Wednesday, April 17, 2013

Abracadabra!



Fotografia, Autor Desconhecido

Olhei para ti, os meus olhos nos teus encontraram-se por uma última vez…esperei um pouco e acariciei-te o rosto…sussurrei-te ao ouvido… Sabes?
Será magia ou ilusão?
Será amor ou paixão?
Será amizade ou saudade?

Serei tudo ou serei nada, serei ou serás… realidade ou apenas mais um texto enrolado em metáforas e fantasias, em anseios ou utopias consoante o teu desejo, ou o meu…

E eu? Serei apenas um trovador ou ilusionista, serei real ou imaginário…serei o que a minha mão disser, chorar, abrir, fechar, cantar ou sussurrar, serei o que os meus dedos escreverem, a minha imaginação acreditar… pintor, escultor, serei simples, complicado, amante ou romântico, serei o escutar de um som grave, o palpitar de um coração…o meu, o teu, ou o nosso, sou o trovejar de sentimentos, sonhador de imensidões, trovador de inspirações e na ponta dos meus dedos, a vontade de ouvir…o que ninguém me diz, o que ninguém ouve, o que outrora conseguia escutar e hoje não…sou um grito, uma lágrima, um sorriso, uma palavra muda, sou e serei para todo o sempre o piano que ouves, a musica que sentes, o poema que lês, serei em tua pele a tatuagem de um nome que nunca esquecerás…serei o que gosto de ti…

…e como te amo…!?
…num simples acertar de um cabelo despenteado do teu rosto doce e inocente,
…numa ultima bolacha de chocolate que se deixa apenas para quem se ama,
…num perfume suave que nos protege numa noite de encantamento,
…num ultimo suspiro, névoa de um frio gelado antes de morrer,
…no acordar e ser a primeira lembrança, no adormecer e ser o ultimo conforto,
…ser os lençóis que te aquecem e te delimitam o corpo em forma de protecção,
…ser o cheiro esquecido na bruma, o teu genuíno reflexo,
…ser esse ponto de luz perdido no céu, chama que incide num livro iluminando não uma escrita banal mas o contorno em forma de amor em oração…

Fui! Foste talvez pela primeira ou ultima vez a minha eterna ilusão e és e serás o meu eterno amor, o meu timbre, miragem, fantasia, a minha criação, a minha escrita, certeza e maldição, serei e direi para ti sussurrando ao teu ouvido, com a mão no teu rosto…

Abracadabra!

Amo-te hoje e estou aqui, na magia que perdi, capacidade de te dizer que te quero, que te desejo a cada momento, instante…
Amanhã não estarei! …serei esquecido… jamais capaz de atar palavra a palavra, abrir sem fechar a minha mão, sussurrar amores e gritar desejos.
A minha inspiração é luz e feitiço no primeiro gesto, verdade no esfregar de dedos num segundo acto, magia de retorno no seu final… mas… o meu!… O Amor por ti não é nem nunca será ilusão… apenas adormecerá… à espera de ti…

Adeus!

Abracadabra!

MABA

Tuesday, April 09, 2013

Sabor!



“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu para todo o sempre e que nenhuma mulher ou amante jamais te tocará no corpo ou no âmago do teu ser, que não eu…Jura! Pelo teu sangue, pela tua vida!”

“Sou tua! Serei! Sempre fui, mesmo sem o saber. Amaldiçoo quem conheci, quem te possuiu, sem seres tu, sem ser eu! Meu amor, meu alento, espirito, sopro que renasceu comigo…só tu importas! Só tu existes! Só!…És o meu Amor, para quem eu serei eterna servidora, companheira, amante… serei só tua! Juro! Pelo meu sangue, filho, vida!”

“Palavras proferidas em tempos e nas quais inocentemente acreditei na minha memória mais recente. Ultima lembrança de prazer, fervor para o qual ainda nem sequer foram descobertas palavras suficientes para o descrever.”

Sabor!

“Gota após gota, jura após jura, deixaste gotas de suor e cansaço escorrerem-te pelo corpo, em linhas esbeltas, desenhos encetados apenas por mim, numa escrita em língua, só tua, só minha, que permitisse provocar, registar, marcar ou degustar o sabor da tua pele, invertendo contracções e espasmos em olhares furtivos, fugidios do teu ventre pulcro, peito escrito em cor, nádegas suave mel, lábios sem erros ou ardor… não apenas desejo, mas simplesmente num acreditar de bem-querer…e amor.”

Tempo!

“E com ele, contigo, a palavra que beijaste nos meus lábios e que soletrei em mordidas na tua pele molhada por mim, por ti.”

“E com ele, contigo, as gotas do meu afecto, e como sentia esse momento desconhecido, que se dispersava em memórias e num querer de juras prometidas, numa ambição inconfessável, sem saber que por e de mim, sincero! por ti… juras! Mentiras dissimuladas, egoístas…falaciosas.”

Tempo!

“Em que outrora se abraçavam dois corpos, retirei e queimei as roupas, presentes prometidos e oferecidos por engano… No atar de um laço que se desfez rasguei a pele que te tocou e pertenceu…Do corpo que rejubilou a teu belo agrado retirei do peito o palpitar perdido por feminis embuste, na mais triste fraude que aceitei e acreditei por sabor…e amor.”

Tempo!

“E se o meu foi teu, o meu amor jamais poderá existir ou renascer. Darei o meu corpo a quem quiser mas a alma não pertencerá nem a ti, nem a mais ninguém. Perdeu-se no tempo, na jura que jurei e cumpri e tu não!…E o pior? Sabia… sentia sem querer sentir, observava sem querer testemunhar, uma questão de oportunidade e ambição sem ser por carácter ou afecto.”

Tempo!

“A minha condenação ou punição, absolvição? Viver sem amor, apenas sabor…o meu, o teu? Saberás algures num ensejo oportuno e divino, num afogar de sensações antigas, estranhas, medonhas, desaparecidas com o renascer de um momento de viver sem uma paixão sincera, sem gosto…a minha.”

“És meu? Meu Amor! Jura que serás meu! Só meu!”

“ Não! Não sou! Nem serei de ninguém, outrora morri e matei por amor, renasci por outro, sofri e queimaram-me as cinzas perdendo a capacidade de ressuscitar… Amaldiçoo quem conheci, quem me possuiu, jurou e obrigou-me a jurar! Renascer ou Profetizar?”

“És minha? Meu Amor! Juras que serás minha, só minha? Ama-me! Que eu saborear-te-ei sem paixão, nua, renascida, gota apos gota, até a paragem do tempo o permitir…”

E o Tempo parou! 

Wednesday, April 03, 2013

Beleza em Chama


“Olha em teu redor…retira o véu que te esconde …não existe mais ninguém sem seres tu e eu…”
Se te dissesse tais palavras na noite em que te conheci, não perceberias, nem quererias entender… lógico. Um julgamento rápido de insanidade, loucura, confusão … inoportuno. Estávamos rodeados por uma multidão, sozinhos, muitas pessoas e… o teu amor, por quem partilhei uma parte da minha vida, era notório. Como poderias compreender algo sem sentido…óbvio.

“És Fogo, beleza em chama que ilumina, cega e incendeia quem te enfrenta e procura”
O que posso achar de alguém que conheci tão pouco e em breve tempo? De beleza inquestionável optei por vagabundear numa opinião ao acasouma bonequinha frágil para quem sempre gostou de primor e requinte feminino, mas a duvida no que fosse…correcto. Persistia se tal beleza seria sinonimo de perdição ou promessa passageira de uma falsa e ilusória verdade sobre o melhor e genuíno de nós. E quem é capaz de se erguer e não se esconder por detrás de uma beleza fortuita do destino?…obscuro.

“Poema romântico, princesa dedicada mas rebelde, prosa e canto de uma juventude inquieta, mas perdida por pactos, nirvana tardio”
Pormenores! O que revelam de alguém que se esconde, ou somente a distância que não permite o seu real e verdadeiro conhecimento. E como é fácil! tão fácil iludir alguém, ou mesmo nós próprios. No gosto a arte, na pintura a devoção; um simples guardanapo de cor e posição correcta; cheiro e sabor de um prato com genuína dedicação e quem sabe amor; conversas alegres que em madrugadas esquecidas invadimos com sorrisos a confissões, valores a sonhos, revelaram a menina romântica e sonhadora, e eu? Confuso ao ver agua e vinho, par e ímpar, cara e coroa, lados opostos…distante.

“Alegre Fado que de tristeza faz vida, das lágrimas sorrisos de quem quer, luta e merece ser mulher de um bem maior que de menos não procura, perdeu mas não fugiu, amou mas não morreu, caiu mas ergue-se dia após dia por um objectivo firme”
O que posso achar de alguém que conheci através de outros? Nos olhos, na forma e valores, de acções a quem pertenceste. Será que conhecemos alguém através de quem amam ou se é amado? Será que conhecemos alguém através dos seus Pais, Filhos, Amores, Amizades? Conheci-te por um amor em que acreditei, por uma amizade que quero para sempre, numa realidade que se tornou confusa, difusa para quem não sabe, não sente, mas certo é que a verdade existirá algures entre um amor e uma tristeza que te invade dia após dia e que um amor maior poderá curar, mas não esquecer, cicatriz que te torna hoje mais crente, mais lutadora, mais fria e quem sabe… consciente.

“Olha em teu redor…retira o véu que te esconde …não existe mais ninguém sem seres tu e eu…”
Perguntas porque penso assim? Interrogações que te permanecem na duvida do que possa ser, o que me move? o que me fascina? que demanda me preenche e oculta no brilho de uma luz ou ilumina a incerteza de uma sombra. O que me leva e permite viver num mundo paralelo ao nosso…ao meu, ao teu, tão frio e ausente, tão obscuro e mundano…
Se eu te dissesse no dia que nos conhecemos que no futuro restaríamos apenas tu e eu…o que pensarias?…é assim que eu vejo, observo e isolo acções, cogito, imagino e talvez seja óbvio e romântico, correcto, ilusório, quem sabe obscuro, distante e consciente de uma vida que desejo poética e fantasista, mas que em tudo implica e atrai erro, engano, aparência e realidade…

“Amar não é o mais correcto, perfeito e certo que se procura…mas é a imperfeição mais incerta em que caímos no doce erro de acreditar”

“Hoje não acreditas e fazes juras que jamais mostrarás o teu rosto e amarás alguém… Amanhã irás retirar o véu que te esconde e… uma vez mais, jurarás, que não existirá mais ninguém… apenas e só tu... e ele ”