Existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos, lugares e
destinos…
Onde e quando tudo se desmorona, se destrói e é esquecido…
Instante fugaz mas eterno em que nos sentimos sozinhos, sem rumo,
sem destino…
Não precisamos nem queremos ouvir um único som, nem ninguém…
Dia, sinal, dever, certeza da responsabilidade de parar, descansar,
olhar em redor, deixarmo-nos cair e retirar do nosso peito a carta que escrevemos ao
longo da vida… a nós próprios…
Onde os sonhos não são esquecidos, onde a verdade não é escondida,
onde as nossas ruas de deleite paixão não escondem o nome de quem eternamente
chamaremos… Amor…
Essa carta! Escrita com lágrimas, sangue e odor do tempo… o que a
vida nos ensinou, ensina…diferenças, erros, virtudes, certezas e verdades…
…
A subtil diferença entre segurar uma mão e encadear uma alma…
Em que o amor não significa serventia mas sim respeito, honra,
dignidade, admiração e entrega…
Em que o respeito e companhia nem sempre significam felicidade e
segurança…por vezes solidão…
Em que a felicidade não é sempre ter o que queremos, mas sim ter da
forma como sonhamos…
Em que sonhar e concretizar um sonho não é impossível, como aprendemos
que os beijos não são contratos e presentes não são promessas…
…
Aprendemos a aceitar as nossas derrotas com a frieza e graça de um
adulto… escondendo melhor a todos! Tristeza da criança em nós…
Aprendemos que podemos construir hoje! Estradas, destinos,
casas, protecções, pontes, expectativas e muralhas, defesas… mas o terreno que
as sustem não deixa de ser incerto amanhã… e tudo o que não viver da convicção
terá sempre o triste e simples hábito de ruir…
Aprendemos que o sol tudo queima quando se exposto, perante este, por muito tempo…
Aprendemos a aceitar que não importa o quanto amamos, sofremos e
gritamos…se para quem o fazemos não ama, não sofre e não ouve no mesmo tom…
…
Aceitamos que não importa o quanto boa uma pessoa é ou será, ou sequer somos… vamos
sofrer e fazer sofrer, feridas serão abertas, cicatrizes, por quem e a quem
amamos… podemos e talvez devêssemos perdoar… talvez! Se alguém o merecer…
Aceitamos que podemos sorrir e chorar, brincar e gritar, fazer e
sonhar…
Aceitamos que a confiança leva anos para se construir e apenas
segundos para nos desiludir e destruir…
Aceitamos viver com o poder da verdade e a triste e fugaz lógica de mentir por
amor…
…
Compreendemos que o maior acto de amor é o altruísmo… felicidade, vida de quem amamos, mesmo que tal implique a nossa morte…
Compreendemos que a vida são instantes e temos um poder ou dom de fazer
magia memorável e indescritível, como de igual forma somos e seremos capazes de actos que nos
arrependeremos perpétuamente…
Compreendemos que a verdadeira amizade ou amor pode não morrer
mesmo entre longas distâncias a percorrer, embora a ausência tenha a ousadia e
permissão de esconder e esquecer essa amargura…
…
E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem se escolheu
para a partilhar!
E o que importa não é ter alguém para a partilhar, mas quem nos
acompanha, compreende e tem competência nessa evolução e partilha.
E o que importa são os bons amigos! Família que nos foi permitido
escolher.
E o que importa é a família que não nos julga! No momento que mais
necessitamos que não o façam
…
Descobrimos que amigos há… que só o são se forem mais felizes do
que nós.
Descobrimos que família são aqueles… de nosso sangue ou amor
partilhado que nos ama quando menos merecemos.
Descobrimos que as pessoas que mais nos amam nos são tiradas de
forma repentina e inesperada e perante a consciência do inevitável ...iniciamos um processo de cura, palavras de calor,
no desespero frio de ser a última vez que vamos vê-los, ouvi-los e senti-los.
…
Somos responsáveis por nós mesmos, conhecedores do poder do bem e
do mal que podemos exercer.
Somos responsáveis por erros e virtudes, conhecedores da
relatividade de pormenores e do meio ambiente que nos influencia e a todos ao nosso redor.
Somos responsáveis por decisões únicas, conhecedores que o óbvio nem sempre é o correcto e a comparação com outros nem sempre é eficaz.
Somos responsáveis pelas nossas escolhas e comparações,
conhecedores da balança da justiça, decisões entre o melhor e honroso, mundano
e banal.
…
Demora algum tempo a descoberta que nos permite tornar a pessoa que
queremos ser e que esse tempo é demasiado curto.
Demora algum tempo o conhecimento que nos permite saber que o que
importa não é onde estamos, mas onde queremos chegar.
Demora algum tempo que o desconhecimento de um destino só nos irá
trazer a descoberta tardia desse lugar e de acções predestinadas.
…
Sabemos que controlamos palavras, acções e significados e que elas
próprias nos vão querer controlar.
Sabemos que ser submisso não significa ser fraco ou não ter
personalidade, pois não importa quanto delicada e frágil seja a situação,
existirão sempre dois lados e nunca serão coincidentes em tempo e vontade.
Sabemos que ser frágil é amar alguém e forte é amar não outro mas
apenas nós próprios.
Sabemos que heróis são aqueles que fizeram e fazem o que era e é necessário,
enfrentando todas as consequências dos seus actos únicos e aclamados, quando um dia compreendidos.
Sabemos que a paciência requer experiência e a espera não é prova
de fracasso, mas sim de ousadia de um significado.
Sabemos que a perfeição não existe… mas inconscientemente
procuramo-la incessantemente …e a necessidade de a descobrir é utópica e sôfrega.
…
Perguntamos se a nossa vida é hoje, agora… A única que temos?
Perguntamos se na nossa vida, hoje, agora… Somos o que queremos?
Perguntamos se na vida não existe perfeição… e se existir… Será em pedaços,
faíscas e fulgores?
Perguntamos o que nos oferece sabedoria… Experiências, erros e certezas, locais e pessoas?
…
Concluímos que não somos ninguém para destruir sonhos e moralizar
acções.
Concluímos que sábios não são os que acertam… são os que se
corrigem.
Concluímos que temos o direito de gritar por raiva e dor, não o
temos de ser frios e cruéis.
Concluímos que uma pessoa pode nos amar e não conseguir demonstrar,
como alguém saber dize-lo e não conseguir provar.
…
Sei…que existem momentos, existem dias, existem sonhos e tempos,
lugares e destinos…
Sei…em que momento o vento te beija o rosto, o dia em que a
folhagem abraça o teu corpo, o sonho e lugar onde a luz e sombra ajeitam-te os
cabelos e escondem o teu olhar…
…
Sei…esse destino sem saber o tempo…
…onde as nossas vidas se unem por momentos,
…onde os sonhos permanecem na memória,
…onde os amores vagueiam para sempre…
…
Sei…
Que tudo são ecos de Amor…
…
…e que ecoam para a eternidade…
MABA

