhar mais escurece, morri sozinho, no engano de um desejo que não meu, que não eu… para mim amor…para si carência…

De mim…? Amanhã, se já não hoje…a triste certeza que nada vai recordar… talvez apenas os sorrisos que me tirou…

De si…? Uma mágoa desejada, intensa, húmida de fantasia, perpetuada no tempo… o meu amor perdido, as minhas certezas desfeitas e sonhos inacabados…
…na mentira… o desgosto;
…nas constantes e incessantes perguntas para nos salvar,sem nunca alcançar resposta… a tristeza;
…no intimo de um silêncio sufocante de rendição… enlouqueço…

“Amor…! Se nunca quiseste olhar para mim…porque me quiseste cegar? …”
“Amor…! Se não me querias perder…porque fizeste tudo para eu desistir? …”
“Amor…! Se nunca me amaste, porque me deixaste amar-te demais…?”

MABA

Tuesday, June 22, 2010

Olha para mim...


Fotografia, Autor Desconhecido

Queres saber como vejo o Mundo…
Queres um pedaço de mim…
Queres saber como me sinto, como vejo e como oiço…
Queres saber como Amo…
Queres…?

Olha para o Mundo onde vives, observa como o Mundo olha para ti… Murmúrios de imperfeições, apoteoses, tristezas, raivas e medos, palavras de paixões, lamentos de afecto que eu transformo em mim num todo e que destruo em mil e um momentos presentes e dedicados ao meu perfeito amor…

Olha para o Mundo e sente o esvoaçar do que ouves…essas melodias que nos fazem pensar… e acreditar…gotas de lágrimas que caiem em chão escuro… estrelas que explodem em céus luzidios…
Olha para o paraíso que brilha debaixo dos céus de Dezembro, onde o Fogo que me distingue, sobrevive aos odores de Inverno…

Olha e vê porque tento fugir ao Mundo, refugiar-me em leitos de prazer, de solidão, amor, compaixão… e tento descobrir…
…que Terra é esta que me suporta?
… rodeada pelo ar que me move e levita…
… completa pela água que me rejuvenesce…
… inacabada pelo fogo que me queima e me invade…

Olha para mim e sente… porque me abraço silenciosamente num doce e singelo Inferno…
Olha e sofre o desejo, o desafio de ser impune a mim mesmo, à minha visão de quem vejo e quero ver, sentir e quero sentir… toque, do meu mais profundo profano ser….

Falo de alguém…
Das velas que acendo em escuros pesadelos… das formas sem rumo que as tentam desvanecer…
Das chamas que gritam e imploram por ar… que criam vontades próprias de sobreviver…
Da cera quente que derrete e que queima por doce agrado… num corpo com tantas formas diferentes de secar, compreender e contemplar…
Do pavio que me consome com fome de medo… que me enrola e mordaça na dor e sofrimento, na luxúria e rendição…

Falo de alguém…
Que me abra os olhos a essa luz e que não negue a cera quente que me é destinada…
Que me toque, seja pavio, me sinta e enlace … ate e tricote nesse inicio de um fino fio de papel e que me conclua num simples prefácio de um livro majestoso…

Falo de alguém…
Que não eu….que queira e me saiba ler, desfolhar, viver, queimar… que me torne vela que lhe deu luz, chama que me derreta ao sabor do vento, cera empírica moldada à minha pele…

Falo de alguém…
Que me arda o passado que teimo em reviver, faça esquecer as sensações de fraqueza que no presente se propagam e que me provoque num futuro …ao vento… o meu sublime desenlace…

Falo de alguém…
Que como eu viaje em razões de coragem, amizade e preciosidade…
Que se perca em rostos que vagueiam nas ruas desconhecidas e sem nome…
Que procure sorrisos, olhares tristes, lágrimas sem cor, velas e cheiros…
Que se desnude de vestidos brancos, transparentes, de livros sem palavras e queimados…
Que se deslumbre por paisagens inesquecíveis, melodias suaves em odores únicos e uníssonos…

Falo de alguém…
Que olhe para mim e se deleite na presença imortalizada do papel que é pele onde se escreve e vigora as páginas de cera, tinta que incessantemente nos funde, apenas e somente, na escrita que nos completa e nos guia… por entre esses Mundos imperfeitos que outros vêem, à perfeição que escrevemos nos nossos corpos e sentimos o que outros não sentem…a ignorância do nosso perfeito Mundo…a arte de tão bem saber amar…

Quero saber como vês o Mundo…
Quero um pedaço de ti…
Quero saber como te sentes, como vês e como ouves…
Quero saber como Amas…
Quero…que olhes para mim…


MABA

Tuesday, March 02, 2010

Doce Litost


Fotografia, Autor Desconhecido

Ilusões de beijos secos, olhos retorcidos e entremeados de medo, linha mortal que brinca com a vida à espera que se encontre com a do horizonte…

Leva de mim uma vez mais aquilo que procuras…o que procuras que não amor, não eu… apenas de mim…

São ecos de uma presença ausente que me percorre o braço e o acolhe, resguarda e salienta nas veias o sangue que lhe corre e me domina…
São promessas que o agarram, são alucinações que o abraçam….

Nos dedos a agulha que em segredo se junta ao sangue, passos percorridos que misturam o pó de um amor que se tenta atingir … a minha heroína de devaneios e cegueiras …
Nos beijos o ardor de mulher e amante que me sussurra e promete esperança, que me deixa o suor num charco junto a mim… num reflexo sem nexo…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar…e sofrer…

Litost tão doce que me promete um retorno ao seu ventre lar, miséria que me chama, sucumbe, transtorna e desejo… mas que não me pertence…
No corpo o nome que escreve e se diz meu… que não possuo, não conheço e não ama…

Devolve-me o sorriso que perdi, que fizeste teu com um olhar rasgado… Traz-me de volta as lágrimas arrancadas no antro de uma dor de paixão que não sinto…
Devolve o menino que se consumiu no meio do teu corpo na procura da ingenuidade perdida e prometida, que se desnudou e bebeu da tua boca a jura que no teu sabor se encontrava, que se escondeu dentro da tua pele semeada por ti por uma nova vida amada e sofrida…

Heroína de corpo, amor e prazer, princesa de ilusões, droga que me regula a dor, me traz sono e magia, que me aquece e conforta, que me cega em surdina…

Lembra-te deste dia como aquele que mais necessito que me ames… não me abandones nem deixes de me fazer sonhar… e viver…

Bebe, mastiga esse leve e fugaz trago da natureza… e leva tudo de mim… mais uma vez…Sem pena, sem mágoa, sem tristeza e sem uma única lágrima…

Vive meu amor, nos meus apólogos e demência, na dependência que te tenho à minha cura…que eu hoje… vou-me cobrir dos silêncios que me deste e roubar a ti um pedaço da solidão que possuis… fechar os olhos, injectar a tua doce paixão em mim e morrer a teus pés!

MABA



Tuesday, June 16, 2009

Fogo Que Nos Une


Fotografia, Autor Desconhecido

Poderei não conseguir sonhar com nenhuma razão para voltar a Amar, mas consigo pensar em muitas para não voltar a tentar…

Existirá um dia em que serás tudo o que sempre sonhei…
…chamarás a ti a tristeza enamorada envolta num grito…
…evocarás a ti a leveza de uma alegre luxúria…
…escolherás esse desejo embriagado em suave deleite…
…elegerás o aplauso da nossa errante descoberta…

…Existirá um dia em que serei tudo o que sempre desejaste…razão para poder viver e sonhar…

…Chegarei somente quando o tempo ordenar que me perca nesse mundo perfeito que te pertence…
…Partirei logo após a conquista da tua pele e da sua terna simplicidade, nudez que a envolve…

Tempo…É tempo…
Chegou o meu…o teu…o nosso…
…Vem…
…Até mim e sente…
…Vem…
…Sentir o fogo que nos une e envolve, nos gela e derrete…

Percorrer com os teus cabelos o meu corpo, conhece-lo de cor com os teus lábios…
Escrever as letras da paixão que nos une, beijar as pontas dos dedos que te pintam sorrisos no peito…
Decorar o timbre frágil da tua voz quando te toco e aperto, quando te beijo e profano…
Saciar a dor pelo prazer, inventar sorrisos, crivar garras, abraços e amarras, almejar a lua e as estrelas, beijos doces que nunca me deste…
Sussurrar segredos em voz alta, mordiscar o pescoço de quem te ama, guardar na palma da mão os dedos que te arranham, apoderam, algemam e te abraçam…

Deixo-te nos lençóis o meu cheiro, nos lábios a lembrança… em ti? …deixo-me… preso à luz que se esquece num quarto escuro, a sombra que espreita por baixo da porta e nos chama…
Vem…
…Quero só mais um beijo, mas não te quero acordar, deixo-te em ti, o que sou, o que possuo…vida…
Vem…
…A Morte acudirá sofrida e contente no primeiro trago do néctar da nossa existência…esse…soprado incessantemente no sangue que nos corre e na alma que nos cega…
Vem…
…Sentir o fogo que nos queima e inflama…une e envolve, nos gela e derrete…
Vem…

Podemos não conseguir sonhar com nenhuma razão para voltar a Amar, mas conseguimos pensar em apenas uma para voltar a acreditar…

MABA

Monday, April 06, 2009

Sete Pec(a)dos (mor)tais


Fotografia, Tuy Tuy

Sou! Folha branca, rasto gélido perdido na Solidão…
No meio de todo o meu pobre silêncio Doentio…
Sou e Serei sempre! Um Simples e triste Não…
Ou talvez por vezes! Um Alegre sim Sombrio…

Sou! Palavra que nunca proferi e na escrita Matei…
Sopro de paixão! Gotas de alma vindas de um Olhar…
Sou quem bebeu essa tua lágrima! Fi-la minha e Chorei…
Sufoquei os gritos, teus! Tornando-os meus sem os Perdoar…

Sou Carta escrita que nunca e jamais será lida…
Que quer em Ti o fruto do Pecado e da eternidade…
Sou quem quer o Teu Peito, Olhar! Alma escondida…
Ser Dono abençoado da Tua incólume ingenuidade…

Sou! Sombra que te encobre em Névoa Luz…
Olhar esquecido que em Ti quero Achar…
Sou! Pulsar de sangue que derrama na Cruz…
Vontade de te Ter onde o Céu cruza o Mar…

Sou! Chama Altiva que Não Queima! Mas sim Aquece…
Calor e Luz! Que somente alumia e deseja Proteger…
Sou! Quem Não Parte! Chega e não se Esquece…
Barco Errante! Que no Teu Corpo anseia Permanecer…

Sou! Chuva que o teu choro esconde…
Destino que se cruza com o teu Caminho…
Sou! Quem escuta as magoas de bem longe…
Voz triste do Teu chorar baixinho…

Sou! Correntes de aço ou cordas de linho…
Que te Amarram ou protegem do meu amor…
Sou! Força ou Resguardo de um gesto carinho…
Pele Tua que me aceita e te prende à minha dor…

Sou enfim! Desejo Cúmplice, Paixão de uma Saudade!
Amor extremo de um Livro que se anseia Ler…
Sou! Amizade, Respeito! Forte e Terna Caridade!
Sete e Não Um! Pecados! De um Amor que jamais irá Morrer…

MABA

Sunday, March 08, 2009

Morpheu


Fotografia, Autor Desconhecido

Deuses…”Dizem que os Deuses, entediados, resolveram inventar a humanidade para se divertirem…Mas, mesmo assim, continuavam aborrecidos; então inventaram o amor…e o tédio acabou. Resolveram experimentar eles mesmo o amor… viram como ele pode ferir e logo inventaram o riso para suportar… a dor…”

Orpheu, filho da poesia, da luz e do sol, da verdade e da profecia cresceu entre musas e deuses…aprendeu, viveu por entre a magia das ruas do paraíso e da maldição, cantos suaves onde as ruas perdem todos os seus nomes e as lágrimas são lavadas entre o respirar dos mares e o sorriso das árvores… conheceu a sua amada, menino ainda… e de mãos cruzadas correram entre campos de flores onde estas desabrochavam à sua passagem.
O destino não perdoou Orpheu, caindo a seus pés o cruel desígnio dos Deuses…essa dor de um amor que o riso que não tem, não o consegue fazer esquecer…memorias que o fez renunciar à sua forma de abençoar a vida e por fim a não aclamação de tal amor morreu de joelhos por sua eterna paixão…

Orpheu, filho da sombra, do sonho e bastardo da lua… encantou o Deus que mais adora e idolatra a utopia e o desejo de somente amar; o mesmo que assume qualquer forma humana e apossa qualquer feito de outros para viver, por eles, através dos seus sonhos…no amor dos meros mortais…

Morpheu!!, falo-lhes do Deus Filho do Sono e da Magia, que estando presente no dia da morte de Orpheu bebeu-lhe do seu leito… o seu sopro… e ele…Hoje! Vive! Onde as suas Ruas Não Têm Nome, onde o sonho do Amor das Ruas de Orpheu, são hoje inebriadas pela vontade de sonhar das Ruas de Morpheu…


MABA

Wednesday, February 28, 2007

Orpheu...


Fotografia, Miguel Delgado e Silva

…Torneia um lápis em forma de pena na extremidade dos seus dedos, rodopia um após outro desenvolto na escrita que tenta escrever mas não consegue…Relembra e pensa porque um dia o fez, porque um dia o deixou de fazer…O escrever página sobre página e perder-se nos braços de quem ama ou poderá amar, na sua escrita, no seu amor, num pedido de adeus ou… A Deus…
…Nesse suspiro, nesse respirar baixinho de uma salvação que se procura no mais ínfimo pensamento que nos resta…a vontade de viver ou morrer por alguém…um sentimento, vergonha ou estranha forma de vida…um Nome…o Seu…não o pronuncia, tenta desenha-lo em formas de amor, em papiros, em trovas, poemas ou cartas, versos, metáforas, palavras simples ou prosas…
…A sua pena, castigo e destino… sentir, sonhar…por alguém efémero numa eterna paixão…é assim Orpheu, alguém que um dia ousou sonhar por algo que nunca seria seu…
…Mas… não tenham pena de si… não o deseja, não o quer…ele poderá ser apenas alguém diferente entre iguais… na vontade de sonhar, na escrita, espada que nos encerra em Vida a vontade de pedir a Deus a esperança de um Adeus que não o seja…
…Um Amor igual ao dele, mas oposto… Amar e ser Amado...escrever e não ser esquecido…
MABA

Thursday, December 07, 2006

Folhas de Saudade


Fotografia, António Manuel Pinto da Silva

Sou essa Folha branca que desfolho e é esquecida…
No vazio do amor! Na ausência das palavras que escrevo…
Sou esse testemunho de uma negra canção perdida…
Saudade dos versos e melodias que canto em segredo…

Sou essa folha branca, rasto gélido perdido na Solidão…
No meio de todo o meu pobre silêncio doentio…
Sou e serei sempre! Um simples e triste Não…
Ou talvez por vezes! Um alegre sim sombrio…

Escuro e Negro! Noites e Sombras Perpetuas…
Algo que em mim sem pedir torna-me ausente…
Sorrisos e magoas! Nossas! Minhas e Tuas…
O que escrevo? O que sou? Poema que te é indiferente…

Porquê então escrever, sonhar ou apenas Viver?
Se a razão pela qual o fazemos, nunca Perdura…
Seremos nós? Hávidos de dor de quem sabe Ser…
Amantes do nada! Escrita doce e agra que Cura…

MABA

Tuesday, November 07, 2006

Sopro de Paixão


Fotografia, Autor desconhecido

Sou essa palavra que nunca proferi e na escrita Matei …
Sopro de paixão! Gotas de alma vindas de um olhar …
Sou quem bebeu essa tua lágrima! Fi-la minha e Chorei…
Sufoquei os gritos, Teus! Tornando-os meus sem os perdoar…

Perdão! Não merece quem ama sem ser alegremente Amado…
Lábios de cor que de paixão sobeja um pobre beijo cinzento…
Amor! Não merece quem tristemente o torna Ignorado…
Suspiros de palavras que nos trazem somente tormento…

Coração perdido! Apertado! Na palma de uma só Mão!
Reúne num gesto! Tudo e nada que sinto por ti, Amor…
Palavras ternas em folhas brancas pintadas de Ilusão!
Tristes verdades de quem não sabe ser poeta nem Sonhador…

Teus lábios sopram versos de dor que transformas em paixão…
Poemas que ouso sentir, viver e aclamar como meus para Ti…
São sonhos em noites que em breves instantes não o são…
Vida e cor! Num sopro de amor que nunca Esqueci…

MABA

Saturday, October 07, 2006

Escrita de Desejo


Fotografia, Betho

Sou esse gesto que as Palavras um toque oculta…
Que Não desejo! Não sinto! Não posso e Não quero!
Sou esse grito de anseio! Arrepio de pele involuta…
Escrito em papel puro e doce Amor que em Ti espero…

Sou essa Carta escrita que nunca e jamais será lida…
Que quer em Ti o fruto do Pecado e da eternidade…
Sou quem quer o Teu Peito, Olhar! Alma escondida…
Ser Dono abençoado da Tua incólume ingenuidade…

O Nosso Corpo será único! Para sempre Inquietante…
Dadiva para quem o Merece e o faz por Merecer…
Serei se for Tua vontade! Teu único eterno Amante…
Nos dedos a escrita! No Teu Coração quero Viver…

Escrita cravada no leito da Vida! Alvas Folhas de um Peito…
O Teu que desejo esculpir, escrever, possuir e Abraçar…
Abraço que nos envolva e que se torne Perfeito….
Toque que seja escrita! Desejo de um dia te poder Amar…

MABA

Thursday, September 07, 2006

Cumplicidade de um Olhar


Fotografia, Sascha Tenhain

Sou! Sombra que te encobre em Névoa Luz…
Olhar esquecido que em Ti quero Achar…
Sou! Pulsar de sangue que derrama na Cruz…
Vontade de te Ter onde o Céu cruza o Mar…

Poderei ser esse Horizonte impossível de Atingir…
Espada de Guerreiro que luta com Bravura…
Poderei ser esse Reflexo do Teu Rosto por Descobrir…
Amor Alto! Protecção! Oferenda da Tua Vida Futura…

Sacrifício! Verdade e Memoria! Divindade e Loucura!...
É assim que Alguém deve Amar e sentir-se Amado…
Morrer por Quem se Ama, Viver sem Tortura…
Cobrir um gemido incontido e por Nós Aclamado…

Inicio e Fim! Chamamento de uma União Meiga e Louca…
Suspiros e Palavras! Que Ninguém saiba quem os Diz!
Serão Meus e Teus! Encontrados em Tua Boca…
Olhar Único e Cúmplice de Quem é Anjo e Meretriz!

MABA

Monday, August 07, 2006

Eterno Respeito


Fotografia, Autor desconhecido

Sou! Chama Altiva que Não Queima! Mas sim Aquece …
Calor e Luz! Que somente ilumina e deseja Proteger…
Sou! Quem Não Parte! Chega e não se Esquece…
Barco Errante! Que no Teu Corpo anseia Permanecer…

Sou! Gesto Rápido e Mortal perante a Tua Pele Macia…
Percussão ao do Leve nas Teclas do Teu Rosto Imaculado…
Sou! Oposto do que receias! Magoas de uma Agressão Vazia…
Trovador de um Sorriso! Dever de um Poema Respeitado…

Porque não? Mulher ser imperecível Poema ou Prosa…
Expoente de Beleza, Melodia! Morrer Jovem e não Velha…
Teclas de Um Piano! Pétalas da mais Encantadora Rosa…
Eterno Respeito perante o qual o homem apenas se Ajoelha…

Deverá ser assim a mulher! Sem idade e sem Medo!
Uma menina que pelos seus olhos fechados poderá Sonhar…
E no toque do Puro Amor chegado numa Manhã bem Cedo!
Abrir sem receio os olhos, poder Sorrir, Sentir e Acreditar…

MABA

Friday, July 07, 2006

Palavra de Caridade


Fotografia, Autor desconhecido

Sou! O Vento que te envolve e tu beijas...
Sentes mas não vês! Esperas que te acolha…
Sou! Ar revolto que sopra por ti e quer que sejas…
Vela aberta que o Norte procura sem escolha…

Sou! Escrita imune de voz rouca e invisível!
Palavras banais! Incompreendidas par´a maioria!
Sou! Linha negra que te percorre e vê no impossível!
A Caridade que perfaz cada frase em harmonia!

Sou! Correntes de aço ou cordas de linho…
Que te Amarram ou protegem do meu amor…
Sou! Força ou Resguardo de um gesto carinho…
Pele Tua que me aceita e te prende à minha dor…

Sou e quero ser algo mais alto, mais forte e maior!
Poder imenso! Imune à duvida da Traição…
Quero! O que de mim e de ti há-de melhor!
Caridade! Palavra maior que qualquer razão…

MABA

Wednesday, June 07, 2006

Mãos de Amizade


Fotografia, Julio Viena

Sou! Chuva que o teu choro esconde…
Destino que se cruza com o teu Caminho…
Sou! Quem escuta as magoas de bem longe…
Voz triste do Teu chorar baixinho…

Sou! Traços em Tuas Mãos de Vida Vazia …
Triste sina de um destino por cumprir!
Sou! Veias que envolvem gritos em Melodia…
Rancor e Magoa que te impendem de fugir!

Serás! Amor sempre presente e não chamado…
Sorte ou Azar! Num Jogo por decidir…
Serás Amor jamais descoberto e achado…
Doce Anjo Sem Asas! Mãos cerradas por abrir…

Serás! Mão de Amizade que ao de leve escuta…
Som que abafa o nosso triste Caminhar…
Serás! Mão que agarra o sangue negro da culpa…
Batimento feroz! Na súplica de poder Amar…

MABA

Friday, December 16, 2005

Pela Voz de Um Anjo


Fotografia, Anne Geddes


“…Duas crianças a correrem no meio de flores do seu tamanho, como se de uma floresta de magia se tratasse; a brincar, a sorrir, a beijar a vida com um olhar de inocência…sem demónios; a abraçar o mundo com um sorriso ingénuo… sem desilusões; e nas suas mãos a esperança de um futuro, no olhar a procura de um amanhã de sonho, esperança, alegria, felicidade, com e pelos conceitos por que vale a pena existir…

…É assim que ainda hoje os vejo, os meus homens que serão sempre meninos, os meus dois filhos que Amo, fruto de um Amor-perfeito pelo qual me sinto abençoada e eternamente Amada…

…Os meus meninos, os meus anjos, as minhas razões de viver. Nas suas veias corre-lhes o meu sangue, o meu e o do meu eterno Amor; sangue do nosso sangue serão hoje, agora e sempre a nossa vida… e no infinito desconhecido viveremos neles, nos seus corpos, nos seus rostos, nos seus olhos, na lembrança das nossas descendências passadas, de um amor com significado…a nossa herança, oferenda futura…

…Criados de igual forma, com os mesmos princípios, valores, amor…foram desde o primeiro momento muito diferentes; personalidades fortes, os mesmos valores de honestidade, de verdade, bondade, caridade, embora com formas quase opostas de pensar e ser…

…O mais velho, sempre teve uma enorme alegria de viver, traquinas, com um coração enorme, bondoso, verdadeiro, muito impaciente, aventureiro, destemido e duramente frontal e sincero; o que por vezes magoa, mas…o seu enorme carinho pelo próximo logo colmata esta sua característica própria de um homem do qual muito me orgulho…

…O mais novo, o meu pequenino, com nome de pintor, escultor… nasceu numa noite de chuva de Dezembro, numa sexta-feira 16, numa terra para mim desconhecida até então…

…Lembro-me como se fosse hoje…aquela ultima dor…um ligeiro grito, lágrima de alegria, sorriso de amor, suspiro de alivio, um desespero na possibilidade da perda, uma preocupação angustiante e o decorar de cada pormenor do seu pequenino corpo, cada ruga, cada cabelinho loiro, tudo… para não o perder, nunca, ao meu segundo filho…que era só meu…

…Tinha uma enorme vontade de nascer, de conhecer o Mundo, conhecer-me a mim, ao Pai e ao Irmão; nasceu um mesinho antes do tempo, 8 meses, com os olhos fechados, rasgados, uma criança linda nos meus braços… que ainda hoje consigo abraçar…

…Foi crescendo, dia após dia e como era bonito o meu doce filho, loirinho, pele branquinha, com um sorriso maroto, mas… sempre muito calado; observava o Mundo, não exteriorizava nada, apenas sorrisos e um olhar de ternura…

…Ninguém imaginava o que pensava, perdido em pensamentos que só ele poderá explicar procurava a perfeição em tudo, o que por vezes me angustiava, consumia-se a ele próprio na vontade excessiva de fazer bem, de ser correcto, perfeito perante os meus olhos, vivia para mim e Eu sabia que o fazia…

…No que tocava levava ao extremo em acções e sentimentos…nos estudos, nas amizades, em tudo o que fazia tentava fazer bem, o melhor que podia e sabia, aprendia pelos erros dos outros, na arte da observação alheia, especialmente nos erros do irmão mais velho; aprendia assim a não errar, a não desiludir… não queria, não podia…e como se consumia nesse fardo que impôs desde muito cedo a si próprio. Quando errava, nem que fosse ligeiramente…o desespero, as lágrimas, a obsessão do seu extremo invertia-se na desilusão…

…Nós precisamos de errar, por vezes necessitamos, precisamos, mas ele nunca quis, ou não soube acreditar na verdade… e Eu nunca o soube corrigir, ou talvez corrigi, não sei sinceramente se podia ter feito algo mais; não podia criticar o meu filho por fazer bem…critiquei, gritei, chorei, sorri… fiz tudo ao meu alcance e não me arrependo em nada do que fiz; apenas acho que o meu filho ficou adulto mais cedo que devia, mais cedo que a Natureza permite e que aconselha…

…A sua infância desvaneceu-se do meu olhar, sempre com um sorriso, viveu como queria e gostava, desconhecendo a parte negra da sua característica própria no qual o seu pensamento e personalidade o fez cair…

…Na adolescência tornou-se independente, solitário, começou a fazer tudo sem o conhecimento dos que o podiam criticar, julgar, queria viver e procurar os seus valores de verdade e conceitos que os Pais lhe ensinaram…

…A sombra de si próprio, o desconhecimento da sua vida, os amigos … guardava em segredo, em palavras não ditas, em formas diferentes de ver…pedaços da sua vida que achava que poderiam ser mal interpretados, mas… não eram, eram saudáveis; poderia pensar que Eu e o Pai não sabíamos, e até poderíamos não saber muita coisa, mas sabíamos muito, e adorávamos tudo o que víamos…o caminhar, o viver, o sentir a vida, de uma forma curiosa, mas viva…

…O tempo trouxe-lhe a maturidade, o aspecto de homem: moreno, alto, magro…um aspecto diferente vitima da inevitável transformação física da idade, embora o seu interior continue com muitas das suas características de criança; de quando era o meu menino… principalmente aquele seu sorriso e expressão no olhar independente do seu pensamento, dos seus eternos e particulares sentimentos…

…Conta-se em poucas palavras a história até hoje do meu filho mais novo, nasceu numa sexta-feira 16, numa noite de Dezembro… num dos dias mais felizes da minha vida, adoro-o com todos os defeitos e virtudes que tem, e tem de certeza ambos…mas aos meus olhos os defeitos misturam-se com qualidades e estas com Amor… poderão ser apenas palavras, sentimentos, olhares de quem Ama, mas que sejam!!… São meus!! E estarão sempre comigo…sempre! …nem que seja num dia pelas asas do desconhecido, pela esperança na eternidade ou pela voz de um Anjo…”

…Um beijo para quem me Ama…


MABA

Thursday, December 16, 2004

Onde As Ruas Não Têm Nome


Fotografia, Autor desconhecido

Escuto, oiço a chuva, sinto-a perto, demasiado perto.
O tempo rasga-me o peito, trespassa-me a alma em mil pedaços.
O som seco de cada gota, uma após outra.
Os retalhos do meu olhar, são levados por um vento sombrio.
Olho em redor, nada conheço, ando à deriva no meu próprio silêncio.
A minha sombra na parede, foge-me, atraiçoa-me.
De soslaio olho para trás, não sei onde estou, em que rua, em que canto de mundo perdido.
No chão o meu rosto é invadido por uma luz escura, a sombra de uma rua qualquer

Caminho passo após passo num único silêncio, um som único de solidão, a minha mente engana-me não sei por onde caminho, sei que o faço sozinho, numa rua deserta, sem fim.
A chuva apodera-se do vento, sigo em frente, começo a correr, sem olhar para trás a fugir de algo, de alguém ou mesmo de mim.
Sem força, coragem, sinto-me a cair lentamente.
Não consigo continuar, com olhar cansado, choro, e em cada lágrima, sentimento perdido, sinto-me sozinho.
Sem rumo, onde estou não importa, estou algures a chorar, num lugar distante onde ninguém me vê mas onde sentem as minhas lágrimas que o vento levou, gota após gota, daqui, de uma rua qualquer, de uma rua sem nome…

MABA