“És meu? Meu Amor! Jura que serás
meu para todo o sempre e que nenhuma mulher ou amante jamais te tocará no corpo
ou no âmago do teu ser, que não eu…Jura! Pelo teu sangue, pela tua vida!”
“Sou tua! Serei! Sempre fui,
mesmo sem o saber. Amaldiçoo quem conheci, quem te possuiu, sem seres tu, sem
ser eu! Meu amor, meu alento, espirito, sopro que renasceu comigo…só tu importas!
Só tu existes! Só!…És o meu Amor, para quem eu serei eterna servidora,
companheira, amante… serei só tua! Juro! Pelo meu sangue, filho, vida!”
“Palavras
proferidas em tempos e nas quais inocentemente acreditei na minha memória mais
recente. Ultima lembrança de prazer, fervor para o qual ainda nem sequer foram descobertas
palavras suficientes para o descrever.”
Sabor!
“Gota após
gota, jura após jura, deixaste gotas de suor e cansaço escorrerem-te pelo
corpo, em linhas esbeltas, desenhos encetados apenas por mim, numa escrita em
língua, só tua, só minha, que permitisse provocar, registar, marcar ou degustar o sabor da tua pele, invertendo contracções e espasmos em olhares
furtivos, fugidios do teu ventre pulcro, peito escrito em cor, nádegas suave
mel, lábios sem erros ou ardor… não apenas desejo, mas simplesmente num
acreditar de bem-querer…e amor.”
Tempo!
“E com ele,
contigo, a palavra que beijaste nos meus lábios e que soletrei em mordidas na
tua pele molhada por mim, por ti.”
“E com ele,
contigo, as gotas do meu afecto, e como sentia esse momento desconhecido, que se
dispersava em memórias e num querer de juras prometidas, numa ambição
inconfessável, sem saber que por e de mim, sincero! por ti… juras! Mentiras
dissimuladas, egoístas…falaciosas.”
Tempo!
“Em que
outrora se abraçavam dois corpos, retirei e queimei as roupas, presentes
prometidos e oferecidos por engano… No atar de um laço que se desfez rasguei a
pele que te tocou e pertenceu…Do corpo que rejubilou a teu belo agrado retirei
do peito o palpitar perdido por feminis embuste, na mais triste fraude que
aceitei e acreditei por sabor…e amor.”
Tempo!
“E se o meu
foi teu, o meu amor jamais poderá existir ou renascer. Darei o meu corpo a quem
quiser mas a alma não pertencerá nem a ti, nem a mais ninguém. Perdeu-se no
tempo, na jura que jurei e cumpri e tu não!…E o pior? Sabia… sentia sem querer
sentir, observava sem querer testemunhar, uma questão de oportunidade e ambição
sem ser por carácter ou afecto.”
Tempo!
“A minha condenação
ou punição, absolvição? Viver sem amor, apenas sabor…o meu, o teu? Saberás algures
num ensejo oportuno e divino, num afogar de sensações antigas, estranhas,
medonhas, desaparecidas com o renascer de um momento de viver sem uma paixão
sincera, sem gosto…a minha.”
“És meu? Meu Amor! Jura que serás
meu! Só meu!”
“ Não! Não
sou! Nem serei de ninguém, outrora morri e matei por amor, renasci por outro,
sofri e queimaram-me as cinzas perdendo a capacidade de ressuscitar… Amaldiçoo
quem conheci, quem me possuiu, jurou e obrigou-me a jurar! Renascer ou
Profetizar?”
“És minha?
Meu Amor! Juras que serás minha, só minha? Ama-me! Que eu saborear-te-ei sem paixão,
nua, renascida, gota apos gota, até a paragem do tempo o permitir…”
E o Tempo parou!

1 comment:
O texto está muito bonito, um misto de emoções. Adoro a forma como te exprimes através das palavras.. És lindo
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