Tuesday, April 09, 2013

Sabor!



“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu para todo o sempre e que nenhuma mulher ou amante jamais te tocará no corpo ou no âmago do teu ser, que não eu…Jura! Pelo teu sangue, pela tua vida!”

“Sou tua! Serei! Sempre fui, mesmo sem o saber. Amaldiçoo quem conheci, quem te possuiu, sem seres tu, sem ser eu! Meu amor, meu alento, espirito, sopro que renasceu comigo…só tu importas! Só tu existes! Só!…És o meu Amor, para quem eu serei eterna servidora, companheira, amante… serei só tua! Juro! Pelo meu sangue, filho, vida!”

“Palavras proferidas em tempos e nas quais inocentemente acreditei na minha memória mais recente. Ultima lembrança de prazer, fervor para o qual ainda nem sequer foram descobertas palavras suficientes para o descrever.”

Sabor!

“Gota após gota, jura após jura, deixaste gotas de suor e cansaço escorrerem-te pelo corpo, em linhas esbeltas, desenhos encetados apenas por mim, numa escrita em língua, só tua, só minha, que permitisse provocar, registar, marcar ou degustar o sabor da tua pele, invertendo contracções e espasmos em olhares furtivos, fugidios do teu ventre pulcro, peito escrito em cor, nádegas suave mel, lábios sem erros ou ardor… não apenas desejo, mas simplesmente num acreditar de bem-querer…e amor.”

Tempo!

“E com ele, contigo, a palavra que beijaste nos meus lábios e que soletrei em mordidas na tua pele molhada por mim, por ti.”

“E com ele, contigo, as gotas do meu afecto, e como sentia esse momento desconhecido, que se dispersava em memórias e num querer de juras prometidas, numa ambição inconfessável, sem saber que por e de mim, sincero! por ti… juras! Mentiras dissimuladas, egoístas…falaciosas.”

Tempo!

“Em que outrora se abraçavam dois corpos, retirei e queimei as roupas, presentes prometidos e oferecidos por engano… No atar de um laço que se desfez rasguei a pele que te tocou e pertenceu…Do corpo que rejubilou a teu belo agrado retirei do peito o palpitar perdido por feminis embuste, na mais triste fraude que aceitei e acreditei por sabor…e amor.”

Tempo!

“E se o meu foi teu, o meu amor jamais poderá existir ou renascer. Darei o meu corpo a quem quiser mas a alma não pertencerá nem a ti, nem a mais ninguém. Perdeu-se no tempo, na jura que jurei e cumpri e tu não!…E o pior? Sabia… sentia sem querer sentir, observava sem querer testemunhar, uma questão de oportunidade e ambição sem ser por carácter ou afecto.”

Tempo!

“A minha condenação ou punição, absolvição? Viver sem amor, apenas sabor…o meu, o teu? Saberás algures num ensejo oportuno e divino, num afogar de sensações antigas, estranhas, medonhas, desaparecidas com o renascer de um momento de viver sem uma paixão sincera, sem gosto…a minha.”

“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu! Só meu!”

“ Não! Não sou! Nem serei de ninguém, outrora morri e matei por amor, renasci por outro, sofri e queimaram-me as cinzas perdendo a capacidade de ressuscitar… Amaldiçoo quem conheci, quem me possuiu, jurou e obrigou-me a jurar! Renascer ou Profetizar?”

“És minha? Meu Amor! Juras que serás minha, só minha? Ama-me! Que eu saborear-te-ei sem paixão, nua, renascida, gota apos gota, até a paragem do tempo o permitir…”

E o Tempo parou! 

1 comment:

Anonymous said...

O texto está muito bonito, um misto de emoções. Adoro a forma como te exprimes através das palavras.. És lindo